<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635</id><updated>2012-01-30T20:59:52.021-02:00</updated><title type='text'>linhas ao vento</title><subtitle type='html'>fragmentos na gaveta</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>100</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-4019177844031632833</id><published>2012-01-25T19:13:00.002-02:00</published><updated>2012-01-25T20:10:48.014-02:00</updated><title type='text'>Sopros</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-mQKvFrYAwlk/TyBxXwSfSZI/AAAAAAAAAZc/7rVwHhcJBvc/s1600/foto%2Bminha.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-mQKvFrYAwlk/TyBxXwSfSZI/AAAAAAAAAZc/7rVwHhcJBvc/s400/foto%2Bminha.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5701681781164427666" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitou acordada. Não há espaço capaz de aquietar o corpo. Calor e ventilador circulam brincando de esquenta-esfria. Alguns acanhados fios de cabelo voam até o nariz. Ela põe a mão na testa e impede que deslizem. Vira-se para o lado. O médico havia dito que gente que tem sopro no coração deve dormir sempre à direita. A sua tia asmática também tem. Quando soube dessa “cardiopatia congênita” tinha apenas dez anos e nem sabia o que significava a palavra cardiopatia e muito menos congênita. Pensou logo num tumor fatal. Foi a mãe que disse  -  que é isso menina, tua tia Joana tem esse sopro e está inteirinha. Nunca se sabe o que a mãe é capaz de dizer para ver uma filha apaziguada. Restou sempre essa pulga atrás da orelha. &lt;br /&gt;No outro dia na escola, ficava olhando para cada uma das meninas imaginando se algumas delas sofriam do mesmo mal. Apenas com uma freira pálida, e que vivia acometida de soluços incontroláveis,   imaginou compartilhar a doença. A primeira vez que procurou um psicanalista, anos depois, soltou a pérola -  é que tenho um sopro. Penso que o homem riu na sua particular tela em branco. Por que pensar nisso uma hora dessas da madrugada? O melhor para o coração nem sempre tem o mesmo efeito sobre braços e pernas. Nada bom dormir do lado direito. Para que serve um cotovelo? Molha os lábios com a língua. Ouviu dizer que ventilador ressaca até a alma. Um joelho magrelo, ossudo espeta o outro. Melhor um lençol entre as coxas. Ah não desejo essa hora não. Quantas pernas cabem no entranhado desassossego? Favorece, sempre, beber água. Assim as sedes se apaziguam. &lt;br /&gt;Um fascínio andar no escuro sob a ponta dos pés.  Copo na mão, espreita a janela na amplitude de visão do décimo primeiro andar. O edifício é Mariana, mas falta uma letra e fica Mar ana. Que importa? São três horas da manhã. Um homem empurra a bicicleta, vagarosamente, na rua deserta. Terá um amor? Não parece tão só.  O meu, essa falta insone. As horas acorrentadas ao relógio movem-se ao contrário; precisodormir-precisodormir-precisodormir. Fazer o que?   Apagar os clarões que sopram. A memória encoberta por sete caixas, sete juramentos, sete lágrimas retidas.  É verde o olhar do homem que mexe a música com os dedos. Fagulhas da lucidez que devora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-4019177844031632833?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/4019177844031632833/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=4019177844031632833' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/4019177844031632833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/4019177844031632833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2012/01/sopros.html' title='Sopros'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-mQKvFrYAwlk/TyBxXwSfSZI/AAAAAAAAAZc/7rVwHhcJBvc/s72-c/foto%2Bminha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-2518720679590657631</id><published>2011-11-15T12:57:00.003-02:00</published><updated>2011-11-15T13:03:24.884-02:00</updated><title type='text'>Locomotiva</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-eXku8_8azZg/TsJ9_O-oHmI/AAAAAAAAAZQ/Y2cahAeY9G8/s1600/silencio.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 368px; height: 388px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-eXku8_8azZg/TsJ9_O-oHmI/AAAAAAAAAZQ/Y2cahAeY9G8/s400/silencio.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5675237005746249314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apita o trem:&lt;br /&gt;a hora do dor.&lt;br /&gt;É deserto na janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem da casa&lt;br /&gt;conduz o rumor dos trilhos&lt;br /&gt;indiferente à paisagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem da casa traz mão vazias&lt;br /&gt;infinitos dedos&lt;br /&gt;de ninar, de morder, de esquecer.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Os vagões da aflição do prazer sem ser&lt;br /&gt;calam gemidos ocos,&lt;br /&gt;Cabeça para trás, cabelos por entre as mãos,&lt;br /&gt;o dueto segue sem destino. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem muito grande,&lt;br /&gt;pode mudar a direção dos ventos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai- vem, vai- vem, pedaço por pedaço.&lt;br /&gt;boca interrompida por mãos,&lt;br /&gt;grita vedada a mentira que revela.&lt;br /&gt;Lágrimas desacertadas,&lt;br /&gt;inundam fábulas interrompidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem- máquina transpõe as horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passado come inteiro o dia seguinte.&lt;br /&gt;Família invisível na sala.&lt;br /&gt;O mais tarde não vive,&lt;br /&gt;e ninguém vê.&lt;br /&gt;A menina apoucada,&lt;br /&gt;engole palavras.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O que ele fala: &lt;br /&gt;Não diga nada, não conte.&lt;br /&gt;Eu te dou um chocolate Garoto, a última Barbie&lt;br /&gt;te cubro o lençol na hora do adormecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(O apito se afasta, a mão guarda a calça,&lt;br /&gt; perene aroma da culpa impregna a sala)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O que ela cala: &lt;br /&gt;Não viajo. Permaneço.&lt;br /&gt;Deito nos trilhos poemas em disparada. E permaneço.&lt;br /&gt;Sob carris de morte e vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-2518720679590657631?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/2518720679590657631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=2518720679590657631' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2518720679590657631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2518720679590657631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2011/11/locomotiva.html' title='Locomotiva'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-eXku8_8azZg/TsJ9_O-oHmI/AAAAAAAAAZQ/Y2cahAeY9G8/s72-c/silencio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-7973731507654206109</id><published>2011-10-20T18:42:00.001-02:00</published><updated>2011-10-20T18:52:56.212-02:00</updated><title type='text'>Epiderme - vídeo poema</title><content type='html'>Estamos concorrendo ao 5˚ Prêmio Internacional Poesia ao Vídeo no Fliporto Pernambuco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprecie e, se gostar, compartilhe com os amigos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Epiderme -  http://bit.ly/oW1q9i&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-7973731507654206109?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/7973731507654206109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=7973731507654206109' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/7973731507654206109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/7973731507654206109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2011/10/epiderme-video-poema.html' title='Epiderme - vídeo poema'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-4027577066720271396</id><published>2011-09-02T09:35:00.009-03:00</published><updated>2011-09-05T08:56:05.552-03:00</updated><title type='text'>Monalisamente</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-OR68yIoLzd8/TmDQ_IVhRKI/AAAAAAAAAYo/usDCWUqijnE/s1600/Monalisa%2B3.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 271px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-OR68yIoLzd8/TmDQ_IVhRKI/AAAAAAAAAYo/usDCWUqijnE/s400/Monalisa%2B3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5647743715710682274" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENCONTRADA&lt;br /&gt;Denuncia o cartaz &lt;br /&gt;Sem recompensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém vê&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora custe caro&lt;br /&gt;O crime de seguir a risca&lt;br /&gt;Uma vida emoldurada em quadrado&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Desconfie&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há afoiteza de dança, nem embriaguês&lt;br /&gt;Na mulher prendida&lt;br /&gt;Entre laços e fitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Siga a sombra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O canto da boca,&lt;br /&gt;Monalisamente, &lt;br /&gt;Risca o caminho da tentação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Use a língua&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A natureza silenciosa&lt;br /&gt;Ao fundo &lt;br /&gt;Revela nitidez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embaralham-se pistas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lugar algum refugia&lt;br /&gt;O sulco &lt;br /&gt;Do soturno alvoroço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-4027577066720271396?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/4027577066720271396/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=4027577066720271396' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/4027577066720271396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/4027577066720271396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2011/09/monalisamente.html' title='&lt;strong&gt;Monalisamente&lt;/strong&gt;'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-OR68yIoLzd8/TmDQ_IVhRKI/AAAAAAAAAYo/usDCWUqijnE/s72-c/Monalisa%2B3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-249290717677193690</id><published>2011-07-07T13:12:00.006-03:00</published><updated>2011-07-07T21:28:53.597-03:00</updated><title type='text'> A Camélia, a morte e a andorinha.</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-yChlBukU2EA/ThXbUsrt4GI/AAAAAAAAAYg/y9JyIpINT0E/s1600/andorinha.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-yChlBukU2EA/ThXbUsrt4GI/AAAAAAAAAYg/y9JyIpINT0E/s400/andorinha.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5626644458107691106" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um passarinho manco compõe a cena da despedida. Uma pata sim, outra não e duas asas. Houve quem dissesse, que pena. Doente somos nós que temos duas pernas e não voamos. Impaciência com quem só olha pro’ chão. Eu sei que ela esbravejaria e falaria beleza. Exaltaria o cântico livre da andorinha no jardim de muros. Ela, a alegre senhora do ‘107’. (Nunca gostei de números ímpares).  Hospital é um lugar fora do mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camélia nunca teve papas na língua. Em raras tréguas antes da morte, quando o relógio marcava 17 horas, ela descia e devorava três cigarros até a última ponta. Era quando o pássaro assentava ao lado dela. Ele sem uma perna, ela sem suas usuais asas. Foi diante dessa cena de rara beleza que uma enfermeira asseverou: saiba a senhora que está muito doente e não deveria estar aqui. Ela de pronto respondeu – eu deveria estar onde quero, onde todos deveriam estar. Buft! E a moça de branco recolheu-se. Era sua última vez. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Uma mulher diante da morte, um passarinho e a gaguez de quem não consegue tocar a potência da vida. Quem já morreu sabe que o maior sentimento nunca se conta. Camélia não fala mais. Não mais visita o lá fora. No ‘107’ houve até cânticos de despedida. Januária despontou na janela, e Carolina com seus olhos fundos guardou a dor. Compomos uma intensa sinfonia. Calada a morte permanecia. O olhar cerrado de Camélia cravado em nossas retinas. Imersos na direção do nada. Eu vi. A morte não é verbo. Respira-se vida até que ela se cale. Sem possibilidade de composição de nenhum predicado. Mesmo que em algum momento todos ainda cantem. É muda a partida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-249290717677193690?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/249290717677193690/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=249290717677193690' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/249290717677193690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/249290717677193690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2011/07/camelia-morte-e-andorinha.html' title='&lt;strong&gt; A Camélia, a morte e a andorinha&lt;/strong&gt;.'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-yChlBukU2EA/ThXbUsrt4GI/AAAAAAAAAYg/y9JyIpINT0E/s72-c/andorinha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-4242332417364447290</id><published>2011-05-23T09:43:00.007-03:00</published><updated>2011-05-23T09:59:02.730-03:00</updated><title type='text'>O Barão e a Formosa</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-M4JJeJAT0Ac/TdpYrxgG62I/AAAAAAAAAXE/eijYOx6ijV0/s1600/Rua%2BFormosa%2B2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 287px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-M4JJeJAT0Ac/TdpYrxgG62I/AAAAAAAAAXE/eijYOx6ijV0/s400/Rua%2BFormosa%2B2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5609893794889001826" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Assembléias, multidões!...&lt;br /&gt;Não te iludas a caminho...&lt;br /&gt;Na alcova do coração,&lt;br /&gt;Cada um vive sozinho&lt;/em&gt;.” &lt;br /&gt;(Juvenal Galeno, Trovas do Além)  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuspiu e praguejou. Feio é se fazer de morto!  A calçada fervilha no final de tarde. E ele fica a apreciar o vai e vem da gente conformada com a sorte. Sabe de que modo anda esse tipo criatura? Como se a sina fosse aquela - trabalhar, comer, procriar e mostrar migalhas de coisas que o dinheiro compra. A vizinha do lado passa por ele e faz cara de espanto. Logo ela que daria até a vida para ganhar um cargo na municipalidade e poder mandar em quem quer que fosse. Vendida! Dessa vez ele grita alto sem o contumaz temor de ser tido como louco. Esse é o privilégio dos quase centenários, poder xingar, esbravejar e escarrar verdades, impunemente. Seu Juvenal nem se aborrece.  A cadeira na calçada da Formosa deixa entrever que não há mais lugar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rua próxima aos bondes, dos passeios elegantes e das prosas demoradas é agora atravessada pelo alarido das buzinas. Progresso. Seu Juvenal pensou – existe sempre um nome bonito para as coisas que tiram o sossego. Com o passar dos anos, cada vizinho foi se recolhendo para os cômodos fechados. Cadê as moças de saias rodadas, dos corpetes generosos, de carmim nas faces? Por onde andam os rapazes que, na calçada do outro lado, exibiam fatiotas engomadas, coletes e lapelas ornamentadas de flores? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A velocidade marca o ato derradeiro do recolhimento. São horas que correm por dentro do cálculo racional do relógio.  Seu Juvenal permanece. Cada final de tarde repete o ato de resistência, puxa o assento já roto e segue o movimento. A rua Formosa ganha nome de diplomata e fica deserta de cadeiras. A vista esbarra nos primeiros arranha-céus. Faz silêncio a &lt;em&gt;Lira Íntima &lt;/em&gt;dos últimos românticos. Todos passam e ninguém se reconhece. Na Barão, gente é tanta que se esconde. Foi-se o tempo das trovas e das quadras anônimas. &lt;em&gt;Moreninhas&lt;/em&gt; passam indiferentes ao apelo – &lt;em&gt;não derramas fogo em minh’ alma gelada&lt;/em&gt;. O romantismo se recolhe com os lampiões de gás. Fica cega a cidade e o poeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;Uma homenagem a Juvenal Galeno poeta cearense do século XIX  pertence à segunda geração do Romantismo. É comumente citado como "o pioneiro do folclore no Nordeste". A poesia de Juvenal extrapola o lirismo de caráter pessoal, para cunhar uma dicção popular, de sabor interiorano, em que retrata o Brasil dos pequenos e dos simples)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-4242332417364447290?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/4242332417364447290/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=4242332417364447290' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/4242332417364447290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/4242332417364447290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2011/05/o-barao-e-formosa.html' title='&lt;strong&gt;O Barão e a Formosa&lt;/strong&gt;'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-M4JJeJAT0Ac/TdpYrxgG62I/AAAAAAAAAXE/eijYOx6ijV0/s72-c/Rua%2BFormosa%2B2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-1873356086544061016</id><published>2011-03-02T18:06:00.003-03:00</published><updated>2011-03-02T18:09:33.418-03:00</updated><title type='text'>Poema em correnteza</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-zzPQ-T1Lh9U/TW6xvM0nZ1I/AAAAAAAAAW8/f3JpwitWXVI/s1600/kandinsky2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-zzPQ-T1Lh9U/TW6xvM0nZ1I/AAAAAAAAAW8/f3JpwitWXVI/s400/kandinsky2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5579592412812502866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Imagem- Kandinsky&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega.  Pousa tua mão na minha mão. Tua ausência é nua.   Não aprendi a me fazer de louca. Tudo que cometo é pouco. Jogo pedras no oco. Teu amor deita comigo e desperto em vão. Tem urgência o grito que acorda com fome.  Vem. Você é cego, criatura? Alicia e se ausenta. Vai como quem fica.  Ancora porto inseguro. Zona de conforto é propaganda de avião, de navio, de trem. Eu viajo em alvoroço.  Reparou que me descabelo por dentro? Faço caretas, uivo, babo. Calada! Quem disse isso? Quem? Cuidado. Eu enxergo por detrás da máscara. Senta. Trapaça esse modo sonso de me querer correndo. Tenho aclives e declives. Você,  nem asas tem. Qualquer derrapagem cai dentro. E, em chamas, finge que foi acidente meu bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-1873356086544061016?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/1873356086544061016/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=1873356086544061016' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/1873356086544061016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/1873356086544061016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2011/03/poema-em-correnteza.html' title='Poema em correnteza'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-zzPQ-T1Lh9U/TW6xvM0nZ1I/AAAAAAAAAW8/f3JpwitWXVI/s72-c/kandinsky2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-5692787298835194677</id><published>2011-02-07T23:43:00.008-03:00</published><updated>2011-02-08T00:03:14.693-03:00</updated><title type='text'>O primo, o jardim e a espinhela caída</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/TVCuaAkUfmI/AAAAAAAAAW0/mnKgHpZJk2g/s1600/E%25C3%25A7a%2Bde%2BQueiroz.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 265px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/TVCuaAkUfmI/AAAAAAAAAW0/mnKgHpZJk2g/s400/E%25C3%25A7a%2Bde%2BQueiroz.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5571144500909473378" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(Uma homenagem a Eça de Queiroz)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raquel indagou - O que é um desassossego subindo pelas pernas, apertando o estômago e desenfreando o coração? A madrinha-avó de pronto respondeu – menina é espinhela caída.  Faltava apenas cinco dias para o aniversário de treze anos e apenas dois para a chegada do primo que vinha do Rio de Janeiro. Raquel calculava cada minuto do tempo. Havia passado três meses, dois dias, 16 horas e alguns minutos do momento em que esse negócio sem nome deu seu primeiro sinal. Depois de algum tempo é que se descobre que as coisas grandes começam sem pretensão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nas férias de julho, lá na Ilha do Governador, que o furo de um pequeno graveto instaurou a primeira cena. Já vivia chateada com as constantes provocações dos parentes do sul, pois diante de qualquer visão da beleza do Rio, o Cristo Redentor, a Atlântica, um prédio de muitos andares os primos em sintonia cantarolavam Luíz Gonzaga:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tenho visto tanta coisa&lt;br /&gt;Nesse mundo de meu Deus&lt;br /&gt;Coisas que prum cearense&lt;br /&gt;Não existe explicação...&lt;br /&gt;No Ceará, não tem disso não, não tem disso não”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era considerada a prima matuta diante da cidade maravilhosa. Porém, o lugar que permanecerá indelével na memória da viajante é o jardim e o seu segredo. Recorda até do vestidinho de algodão puro, desenhado de florzinhas coloridas, acinturado, meio decotado e com um laço do mesmo tecido amarrando o pescoço. Nessa altura do acontecimento os tios, devido aos banhos diários na praia de Copacabana, já se referiam à sobrinha vinda de fora com o codinome de moreninha. Retornemos ao jardim da vovó da ilha e o seu entorno. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento em que a menina brincava de pega-pega com as crianças vizinhas o primo das tantas troças, recém ingresso no curso de medicina, pedia silêncio e distraia-se com a leitura do jornal do dia. Uma cena corriqueira e familiar. Até que Raquel gritasse o socorro que mudaria, de vez, a meninice dos seus pacatos dias. De súbito, o primo solta o jornal e corre até o jardim. Toma a menina nos braços, senta-a na cadeira da varanda e pede para que ela coloque o pé machucado no seu colo. Um ai, ai, ai gemido com gosto compõe a trilha sonora do drama. Ela estica a perna inteira sobre a vista atenciosa do primo até alcançar a calça branca. Enxuga o suor do rosto, passa as mãos molhadas por sobre o vestido, remove a areia do pé e diz – é bem aqui. È quando o primo afasta a vista, desvia o percurso e vai alteando a visão. &lt;br /&gt;Esse é o tempo que não cabe nas horas nem nas palavras. Um breve disparo. Raquel aguarda com paciência que ele remova os resquícios da dor e da descoberta. Ao levantar da cadeira, toma água e percebe a alta temperatura do corpo. Não havia mais suor, o rosto avermelhado pela correria, o ‘desatropelo’ nos gestos. Era um calor calado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim das férias. O retorno à pacata cidade natal.  A mãe logo no primeiro momento percebe a estranheza no jeito da menina. Olhar distante, uma desproposital falta de ar e nenhum apetite. Rí em silêncio da ingenuidade da avó e da suspeita da espinhela caída. Uma mulher sabe da outra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, faltam dois dias, 3 horas e alguns minutos para que o primo chegue de férias ao Ceará. O destino é outro, ele se desloca. Ela conduz o tempo da espera. As horas zombam do desejo. Isso se sabe na mais tenra idade. Por isso até aprendeu a canção. E já não pergunta o nome de um sentimento em desatino. O corpo acordado cantarola e pressente. Há de chover no sertão.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Qualquer pinguinho de chuva&lt;br /&gt;Fazer uma inundação&lt;br /&gt;Moça se vestir de cobra&lt;br /&gt;E dizer que é distração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vocês cá da capital&lt;br /&gt;Me adesculpe esta expressão&lt;br /&gt;No Ceará não tem disso não”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-5692787298835194677?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/5692787298835194677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=5692787298835194677' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/5692787298835194677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/5692787298835194677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2011/02/o-primo-o-jardim-e-espinhela-caida.html' title='O primo, o jardim e a espinhela caída'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/TVCuaAkUfmI/AAAAAAAAAW0/mnKgHpZJk2g/s72-c/E%25C3%25A7a%2Bde%2BQueiroz.gif' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-4528123074399515341</id><published>2011-01-17T20:50:00.006-03:00</published><updated>2011-01-17T21:09:12.392-03:00</updated><title type='text'>Suave coragem</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/TTTW7LQPyeI/AAAAAAAAAWQ/TDJgViRaZmk/s1600/_joan_miro.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 294px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/TTTW7LQPyeI/AAAAAAAAAWQ/TDJgViRaZmk/s400/_joan_miro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563307751830964706" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; Gravura de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Juan Miro&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Armazeno poesias.&lt;br /&gt;Do inverno ao verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, nem sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante um tempo. &lt;br /&gt;Fico límpida, distraída.&lt;br /&gt;Imagino ter partido o vocábulo que exaspera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cotidiana, conformo.&lt;br /&gt;Faço um bolo confeitado.&lt;br /&gt;Ralho com os filhos e leio Caras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem,&lt;br /&gt;Vi os sinais do tempo cercando os olhos&lt;br /&gt;E estirando-se sem vergonha sob a pele.&lt;br /&gt;(Pelo menos não devo nada)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passado,&lt;br /&gt;É aquele beijo estampado na memória&lt;br /&gt;Lembrar rejuvenesce, sabia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na rua, agorinha mesmo&lt;br /&gt;O sucateiro brada “quem tem coisas para jogar fora, que traga”&lt;br /&gt;Uma nesguinha de esperança é resto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O futuro, não ligo.&lt;br /&gt;E nem ele me olha. &lt;br /&gt;Gosto de limpar gavetas e entregar o que não uso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E daí?&lt;br /&gt;O desassossego não tem pressa.&lt;br /&gt;O poema já sobe a roda-gigante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um presente.&lt;br /&gt;Ganhar na mega-sena e peregrinar...&lt;br /&gt;Nem besta.  Calaria, como a coragem disfarçada de medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já vai, já vai, já vai!&lt;br /&gt;(homem apressado!)&lt;br /&gt;Toma.  Leva o aço, a cerca, o laço, &lt;br /&gt;Da palavra que liberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-4528123074399515341?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/4528123074399515341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=4528123074399515341' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/4528123074399515341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/4528123074399515341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2011/01/suave-coragem.html' title='Suave coragem'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/TTTW7LQPyeI/AAAAAAAAAWQ/TDJgViRaZmk/s72-c/_joan_miro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-6321345290466322959</id><published>2011-01-08T16:09:00.010-03:00</published><updated>2011-01-08T17:52:24.420-03:00</updated><title type='text'>Longe das  horas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/TSjJUXzUCEI/AAAAAAAAAVw/L6nXrRnv3wU/s1600/relogio.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/TSjJUXzUCEI/AAAAAAAAAVw/L6nXrRnv3wU/s400/relogio.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5559915091812681794" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha o relógio e percebe as horas congeladas nos ponteiros. Estranho, cinco-e-quinze. No fogão, a chaleira deixa um vapor constante. O gato espraiado no tapete dorme imóvel. Uma nevasca se interpõe entre seu olhar e o cenário do quarto. Hesitou. E se aquilo fosse a morte, um congelamento cruel do tempo? Consegue mover-se e examina o corpo. Confirma o que pressentia. Um conluio silencioso barra o escorrer da vida. Dói cada ponto de articulação.  Havia permanecido inerte, encaixada em invólucro cerceador de gestos e movimentos. Qual tempo havia parado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raquel acaricia os cabelos, desalinhando os fios. Pensa. Embaraça tudo que fica longe das mãos. Curiosamente, incomoda o ouvido esquerdo. Havia uma coisa qualquer impedindo a escuta. Lembrou de uma vez ter lido que os ouvidos não têm pálpebras. Como os seus conseguiram fechar-se à música?   Uma cantata de contentamento rompe as cancelas. Vivaldi invade sem pressa a paisagem sonora. Onde se encontrava que havia perdido esse &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Allegro&lt;/span&gt;? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toca o rosto e imagina enxergar &lt;span style="font-style:italic;"&gt;o fantasma de Canterville&lt;/span&gt; e os olhos fixos de Wilde. Com apenas uma esfregada essa mancha desaparece? As estórias que lemos vagueiam.  Uma porta grande, quase da altura do céu, entreabre.  Devia existir um espectro de maldade naquelas visões adiadas, abortadas nos dias do fazer, do correr, do deixar o nome cravado em pilhas de documentos. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Tlön, Uqbar, Orbius Tertius,&lt;/span&gt; valei-me Borges, dá-me um mundo sem fronteiras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coça aqui e acolá.  Uma breve dormência no corpo. Havia sangue o suficiente?&lt;span style="font-style:italic;"&gt; L’ Amoroso &lt;/span&gt;vai pisando sutil em cada poro. Vivaldi, o padre vermelho, acende a música no corpo das amantes. Assim, será.  Um aroma de sândalo, o mesmo que havia experimentado na Catedral de Santiago ativa a circulação. A mulher mira os olhos da fera adormecida e ganha velocidade. Para montar sem cela é preciso conhecer o trote do cavalo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fome. As horas não passam. Muita, muita é a fome. Comer a paisagem verde da Linha da Serra. Raquel imagina as papoulas vermelhas e cada pétala tingindo a língua. Faz mal? Deixa pra’ lá.  Reimoso,  essa palavra que não existe, é ter que proferir certezas desacreditadas, feitas para informar e oficiar.   Lamber o mel que flui pela boca, deixar escorrer até o lugar do grito, da gruta.  &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Lute in D Minor&lt;/span&gt;  de Antonio circunda o ato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinco-e-quinze. Raquel olha as mãos. Vê letras adormecidas no dorso. Algumas sequer existiam no alfabeto. Dispersos signos luminescentes. Pescar era tão bom. Cada movimento das águas e as bicadas sutis de peixes de todos os tamanhos acordam a alegria.  Seriam assim com as letras? Colocar o chamariz e ter tempo de aguardar a fisgada do peixe. A ilusão da isca leva à morte. O peixe dá vida ao pescador.  É essa a alquimia do verbo.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não importa as horas. As quatro estações derramam um pó mágico nos cantos da casa. O gato ri. A chaleira exibe o aroma quente do café. E a mulher se levanta. Lá fora, o relógio ainda marca cinco-e-quinze. Nesse amplo lugar de dentro, lá fora pode ser qualquer hora. Não é?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-6321345290466322959?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/6321345290466322959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=6321345290466322959' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/6321345290466322959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/6321345290466322959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2011/01/depois-das-horas.html' title='Longe das  horas'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/TSjJUXzUCEI/AAAAAAAAAVw/L6nXrRnv3wU/s72-c/relogio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-7092985596769326084</id><published>2010-11-21T08:56:00.010-03:00</published><updated>2010-11-21T15:10:25.006-03:00</updated><title type='text'>Prelúdio de partida</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/TOkKoW248MI/AAAAAAAAAVM/CcZ9r9UttKE/s1600/poemas-de-paulo-leminski-pichados-muro-curitiba.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 317px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/TOkKoW248MI/AAAAAAAAAVM/CcZ9r9UttKE/s400/poemas-de-paulo-leminski-pichados-muro-curitiba.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541972504902955202" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;                                                                                            &lt;em&gt;(Paulo Leminski)&lt;/em&gt;                                                             &lt;br /&gt;                                                   &lt;br /&gt;                                                       &lt;br /&gt;                                                         Coração não bate&lt;br /&gt;                                                           na repetição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                          Existe alguém nesse lugar que ainda sinta?&lt;br /&gt;      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                           O que ora ouço&lt;br /&gt;                                                   é dissonoro com o meu canto&lt;br /&gt;                                            &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                               O grito é uma palavra que desespera?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                         &lt;br /&gt;                                                                                                                                os sinos da Igreja defronte badalam      &lt;br /&gt;                                                   éhoradeiréhoradeiréhoradeir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                          Tem quem repare nos famulentos que dormem em volta do lago?&lt;br /&gt;                                              &lt;br /&gt;                                                          A palavra perdeu a beleza&lt;br /&gt;                                                               na cidade que espera&lt;br /&gt;                                                       &lt;br /&gt;                                               Cada coisa, mesmo sagrada, tem preço? &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;                                                       Pouco importa os muros caiados&lt;br /&gt;                                                          se cada um porta a máscara &lt;br /&gt;                                                     &lt;br /&gt;                                   Você que me escuta abre mão de uma ilusão partida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                            Saio vestida de arco-íris&lt;br /&gt;                                      e uma fortaleza de janelas abertas para o mundo&lt;br /&gt;                                                &lt;br /&gt;           Quando os sinos anunciarem novas horas, mesmo distante, indagarei ao tempo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                    O amor sobrevive ao esquecimento?&lt;br /&gt;                                                          &lt;br /&gt;                                                                    Sobrevive?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-7092985596769326084?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/7092985596769326084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=7092985596769326084' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/7092985596769326084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/7092985596769326084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2010/11/preludio-de-partida.html' title='Prelúdio de partida'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/TOkKoW248MI/AAAAAAAAAVM/CcZ9r9UttKE/s72-c/poemas-de-paulo-leminski-pichados-muro-curitiba.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-4132099630864780057</id><published>2010-10-01T22:01:00.006-03:00</published><updated>2010-11-03T22:08:32.132-03:00</updated><title type='text'>Nau dos delirantes - epílogo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/TKaLSGxvQ-I/AAAAAAAAAUk/CR3JqJvAdCk/s1600/gaiola+3.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/TKaLSGxvQ-I/AAAAAAAAAUk/CR3JqJvAdCk/s400/gaiola+3.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5523255136189629410" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O padre fechou os punhos, cerrou os lábios e apertou as pestanas até poder nada mais presenciar. Enxergou pernas brancas e proibidas roçarem a rigidez de suas armaduras.  Subiu-lhe às narinas um cheiro do mato quando a chuva bate e levanta uma espécie de mormaço verde e, sem poder disfarçar, o sangue tomou-lhe as faces.  O reverendo dobrou-se junto à mulher e compôs uma curiosa visão. Os dois agachados assemelhavam-se a penitentes cientes de seus mais graves pecados.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao redor dos dois, como uma febre contagiosa, todos os que tiveram amores partidos, promessas adiadas, desejos guardados foram aproximando-se e posicionando-se diante do rio. As orações transmudadas em canções de amor. Uma polifonia de sentimentos de todos os tempos, de todas as cores, de todas as idades repercutiu na floresta. Eram tantos e fartos que os pássaros aquietaram-se e repetiram seus acordes. Zunindo através dos ventos, os amores daquele lugar tão pequeno, de um esquecido povo ribeirinho, deslizou rio adentro. Orelano atrelado ao leme sentiu o impacto de tantos lamentos. Seria febre, visagem da solidão da proa e do mato? E o som ecoou mais nítido e ressoou bem no meio do peito do timoneiro. O imperativo do regresso permitiu um giro fácil de retorno do barco. Os que dormiam no convés, em redes armadas lado a lado, pouco perceberam a volta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em linha horizontal ao cais, um cordão de gente continuava a entoar canções e arremessar a vista para o curso norte do Amazonas. Sem fome, nem sede apenas adiamentos. A noite acirrava a gelada sensação da espera. Lá no fim da linha, onde o horizonte se perde, um dos cancioneiros avistou o gaiola. Madalena continuou, como desde o início, assentada e lívida, a espera do homem amado. O barco apartou sob o alarido dos cânticos. Todos, ali dentro, dormiam. Apenas Orelano desceu em direção ao cais. Trouxe um pano fino, belo como o mistério. Avistou a amada e dirigiu-se até posicionar-se bem detrás de seus longos cabelos. Vestiu suas costas geladas com um pano de delicadeza. Era seda, ela já havia experimentado antes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem derramou sobre a mulher as lágrimas da mata. E ela sequer atrevia-se a olhar para trás. Havia, agora, a vida pela frente. No mais, todos se ergueram e voltaram aos seus afazeres. A lenda conta, porém, que naquele acanhado vilarejo – noites e noites, muitos ainda acenam chamamentos de amor. A estória de Madalena é apenas um acorde que ultrapassa limites. Escute.  Com ouvidos colados ao vento, qualquer um pode entoar canções. Regra excepcional: aguardar o movimento imprevisível das águas. Precaução: não temer o naufrágio. Convicção: os amantes navegam a alucinação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-4132099630864780057?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/4132099630864780057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=4132099630864780057' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/4132099630864780057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/4132099630864780057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2010/10/nau-dos-delirantes-epilogo.html' title='Nau dos delirantes - epílogo'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/TKaLSGxvQ-I/AAAAAAAAAUk/CR3JqJvAdCk/s72-c/gaiola+3.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-2512390684907320003</id><published>2010-09-21T19:45:00.002-03:00</published><updated>2010-09-21T22:47:43.962-03:00</updated><title type='text'>Nau dos Delirantes -  Parte Um</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/TJk4i-_M6LI/AAAAAAAAAUQ/-CpcjeEpC00/s1600/nau_dos_delirantes+imagem.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 354px; height: 353px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/TJk4i-_M6LI/AAAAAAAAAUQ/-CpcjeEpC00/s400/nau_dos_delirantes+imagem.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5519504991994046642" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era de seda, sentiu assim que tocou a carne. Um musgo esverdeado escorria pelo pescoço e pendia para o lado. Frio que nem a noite solitária. A mulher sequer atrevia-se a olhar para trás. Conserva-se ajoelhada na margem esquerda do rio e retinha por entre as mãos a âncora do barco partido. Madalena é uma alcunha que condena, já dizia a avó do mato. Havia mais de dois dias de desalento e nenhum sinal dos céus ou assobio alvissareiro dos ventos. A hora da partida do timoneiro, daquele que deixou sua vida à deriva, não cabia nas horas de espera. A mulher jurou para os santos que só sairia dali amarrada ao seu homem. Nem promessa era aquela ausência de razão. &lt;br /&gt;Logo nas primeiras horas, gente de todos os lados, passava, entreolhava-se e zombava da mulher chorosa agarrada ao cais. Alguns acreditavam que era questão de minutos e a saudade se recolheria em busca de terra firme. Madalena nunca foi uma mulher de trocar sentimentos, muito menos de fazer fita. Assentou-se à beira do Amazonas e viu o navio gaiola seguir altaneiro na direção de Santa Maria de Ojeal. Era setembro dos ventos e das ondas orbitais. Antes de subir no barco, Orelano pousou os olhos nos seios fartos da mulher, nos olhos amarelados de cobra peçonhenta, na sua pele luminosa da cor de manga rosa e tremeu de cima abaixo. Antevia a dificuldade de seguir, tendo que abandonar a fêmea que o fez acordar. Mesmo um homem que parte pode ficar atado ao desejo. &lt;br /&gt;Após o primeiro dia, uma multidão de curiosos foi cercando a mulher ancorada, por assim dizer.  Quem a indagava se queria comer, beber um gole de água respondia – minha fome e minha sede têm nome. Mandaram chamar o padre até a beira do rio, mesmo não sendo o dia das confissões. Enquanto isso, um grupo de mulheres decidiu ‘puxar’ um pai-nosso, seguido de três ave-marias, rogando a Deus conformação. Tanto alvoroço e, renitente, a mulher apenas aguardava o milagre do retorno. Finalzinho da tarde do terceiro dia chegou o padre. A sede, a fome e o sol úmido dos trópicos já quase faziam a mulher delirar. Ele aproximou-se de Madalena, também em posição de circunflexão, e indagou o motivo de tanto pesar.  A mulher sustentou seus grandes olhos fixos em direção a vista turva do padre e apenas interpelou – você já amou monsenhor?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-2512390684907320003?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/2512390684907320003/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=2512390684907320003' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2512390684907320003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2512390684907320003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2010/09/nau-dos-delirantes-parte-um.html' title='Nau dos Delirantes -  Parte Um'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/TJk4i-_M6LI/AAAAAAAAAUQ/-CpcjeEpC00/s72-c/nau_dos_delirantes+imagem.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-3933671838608533744</id><published>2010-07-31T23:47:00.003-03:00</published><updated>2010-08-01T00:28:21.718-03:00</updated><title type='text'>O gosto bom do pecado</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/TFTo-eOlH7I/AAAAAAAAATo/z0v_ySXUcsU/s1600/klimt+2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 399px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/TFTo-eOlH7I/AAAAAAAAATo/z0v_ySXUcsU/s400/klimt+2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5500277204889968562" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gustav Klimt&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravessou a sala com uma dormência nas pernas. Um grito calado, aprazado, pode ficar guardado onde não deve. o homem transportava esse travo na garganta. Santo é que não era. Tinha dentro das calças um anseio que tinia, envergonhado e intenso. O padre bem falou na sacristia que o proibido tem um jeito matreiro de se espichar no corpo dos pecadores. O guardador de rebanhos ficava tão só, tão deserto que a imaginação era ovelha desgarrada. Pulava cancelas, desfazia os perímetros da propriedade. Não se oculta, nem  cerceia o que já irrompe em liberdade. Por tal razão, a primeira visão acopla alucinação e fascínio, vontade e irrealidade. Um homem adiado se perde no vazio. Naquele dia, um abandono fazia do corpo do pastor um bicho em compasso de fuga. Ele, lentamente, desgarrava-se do rebanho. Deitado na sombra do ipê amarelo, o pastor fechou os olhos e tentou enganar a friagem. Afora as ovelhas, nada parecia mover-se naquele lugar deserto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando uma aragem,  um farfalhar de arbustos despertou o homem da letargia. Ele esfregou os olhos e prostrou-se de joelhos diante do que via. Uma mulher, uma quase deusa,  atravessava o pasto em um cavalo cinza-prateado, com os cabelos roçando a sela e o corpo todo assentado sobre o dorso do animal.  Uma aparição fantasmal para o final de uma tarde cinzenta de inverno. Com um rápido impulso, ele correu em direção ao cavalo e conseguiu segurar as rédeas. A mulher apenas ergueu os olhos e se demorou sobre o homem. Suas mãos alvas, sem proteção, tremiam de frio. Não havia palavras, apenas espera. O pastor recolheu a mulher do cavalo e fitou-a, demoradamente, entre os braços. Ela pedia,  pedia uma coisa qualquer que ele antevia. Afinal de contas, um homem que aguarda sabe o que busca uma mulher em disparada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitou-a na relva e a cobriu contra o frio.  Com a boca soprou um hálito quente por sobre o rosto da desconhecida. A mão da mulher percorreu as costas e desceu até encontrar o cajado. Era tarde.  Dissolvidos no calor da paisagem nua. Não há língua capaz de traduzir o improvável. O cavalo permanecia amarrado, as cabras mordiscavam o pasto, folhas do ipê amarelavam a sombra e um grito em dueto arrebentava o tédio. Até que o tempo o despertasse. Ele atravessasse a sala da dona,  rumo ao escritório do patrão. E por lá avistasse a mulher deitada na poltrona, estendida por sob os fios dourados dos cabelos e um olhar de fome selvagem. As pernas do homem pediam passagem e se rebentava o dilúvio do pecado adiado. Os dois entreolharam-se,  homem e mulher, e entenderam o gosto molhado do interdito. Não havia cercas no pasto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-3933671838608533744?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/3933671838608533744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=3933671838608533744' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/3933671838608533744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/3933671838608533744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2010/07/o-gosto-bom-do-pecado.html' title='O gosto bom do pecado'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/TFTo-eOlH7I/AAAAAAAAATo/z0v_ySXUcsU/s72-c/klimt+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-21000712436040836</id><published>2010-06-20T21:59:00.004-03:00</published><updated>2010-06-21T08:38:44.561-03:00</updated><title type='text'>A Sombra</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/TB68ucTdEHI/AAAAAAAAAS4/Nmt4HslLuUM/s1600/P1030490.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/TB68ucTdEHI/AAAAAAAAAS4/Nmt4HslLuUM/s400/P1030490.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5485028902241636466" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;“Um nascível irrompe nessa molhadura de fonemas”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Hilda Hilst – Obscena Senhora D&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inventar um tempo fora da métrica. Sentado na beira da calçada, desmedido de números. Nas mãos, um punhado de vontade guardada. Assovia uma música e se perde nas letras. Três bilhetes de cinema no bolso esquerdo. Chegou atrasado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pétalas de rosa murcham no livro de página dobrada. O cheiro engavetado de esquecimento. No compartimento secreto, por isso aqui não revelado, o retrato do amor que teve um fim. Melhor não voltar atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem calvo e de olhos fundos oferece o carnê do Baú. Ainda existe? A mulher de trança e rosa cor de urucum, bem rente a orelha, compra dois. Ah – se eu ainda tivesse essa esperança – devaneia o tempo. Os cabelos nem tão negros da moça tingem lembranças. Desamarela o desejo atingido pela distância. O calendário é testemunha. Essa sangrenta sucessão dos fatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na banca ao lado, uma manchete em caixa alta exibe a lâmina inflexível e crua daquilo que chamam vida – Adeus, Saramago. Luminosa a morte das palavras que não calam. Ninguém repara que o relógio da praça inverte os ponteiros e exalta os segundos. Ninguém. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo, masculinamente, leve as mãos à braguilha e coça, e coça. Gritos, apitos, e batuques se agitam. É gol? Goooooooooooooool.  O rebuliço das horas que pulam do relógio. Esquecer é um encantamento raro. Algumas vezes, nem o tempo colabora. Essa iluminura obsessiva cujo nome é saudade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um torcedor agitado pisa atordoado por sobre os pés do tempo. De pronto, ele devolve o desaforo – vá de retro satanás. Xingar é bom demais. É tarde, melhor retornar às horas. A lucidez perdeu os olhos vastos de Saramago e o mundo corre atrás da bola. Não há silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indiferentes seguem os passantes. O tempo retorna aos ponteiros. Ninguém crê. Cômoda a cegueira dos que metrificam os atos e os dias. Ele cospe no asfalto e ri. Diáfano o feito de ofuscar a vida que escorre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdoa se perdi a conta. Nem eu vi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-21000712436040836?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/21000712436040836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=21000712436040836' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/21000712436040836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/21000712436040836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2010/06/sombra.html' title='A Sombra'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/TB68ucTdEHI/AAAAAAAAAS4/Nmt4HslLuUM/s72-c/P1030490.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-1742079027784598543</id><published>2010-06-05T18:17:00.004-03:00</published><updated>2010-06-05T19:34:23.458-03:00</updated><title type='text'>Disfarce</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/TArQkfFJPpI/AAAAAAAAASw/iUA74RZne6U/s1600/LeonilsonBrazil2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/TArQkfFJPpI/AAAAAAAAASw/iUA74RZne6U/s400/LeonilsonBrazil2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5479421221886574226" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Leonilson&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permanecia calada. Feito porta. Feito pedra. Não que tenha dispensado as palavras. A moça era dona de um repertório cotidiano. Lamentava a pressa dos que carregam seus corpos para o trabalho, o calor que escorre morno por entre as costas, o preço da passagem que sobe e o dinheiro que diminui. Ralhava o governo e o açougueiro com o mesmo grau de indignação e o mesmo tom desaforado de voz. Afinal de contas, dizia ela, eram iguais, sobreviviam à custa de carne e sangue. Para quem cala, a língua torna-se arma e afia os ritos da indignação. No bairro, tinha o codinome “língua solta”. Ana conquistara assim o mais perfeito disfarce. Falava aos borbotões e preservava intacta a palavra que senta e sente. Sem som, sem sentido. Levava os dias nesse vai-e-vem.  Reclamar é um ato que apenas ganha propriedade quando o corpo todo se movimenta. Fazia isso como ninguém. Gesticulava para todos os lados, sentava, levantava e cuspia nas palavras. Poucos desconfiavam do motivo de suas ausências. Vez ou outra se vestia como uma dama colocava um caderno na bolsa, uma caneta de escrita fina, seus óculos de grau 2.5 e saía para um destino incerto. Atravessava vias e cruzava esquinas com a curiosidade de um escafandrista.  Mergulhava no movimento à cata de perplexidades, rastos de solidão, dores, medos e desafetos invisíveis. Era uma colecionadora de palavras afogadas nas ruas.  Após o tempo de passagem, Ana retornava a casa, como quem volta das compras. Antes de entrar, ao avistar a vizinha, amaldiçoa o trânsito e o lixo; depois diz mal do comércio e de seus preços. Entra no quarto só dela, leva as mãos até o rosto cansado e deixa a lágrima adiada descer. Chora por crianças sem rumo e sem mão, por mães sem lugar, por amores sem o outro, por fábricas que já não aceitam gente, por entorpecimentos vãos, por tantos muros e medos. Chora. Toma os óculos nas mãos, a caneta entre os dedos e retoma a escrita. O livro segue o caminho do fim. “Alma vazia. Grita a dor do mundo. Mesmo sabendo que todos os ouvidos serão surdos a ela”. E desenha, finalmente, o nome próprio - Suely. Calada, feito pedra.&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-1742079027784598543?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/1742079027784598543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=1742079027784598543' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/1742079027784598543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/1742079027784598543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2010/06/disfarce.html' title='Disfarce'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/TArQkfFJPpI/AAAAAAAAASw/iUA74RZne6U/s72-c/LeonilsonBrazil2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-920178070609229940</id><published>2010-04-02T11:54:00.004-03:00</published><updated>2010-04-02T12:01:03.205-03:00</updated><title type='text'>O Cavalo da Noite</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/S7YGJIa88pI/AAAAAAAAAQs/f-JhXxq3T4M/s1600/pierre20auguste20renoir_-_09.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5455554752555053714" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 316px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/S7YGJIa88pI/AAAAAAAAAQs/f-JhXxq3T4M/s400/pierre20auguste20renoir_-_09.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;Renoir&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A imaginação é a memória que enlouqueceu.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mário Quintana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela deitou-se cedo. Na dita hora em que o buraco se abria diante dela. Deviam ter avisado, desde as primeiras estórias, que gente grande se perde nos vazios. A escuta de vozes e o barulho dos gestos acordados preenchiam o escuro. Nem chá de cidreira, nem a bendição da reza, muito menos ameaça de castigo faziam a menina adormecer. A mãe trouxe até uma moça do sertão para acompanhar as noites insones de Carolina. E quase rogou à criatura que desse um jeito da filha deixar a casa dormir. Maria maluca, como era chamada por todos, foi a responsável por parte da estranheza que a não mais menina experimenta ao cair de cada dia. Imagina ter que esperar todas as noites por um homem montado à cavalo, trazendo o número do jogo do bicho escrito na testa. Maria dizia que gente inocente é que servia para receber recados de Deus ou do Diabo. Por anos seguidos, Carolina aguardou recolhida a visita do desconhecido. Nessa noite, vestiu a camisola de seda que ganhou da madrinha, tomou entre as mãos o livro de Mia Couto e embromou a hora do medo. Afinal de contas já fazia mais de vinte anos que o cavaleiro da noite ameaçava aparição. Uma mulher que acorda quase nunca se esquiva do mistério. O sinal das linhas era traçado “Na berma de nenhuma estrada” – quem amamos nasce antes de haver o tempo. Soltou de súbito o livro e sentiu os olhos marejar. Trouxe à tona a interminável espera do homem que nunca viera. E foi recordando cada traço do visitante distante: a camisa aberta até a cintura, a mão firme no cabresto, a ligeireza no trote do cavalo e o olhar de bicho fosforecendo o escuro. Ao alcançar as mãos do vaqueiro, parou de súbito e percebeu que ele carregava no dedo médio um anel de madrepérola. Entre pequenos fios de lágrimas Carolina desenhou um riso de formosura. E se o anel fosse a prenda que o cavaleiro guardara por todo o tempo da interminável viagem. O medo fecha cancelas. Deitada é que não ficaria mais. Foi até o espelho e viu que sequer penteara os cabelos, havia também a palidez das virgens e as luzes apagadas em todos os vãos do corpo. Carolina atirou as vestes e abriu as janelas. Os códigos alteraram a senha. O homem podia vir com o bicho escrito na testa, podia vir. Ela aceitaria os desígnios de Maria. Nua como convém a uma mulher que visita aquele que espera. E finalmente pode fechar os olhos. Sentiu os galopes do cavaleiro rasgando o caminho nas veredas . E se deixou percorrer. Maria Maluca havia deixado plantada a chave do enigma – para dormir é preciso estar acordada. Quando o dia amanheceu, fez sua fé no jogo do bicho. Viu dois “um” estampado na testa do cavaleiro e indagou – que bicho é esse – o homem respondeu – é cavalo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-920178070609229940?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/920178070609229940/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=920178070609229940' title='29 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/920178070609229940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/920178070609229940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2010/04/o-cavalo-da-noite.html' title='O Cavalo da Noite'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/S7YGJIa88pI/AAAAAAAAAQs/f-JhXxq3T4M/s72-c/pierre20auguste20renoir_-_09.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>29</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-813939862302151717</id><published>2010-02-09T19:05:00.003-03:00</published><updated>2010-02-10T07:46:07.058-03:00</updated><title type='text'>A escrivinhadora</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/S3Hcd-Ov92I/AAAAAAAAAQk/rtEFuJkuKUU/s1600-h/escrever.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5436368632692078434" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 286px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/S3Hcd-Ov92I/AAAAAAAAAQk/rtEFuJkuKUU/s400/escrever.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Palavras descarriladas não movimentam lembranças&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma estória pode encontrar um fim trágico, ou cair no esquecimento. Melhor que tivesse sido assim. Palavras guardadas são como se não houvessem nascido. Joana fechou portas, janelas e abaixou o volume da música. Fincou cada minuto da atenção no ato de cuidar do lugar. Nas horas vagas, recebia alunos para aulas de reforço. E no final do dia, quando o silêncio trocava de turno com o sol, regava pequenos jarros de alecrim e manjericão. Ela tinha sua própria estória. Era preciso atenção com cada coisa que forma o sucessivo do tempo, tarefas de uma mulher casada. O intemporal é irmão do vento. E o vento embaralha os planos de cada dia. É preciso apenas uma vez. Como na narrativa que se segue. O mais curioso é que é preciso apenas uma brecha, para que o vento assopre. Joana sabia disso mais do que ninguém. E a casa tinha o tom de todos os dias. Cada almoço era acompanhado de um suco com frutas da estação. Um dia, um sopro de extraordinário invadiu o lugar. De uma forma também extraordinária. Joana tomou uma manga entre mãos e viu a intensiva beleza do amarelo escorrendo por entre os dedos. Com a língua, removeu o sumo da fruta que escorria livre. Foi num relance, num minuto de nada que o cheiro da manga trouxe até a casa uma estória que precisava ficar esquecida. Para disfarçar, a mulher se pôs a cantar. Desde pequena tinha esse hábito. Qualquer dor, desavença, medo ela acreditava poder espantar entoando canções em voz alta. E assim fez. Começou em voz baixa, envergonhada pela tom desafinado, pelo desuso da música. A primeira foi um cântico da Igreja. Em seguida, passou para uma marchinha de carnaval, até que cantarolou um pedaço de “Jura Secreta”. E os gestos trouxeram lembranças. As mãos da mulher deslizaram nos cabelos ondulados, abriram passagem no decote e um riso maroto rasgou a ponta dos lábios. “Só uma coisa me entristece, o beijo de amor que não roubei”. Foi esse o trecho que levou Joana para longe dali. Uma breve suspensão do tempo. A hora do almoço se aproximava do relógio! E Joana de imediato pensou – sentimentos sabem como ocupar terras não plantadas. Bonito isso! Podia muito bem tirar o caderno da gaveta e apenas rabiscar o dito. Nem demandava escrever a estória toda. Não. Um cheiro de queimado tomou conta das letras. O fundo da panela revelava a distração: a galinha seca grudada disforme. Ela antevia que bastava uma frase, uma escritura inventada, para a imaginação ultrapassar as paredes da casa. “Só uma palavra me devora, aquela que meu coração não diz”. A música não para e os ouvidos não têm cancelas. Joana olhou pára suas mãos e pediu compreensão. Estórias são memórias de fios infinitos. Escrever poderia fazer retornar a mulher que não cabe em um lugar. A aproximação da hora do almoço emitia um som tonal, como ruído repetitivo – tempotempotempo. Infinitamente. Era preciso fazer algo para não morrer. Joana então abriu a gaveta e encontrou o caderno de tantas estórias desenhadas com palavras e lágrimas. Tomou a caneta entre os dedos, com o coração aos pulos. “Nada do que quero me suprime”. Era seu segredo. Colocou o caderno sobre a mesa. Desenhou algumas palavras com a letra mais legível que pôde traçar em toda a vida. Como uma nota de fim de página rabiscou: a palavra é o bote que me salva. Quando a porta abriu, ela simplesmente disse: o almoço queimou. Você tem fome?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(&lt;em&gt;Jura Secreta - composição de Sueli Costa / Abel Silva)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-813939862302151717?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/813939862302151717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=813939862302151717' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/813939862302151717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/813939862302151717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2010/02/escrivinhadora.html' title='A escrivinhadora'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/S3Hcd-Ov92I/AAAAAAAAAQk/rtEFuJkuKUU/s72-c/escrever.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-2920905204058042038</id><published>2009-12-19T19:55:00.001-03:00</published><updated>2009-12-19T20:00:46.607-03:00</updated><title type='text'>Marluce, o delta e o arco-íris</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Sy1bFP5X6UI/AAAAAAAAAQc/0WGRXCoRfZI/s1600-h/Delta-do-parnaiba.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417086072521222466" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Sy1bFP5X6UI/AAAAAAAAAQc/0WGRXCoRfZI/s400/Delta-do-parnaiba.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um olhar pode alterar o rumo das coisas. Uma interdição mais ainda. Ela entrou no navio gaiola e procurou um local fora do alcance do sol. De pronto armou a rede. Havia tempo em que a vista não alcançava a brancura azulada do delta. A rede era larga, com listras de todas as cores e nas varandas estava escrito: Marluce. Um presente tem outra textura, outro cheiro, outro sentido quando o ato de urdir os fios se prolonga por entres os dedos. Por ter levado um tempo que não se conta o presente de sua avó já trouxe o nome de batismo: arco-íris. Dona Branca entregou a rede à neta e foi revelando a intenção do mimo: para que sua alegria nunca se acanhe. Marluce guardou o presente, intacto, por vinte anos. As pequenas escolhas revelam verdades que ocultamos das salas de visita. Ao se deitar, os dois nomes bordados nas varandas se destacaram em fios esverdeados. Um nome duplamente marcado ganha existência. Curiosa troça do destino. A decisão de ida a Tutóia seguia a vontade de interromper uma infindável repetição; a de ser uma única mulher em toda a vida. Sim. Muitas de suas conhecidas haviam criado faculdades de se desdobrar, de se safar de um nome voltado para fazer bem. Ser sonsa pode salvar uma mulher. A vizinha da esquerda, dia sim dia não garantia seu capítulo particular de novela. Bastava o marido montar a bicicleta de noitinha, paramentado de vigia, que Lindalva acendia. A olhos vistos. Logo depois do presente de avó, Marluce teve o seu primeiro filho, seguido de uma leva. Como se diz no interior – um filho atrás do outro. O tempo não permitia um momento qualquer de suspensão, de omissão. Passou feito raio. Dois dias antes da data do aniversário de quarenta anos a mulher olhou demoradamente o Parnaíba. Evocou as curvas, as margens entocadas de mistério e o encontro com o mar. E navegou. De imediato, foi tomada pelas palavras da avó e se deu conta de que “arco-íris” estava fora da vista, naufragou no fundo do baú. Abriu o lugar de lembranças foi encontrando fragmentos de cores: um bilhete soletrando desejo, um faixa do concurso de miss simpatia e a rede aguardando horizontes. Deslocou-se. E reparou no chocalhado do barco. Era dezembro. A rede próxima da proa descortinava um infinito, largo, vasto e sem moldura para a coisa vista. Sentou-se na beirinha, balançando as pernas e ouviu da moça da rede vizinha: teu nome é Marluce? Ela respondeu: não viu, é arco-íris! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-2920905204058042038?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/2920905204058042038/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=2920905204058042038' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2920905204058042038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2920905204058042038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/12/marluce-o-delta-e-o-arco-iris.html' title='Marluce, o delta e o arco-íris'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Sy1bFP5X6UI/AAAAAAAAAQc/0WGRXCoRfZI/s72-c/Delta-do-parnaiba.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-1218447213457650256</id><published>2009-11-02T19:33:00.006-03:00</published><updated>2009-11-03T08:51:10.351-03:00</updated><title type='text'>Dirceu de Marília</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Su9etahIMFI/AAAAAAAAAQQ/QxWVDPWomh0/s1600-h/marilia_de_dirceu.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399638612545908818" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 261px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Su9etahIMFI/AAAAAAAAAQQ/QxWVDPWomh0/s400/marilia_de_dirceu.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dez minutos foram suficientes. Esse absurdo cálculo dos instantes que não constam nas horas. Ela olhou o relógio assim que entrou na estação. O próximo trem logo apitaria e anunciaria redenção. Sair de um lugar leva tempo. Marília antevia o alvoroço dos dias. Ela não arredaria. Nem a alcunha de louca da torre, nem as janelas fechadas com sua passagem a conduziriam para longe da paisagem. O amor é o risível do medo. Quando Antônio se foi, carregou consigo a poesia que cada dia batia à porta da mulher amada. A hora era aguardada. Marília se enfeitava, banhava-se com água de colônia, escovava os longos cabelos e acendia o olhar. Muitos seriam capazes de jurar que havia uma alquimia nos versos que recebia. Ela entreabria o papel, suavemente, passava a língua na resina do envelope dobrado e mastigava letras amorosas em pratos fartos de lira. Mulher quando se sente amada risca sorriso sem motivo nos lábios. Quem acompanhava o farfalhar de suas longas saias subindo ladeiras, podia pressentir o amor que lhe subia às faces. Ela era farta. Ninguém ousaria apontar a loucura que já se instalava, sorrateira, nesse diálogo inexistente. Apenas Antônio fala. Como uma mulher suporta a ausência de um amor que se cala? Loucura deve ser um deserto de palavras de rumo certo restando apenas fragmentos de poesia. Marília soltou os cabelos, deixou o olhar vagar para além da Vila e se vestiu com túnicas soltas ao vento. Seu homem partiu em um barco à vela mesmo sendo eternamente dela. O tempo é tão mensurável quanto o curso de um rio. No alto da estação, letreiros marrons, em alto-relevo indicavam o destino do viajante – Mariana. Ele pularia do trem, tomaria as mãos da mulher já tão cansadas de apertar dedo por dedo e as conduziria até seus lábios quentes. Dez minutos podem unir continentes, mesmo que um trilho imaginário atravesse oceanos. Ela desfez a trança que entremeava os cabelos dourados, deitou-se no banco de madeira ao lado do trilho e fechou os olhos. A Maria-Fumaça estava exaltada naquele dia, fazendo mais alarido que o baticum do coração de Marília. O trem parou e ela continuou deitada por sobre o banco, derramando todo o tempo de espera e de fome. Desespero é palavra que se usa quando nenhum sentimento resolve. Passaram-se um, dois, três, dez minutos e ele não a conduziu de volta à sua encantada lira. Antônio cruzou a África e nunca mais voltou. Dizem que casou com a filha de um mercador de escravos. Pouco importa. Ela continua viva e sem nenhum sinal de onde espera, de onde mora. Os poemas de Antônio vagam por todas as bocas. Marília permanece nos refrões que compõem cada lira de Dirceu. Ela, nunca mais soube dela. Seria isso que chamam de loucura, essa morte em versos?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Para Marília de Tomás Antônio Gonzaga e para todas as mulheres que tiveram seus versos partidos&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-1218447213457650256?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/1218447213457650256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=1218447213457650256' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/1218447213457650256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/1218447213457650256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/11/dirceu-de-marilia.html' title='Dirceu de Marília'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Su9etahIMFI/AAAAAAAAAQQ/QxWVDPWomh0/s72-c/marilia_de_dirceu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-8271339688686700919</id><published>2009-10-11T12:50:00.001-03:00</published><updated>2009-10-11T12:53:34.169-03:00</updated><title type='text'>A ficção que me confessa</title><content type='html'>&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/StH_M63p_WI/AAAAAAAAAQI/DC8Amxq8NpY/s1600-h/kandinsky_improvisation_lx.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391370826365402466" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 398px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/StH_M63p_WI/AAAAAAAAAQI/DC8Amxq8NpY/s400/kandinsky_improvisation_lx.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;                                                                            &lt;em&gt;kandinsky&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nem era tarde quando você veio. A alegria ainda me vestia de vermelho. Aqui dentro, o fervilhar da vida abrilhantava gestos em descompasso. Gente grande, que fica reservada se espalha pouco por onde passa. Eu não, sempre tive essa existência derramada. Lembra? Eu não sou Rita, me chamo Glória. Isso significa dizer nada para você que me escuta. Eu sei do peso e da vastidão do meu nome. Se fosse possível um censo acerca dos tantos copos, pratos, jarrinhos, imagens de santos e outras coisas despedaçadas por um gesto meu, creio que poderia, por esse motivo, ir direto para o inferno. Desde pequena achei que lá encontraria um monte de gente desastrada. Não sei até hoje, onde eu começo e acabo. Existe fronteira? Você chegou e eu quase consegui quebrar. O quase faz toda a diferença. Um homem de chão e de mãos firmes sabe por onde pisa. Assim, sequer te aguardei. Uma mulher de asas espreita alguém de sua espécie. E voa, mesmo que o vento não permita. Muitos dos relatos de histórias de amor se iniciam nas narrativas das impossibilidades, nas demoras do vir. Eu posso alinhavar esse encontro por distrações, pontos cegos, rotas paralelas em coalizão. Você já havia estado ao meu lado, assim como os transeuntes invisíveis no turbilhão do tráfego. Eu tenho as pálpebras fechados para aquilo que não quero ver. Tua cor é chocolate quente no inverno. Um corpo é povoado por olhos e língua, por tal razão é muito mais sabido. Vagueia e tateia o breu. Você me toma as mãos e ensaiamos, em dueto, “it’s a long way”. Uma música é guia de cego. Dois para o mesmo lugar e um frio na barriga. Apenas eu e você fizemos par naquela sala. Foi essa a primeira vez em que te vi. Era morno e com cheiro de mato no estio. De quem planta e colhe. Tua mão desfiou um fino húmus e eu me deixei lavrar. Cada palmo de tecido liso é repuxado por entre teus dentes famintos. Deixar-se morder é a condição lenta de dissolvência. Eu te pinto por onde percorro e você exibe tatuagens de desejo. As marcas dizem de nós. Tu me casas contigo eu te caso comigo. Simples assim. O resto é silêncio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-8271339688686700919?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/8271339688686700919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=8271339688686700919' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/8271339688686700919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/8271339688686700919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/10/ficcao-que-me-confessa.html' title='A ficção que me confessa'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/StH_M63p_WI/AAAAAAAAAQI/DC8Amxq8NpY/s72-c/kandinsky_improvisation_lx.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-7603636416561973807</id><published>2009-09-30T00:26:00.005-03:00</published><updated>2009-09-30T08:16:45.269-03:00</updated><title type='text'>Vias da Intimidade</title><content type='html'>&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SsLQfSHWa0I/AAAAAAAAAQA/L4pTSPODlas/s1600-h/Robert_Doisneau_Le_Baiser_de_lHotel.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5387097340145724226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 312px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SsLQfSHWa0I/AAAAAAAAAQA/L4pTSPODlas/s400/Robert_Doisneau_Le_Baiser_de_lHotel.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;Robert Doisneau &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele dobrou a esquina e, de imediato, a vista turvou. Nada parecia familiar. A cidade que percorria há poucos minutos havia embaralhado imagens, fachadas e o desenho das vias. Pensou que a loucura deve se iniciar, na confusão dos signos; daquilo que se vê diante do que foge à imaginação. Ele andou mais uns cem metros e aprumou o olhar: não havia edifícios, não havia placas indicativas, semáforos. Tudo transcorria em câmara lenta. Homens e mulheres caminhavam como que num acordo íntimo entre o pisar e o ir. Vez por outra, alguém interrompia o trajeto e trocava palavras e acenos. Andar era um ato sinestésico, tátil, generoso. Prescindia sempre de um outro, flutuações de encontros por vir. A paisagem era placa luminosa derramando aquarela. O homem tentou apalpar o lugar em que se movia. Olhou as mãos, ainda tão nitidamente suas. É que um fio invisível interligava velhos, bebês, crianças, gente grande de todas as cores. Viu, esfregando os olhos de incredulidade. Uma mão, embora distante da outra, continha impressões, odores e aperto de dedos. Era como se um corpo iluminasse caminhos desencontrados. Cada um compunha múltiplos arranjos. Podia a cidade ter alcançado a condição de música? De uma polifonia dissonante e sublime? Poderia ter ele atravessado dobras através da vibração de tons desafinados? O homem foi examinando braços, mãos, pelos do corpo, dedo por dedo, fios de cabelo e, a cada toque, inundava-se de uma canção de descoberta. Um impulso nascente, de rasgo de sol no alvorecer, de luz invadindo retinas incidiu sobre cada parte de seu corpo, até então, imerso na escuridão. Ele costumava dizer “eu só sei do perigo quando levo um tiro no peito”. Diante de uma cidade que acaricia, sussurra segredos no ouvido, desliza suavemente a língua, o homem perde a guarda. Acende-se a dor da primeira queda de bicicleta, do costumeiro riso de sua gulodice escancarada, do escárnio diante de seus óculos “fundo de garrafa”, amarrados num barbante gasto e frágil. Ele enxerga. É subitamente tomado por um lampejo de amor-ternura diante de vidas apagadas, adiadas, retesadas num grito eternamente contido. Ele cruza a fronteira dos sentimentos. Entrelaçada à sua mão, dedo bordando dedo, transfigura a imagem dela. Em alto relevo, compondo figura e fundo. Uma elegia do amor. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-7603636416561973807?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/7603636416561973807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=7603636416561973807' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/7603636416561973807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/7603636416561973807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/09/vias-da-intimidade.html' title='Vias da Intimidade'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SsLQfSHWa0I/AAAAAAAAAQA/L4pTSPODlas/s72-c/Robert_Doisneau_Le_Baiser_de_lHotel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-7257236791832439022</id><published>2009-09-20T20:20:00.006-03:00</published><updated>2009-09-20T20:28:22.959-03:00</updated><title type='text'>Amor é imaginação</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Sra6Vn9n_hI/AAAAAAAAAP4/Dm0JgLkWzA8/s1600-h/cec%C3%ADlia+e+gentileza.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5383695285235482130" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 283px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Sra6Vn9n_hI/AAAAAAAAAP4/Dm0JgLkWzA8/s400/cec%C3%ADlia+e+gentileza.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;“&lt;em&gt;Se não chegas nem pelo sonho, por que insisto em te imaginar?”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Cecília Meireles&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Era bem cedo, quando ele cruzou a porta. Não anunciou o nome e muito menos o motivo da repentina visita. Já foi entrando e recorrendo a quem lá estivesse: é aqui que vive a poeta? Ozanira, Joana de nascimento, tinha o dever sacramentado de interceptar a entrada de estranhos. Dona Cecília não podia escrever nenhuma linha, dizia a moça – com aquele fervilhão de gente atrás de falar com ela. Para chegar à escritora, primeiro tinha que tirar prosa com Ozanira. Ela era a dona do tempo. Escrever é um modo de se abster das horas. Naquele dia, Cecília despertou com uma réstia de sol perfurando a brecha da cortina e fazendo luz nos olhos dela. Imaginou atraso e se lançou fora da cama, em sobressalto. Essa mania eterna de correr atrás de "nãoseiquê" mesmo que o dia escorra em abundância. Imediatamente, o relógio ostenta a hora certa: sete da manhã. Quase brincadeira de mau gosto. Esperou por toda a semana esse instante de não ter obrigação. E acorda, exatamente pontual. Imaginou de pronto que sol é do gênero masculino, diferente da lua. Que ele rasga o dia alumiando tudo, furando a noite, não deixando um recanto permanecer apagado. E sem que qualquer coisa a demovesse da idéia, se pôs e esbravejar o astro e seus inconvenientes raios. Arrogante! Essa foi a sua mais leve palavra. Esse cerzir da vida leva um pedaço para, logo em seguida, estampar compensações. O aroma do café trouxe lembranças de menina. A fazenda Cachoeirinha, o mugido das vacas no curral e o chocalho das cabras no terreiro. Toalha de linho e bem ao lado da xícara de Cecília, a tapioca branquinha recheada com queijo coalho. Um estômago tem fome de generosidades postas à mesa. Ela toma o primeiro gole de café e sorri. Havia sido severa com o sol. Afinal de contas, fazer despertar pode ser uma forma de amar. Esparramou-se no sofá e deixou o tempo passar, descansado. Quando ele chega, o desconhecido, a mulher já ganhou ternuras. Aqui mora a poeta? Cecília se agita e, curiosa, responde: aqui mora poesia. E você, quem é? Ele murmura, por saber que cruzou a casa como um raio, e a faz recordar - meu nome é Mário. E evoca o motivo de um amor nunca dito. Eu sei da tua timidez. Não temas: “o luar é a luz do sol que está dormindo”.&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2712306219732298635#_edn1" name="_ednref1"&gt;[i]&lt;/a&gt; Cecília se remexe no sofá, balbucia o nome do poeta e concede a esse amor o sono infinito. Ozinira, do lugar dela pensa alto – essa Dona Cecília escreve coisas no pensamento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2712306219732298635#_ednref1" name="_edn1"&gt;[i]&lt;/a&gt; “Verso avulso” de Mário Quintana&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-7257236791832439022?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/7257236791832439022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=7257236791832439022' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/7257236791832439022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/7257236791832439022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/09/amor-e-imaginacao.html' title='Amor é imaginação'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Sra6Vn9n_hI/AAAAAAAAAP4/Dm0JgLkWzA8/s72-c/cec%C3%ADlia+e+gentileza.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-1244256173147308424</id><published>2009-09-12T21:06:00.004-03:00</published><updated>2009-09-12T22:49:12.550-03:00</updated><title type='text'>Rita e Sofia - metamorfoses de setembro</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SqxOYIBk1OI/AAAAAAAAAPw/H-T_y9I6LQg/s1600-h/frida-kahlo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5380761831178818786" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 328px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SqxOYIBk1OI/AAAAAAAAAPw/H-T_y9I6LQg/s400/frida-kahlo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;                                  &lt;em&gt; Frida Kahlo &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era setembro. De um tempo que foge por entre os dedos. Lá fora, o galo teima em cantar um dia que nunca amanhece. Um nome é um código de decifração. Ela decidira alterar o de batismo. Rita é graça de mulher que carrega tormenta. Apenas a de Chico leva sorriso e um bom disco de Noel. Tinha a mãe que escolher logo esse nome de santa. Ter nascido no dia 23 de maio poderia ter resultado em salvação. Um nome leva um tempo para ser inscrito. Precisava tatear um tanto da sombra, daquele outro nome que permanece nas entrelinhas da certidão. Sofia. Um chamamento que susurra. Deve existir um véu capaz de encobrir o nome da mulher. Foi dessa forma que ela vestiu, pela primeira vez, aquele tubinho cor de carmin. Havia três anos que ele esperava no armário. Vermelho é uma cor que não combina com vergonha. Rita compunha sua personalidade discreta com um cinza sobre bege, algumas vezes tendendo para o grafiti. Sexo é uma conversa que demanda arco-íris, aquarela pronta para se derramar. Foi Sofia quem percebeu a eterna indecisão de Rita. Uma mulher acompanha bem as rasuras da outra. Se não fosse ela, jamais teria sido marcado o encontro com o desconhecido. Ele parecia uma graçinha na web cam. Uma barba rala, um olhar de gente malina, de boa mira. Na tela, ela tinha os lábios pintados de vermelho e o lápis deleineando os inexatos verdes de seus olhos. Obviamente, desde o início, ela se apresentou com o nome de Sofia. Imagina se o clima teria subido tanto a temperatura se falasse: meu nome é Rita, quase como quem pede perdão! Sofia desceu as escadas em disparada. Se faltasse luz, ela não ficaria retida no elevador. Além disso, os vizinhos não sabem que o limiar é o lugar do desejo e ele não tem nome. Chegou antes da hora no Café Damasco. Sentou na mesa ao lado de uma tela de Frida Kahlo. E contemplou. Duas mulheres plantadas e nuas. Entrelaçadas à condição de fêmea, de relva, de mata selvagem. Ganhou, repentinamente, uma imprecisa convicção. Foi quando um homem atravessou a porta do café e indagou: é você Sofia. Ela, sem titubear, respondeu: não, meu nome é Rita. Um rasgo do sorriso de sofia, lhe tangia o canto dos lábios. Um homem , que pulsa, sabe que pouco importa como se chama uma mulher. Ele tateia e encontra nomes próprios e impróprios. Deitados, nessa tela primaveral de setembro. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-1244256173147308424?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/1244256173147308424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=1244256173147308424' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/1244256173147308424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/1244256173147308424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/09/rita-e-sofia-metamorfoses-de-setembro.html' title='Rita e Sofia - metamorfoses de setembro'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SqxOYIBk1OI/AAAAAAAAAPw/H-T_y9I6LQg/s72-c/frida-kahlo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-7386658693552182297</id><published>2009-08-30T19:56:00.003-03:00</published><updated>2009-08-30T20:01:21.407-03:00</updated><title type='text'>Dormindo com o desconhecido</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SpsEZlSryWI/AAAAAAAAAPo/g5WDmHqegEM/s1600-h/henri_de_toulouse_lautrec011.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5375895417750538594" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 312px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SpsEZlSryWI/AAAAAAAAAPo/g5WDmHqegEM/s400/henri_de_toulouse_lautrec011.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;                                        Toulouse Lautrec&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acordou aos pulos. Era escuro breu. Sentiu um formigamento na ponta dos pés. Um frenesi de não poder parar braços e pernas. Tinha pressentimentos de fertilidades. Abriu os olhos e se perguntou em que diabo de lugar estava metida. Um silêncio zunia o vazio da escuta. Nunca se sabe do que vem depois de quando o nada se instaura. Raquel estava adiada de experimentar o ponto escuro do prazer. Nessa noite, fora tomada de assalto. Uma mão quente abria uma fenda e pedia passagem. Um silêncio de homem feito fera, movido da vontade dispersada de palavras, se apoderou do corpo dela. Sem se apresentar, sem pedir a chave, ele burlou segredos. Encontrou-a no canto esquerdo da cama. Raquel quase sempre se manteve a beira, no limiar entre um dentro e um fora. No parapeito do tanque com cheiro de barro e vislumbres de rã, na ante-sala das maldades infantis, na reserva do time de handball. Era a borda, seu lugar de ficar, o canto de conter precipitações. É certo que, quase sempre, era alvo de comentários. Ler muito provoca lentidões. Ela gosta de botar o corpo fora. Será que sente o suficiente? Sua velocidade cerzia um jeito de se retirar. Nessa noite, uma ligeireza cobriu o rosto dela. O visitante levou as mãos até a altura de suas fechaduras. Movendo um jeito de ter prazer. Ela sentou-se e, subitamente, sentiu-se empurrada de volta. A tela escura permitia ver a nitidez das dobras. Dos músculos pendendo braços e pernas. Da boca derramada em saliva e palavras sem nexo. Em dueto. Do roçar da barba mal-feita, fazendo arrepiar cada palmo da pele dela. Um grito pode esperar calado um incalculável tempo para ser rompido. Soou a sirene dos que se derramam. Finalmente, Raquel reconheceu o lugar onde havia dormido. No centro da paisagem do desconhecido. O homem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-7386658693552182297?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/7386658693552182297/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=7386658693552182297' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/7386658693552182297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/7386658693552182297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/08/dormindo-com-o-desconhecido.html' title='Dormindo com o desconhecido'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SpsEZlSryWI/AAAAAAAAAPo/g5WDmHqegEM/s72-c/henri_de_toulouse_lautrec011.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-8149865176701397818</id><published>2009-08-22T19:07:00.005-03:00</published><updated>2009-08-22T19:24:47.983-03:00</updated><title type='text'>Eu abro a porta: um pedido mútuo de perdão</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SpBto7gDrjI/AAAAAAAAAPg/yw8dv6vcqpk/s1600-h/Imagem+193.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372914905387347506" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SpBto7gDrjI/AAAAAAAAAPg/yw8dv6vcqpk/s400/Imagem+193.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;por que cresceste curuminha, assim depressa, estabanada, saíste maquiada dentro do meu vestido”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Chico Buarque&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela soltou a mão. O vidro do carro subiu diante da cara espantada da menina. Fechada na solidão. O castigo por falar muito, por esconder-se para brincar, por deixar comida no prato. Ficar trancada no carro. Interromper o lugar de passar pode ser a forma mais rápida de se matar a coragem. Uma criança desconhece cancelas. Leva um tempo para que o abandono se torne nítido e mudo. Ela, de início, ficou aquietada. Na sua imaginação dos jogos de esconde-esconde, Maria acreditou que a mãe logo, logo voltaria. A feira engoliu a imagem da mãe em meio às barracas e ao vai-e-vem dos passantes. Lá fora, gente, muita gente. Os vidros fechados produziam a imagem de um filme mudo. Invertido. Dentro do carro havia apenas calor, o medo e um vácuo de palavras. A ausência faz barulho. Um nada se instaurou como fogo na alta temperatura do lugar fechado. Repentinamente, uma explosão devastadora de terror, sem lugar, sem nome tomou conta do corpo inteiro da menina. Não havia em volta dela qualquer coisa familiar, nem um movimento possível capaz de reter o desespero. Havia a possibilidade de um choro alardeado chegar aos olhos e ouvidos da mãe? Havia? Não. Esmurrar os vidros. Muito. Olhos de todas as espécies acercaram-se do carro. Uma multidão de desconhecidos fez ressoar para fora o choro mudo de Maria. Faltava ar, faltava fôlego. Uma mulher de cabelos longos e mãos de bondade, que nem as santas do colégio de freiras, roga calma. De fora do vidro, através de gestos, diz que um corpo pode sobreviver, mesmo que morra sozinho. Mesmo que uma criança tenha que entender, antecipadamente, a dor dos fios rompidos. Diante da incrédula multidão, surge a mãe de Maria. Tão cerceada e muda quanto a menina. Com uma diferença, parecia que ninguém se dava conta de seu fechamento, de ter sido castigada em silêncio. Todos os dias. Em volta do corpo da mãe, vidros suspensos parecem ter vedado seus transbordamentos, seu viço. É preciso um gesto que faça abrir as portas. Ela adentra o carro, senta e permanece muda. Até que a menina deite a cabeça em seu colo, banhada de suor e lágrimas. Até que a dor das duas seja uma. Até que a vida de cada uma siga outras rotas. "Se fosse permitido, eu reverteria o tempo". Abriria todas as janelas, que dão para dentro e para fora. E me permito, e te permito abrir entre nós essa porta de perdão. Amém.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-8149865176701397818?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/8149865176701397818/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=8149865176701397818' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/8149865176701397818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/8149865176701397818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/08/eu-abro-porta-um-pedido-de-perdao-por.html' title='Eu abro a porta: um pedido mútuo de perdão'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SpBto7gDrjI/AAAAAAAAAPg/yw8dv6vcqpk/s72-c/Imagem+193.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-7466610127305753203</id><published>2009-08-02T13:59:00.001-03:00</published><updated>2009-08-02T14:01:03.918-03:00</updated><title type='text'>A imensidão na torre</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SnXGKhQj8uI/AAAAAAAAAPE/LJxzwmHuwSE/s1600-h/sabiÃ¡.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5365412415110640354" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 294px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SnXGKhQj8uI/AAAAAAAAAPE/LJxzwmHuwSE/s400/sabi%C3%A1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A paisagem desafia os limites da visão. Uma luz intensa, quase invasiva, derrama-se sob o traçado xadrez de uma fortaleza dos ventos. A mulher se encontra elevada, podendo ver mar e dunas, mangues banhados pelo fluxo e refluxo das marés, verdes confinados entre paredes e vias. O reinado da visibilidade. Sua torre ocupa o topo mais alto do planalto e alcança os quatro pontos cardiais da cidade que vagueia cega. Cada final de tarde, um sabiá, de canto melódico, pousa na torre e enuncia o tempo das asas e do vôo. Ela repete impulsivamente o mesmo movimento – toca o pescoço e tenta afrouxar o que restou das correntes. O lugar, por vezes, ainda é escuro e pesa. Lá fora, a claridade rasga o céu das manhãs. Uma existência trafega sob superfícies, entre abismos e pontes. Ao traspassar túneis, cavernas e lugares confinados Raquel vislumbra o que permanece. O tilintar do aço sendo afiado, o zumbido do frio e da fome e a chave do carcereiro entreabrindo passagens. Poderia ser de outra forma? O corpo guarda e preserva o raro, o sagrado. Mesmo perfurado, amarrado, forçado, amordaçado existe dentro dele um cômodo secreto que abriga o perdão, doses de ungüento e porções de encantamento. O deslizar da língua de Raul, o percorrer suave das gotas de água por entre os seios, sua desmedida ternura provocam na mulher um lastro de dor e paixão. A memória dá vida. O prazer guardado, retido abre passagem e afrouxa as correntes. Ela desperta. Abre a porta. É ele, o mouro temido, o guerreiro incansável e rude, de lábios grossos, mãos ásperas e certeiras que a conduz para além da escuridão. Uma mulher pode temer e esconder por toda uma vida suas agitações, estremecimentos e precipícios. Uma mulher pode se esconder. Daqui de cima Raúl aponta a direção dos ventos. Pequenos vestígios de asas crescem em meio a cicatrizes e marcas de correntes e cordas. Ela enxerga e move-se sob o lastro de luz. É dia. A moira entoa o canto livre do sabiá. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-7466610127305753203?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/7466610127305753203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=7466610127305753203' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/7466610127305753203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/7466610127305753203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/08/imensidao-na-torre.html' title='A imensidão na torre'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SnXGKhQj8uI/AAAAAAAAAPE/LJxzwmHuwSE/s72-c/sabi%C3%A1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-2781158516949302081</id><published>2009-07-27T08:45:00.009-03:00</published><updated>2009-07-27T12:29:28.960-03:00</updated><title type='text'>A nascente do encantamento: o mouro e a moira (parte três)</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Sm2UF9sv-8I/AAAAAAAAAO8/m0YQGi0BuqI/s1600-h/800px-Castelo_dos_mouros_vista1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363105561450642370" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Sm2UF9sv-8I/AAAAAAAAAO8/m0YQGi0BuqI/s400/800px-Castelo_dos_mouros_vista1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio. Daqui ouço os gemidos de Raquel e o arrastar das correntes. Um prazer em tom de lamento que alteia o som quando se instala o vácuo. Alguns fios podem compor uma forma de narrar história. Raul, mouro da dinastia Almorávida, chega a Península Ibérica trazido pelos ventos da ameaça de reconquista de Al-Andalus. Durante as cruzadas, protegido por seu elmo e armadura, Raul incorpora a alcunha de homem de ferro, o gigante. Não tinha cara, nem sabia do corpo. Restava uma dormência. O guerreiro havia tomado o lugar do homem. Suas mãos reconheciam apenas a superfície fria e sólida do escudo e o fino desenho da lança. Os braços eram talhados para movimentos de força, de gestos largos e firmes. Todos os sentidos do guerreiro se voltavam para uma única direção: o inimigo. Curiosamente, uma vida se conta mais pelos desvios de rota do que pelos itinerários traçados nos mapas. Na batalha de Zalaca, um confronto decisivo, Raul e seus guerreiros derrotam o Rei. Os mouros ocupam o palácio, assassinam seus guardiões e, inusitadamente, encontram no calabouço a princesa Raquel, filha primogênita do Rei. Assim como Raul, ela também vivia uma batalha entre mundos de limites tênues. Raquel havia sido acusada de feitiçaria e de uso de poderes obscuros. Ela detinha o poder de misturar os códigos entre mundos forçosamente cindidos.&lt;br /&gt;Não havia armadura nem elmo capazes de inibir a correnteza que tinha sua nascente no corpo da feiticeira. Ela via para além dos escudos, das paredes grossas do castelo, dos limites do reino, das linhas que pareciam separar céu e terra. Carregava um desassossego povoado por seres de terras diversas e proferia um dialeto intraduzível no léxico local. A presença e o domínio dos mouros tornam-se ameaçadora não apenas devido a extorsão de riquezas e terras, mas pelo temor das crenças inspiradas na magia e em tudo aquilo que não se vê. A princesa vivia no limbo, presa entre dois mundos. Já pelos denominados bárbaros é tida como moira encantada. As lendas dizem que as moiras, donzelas de irresistível beleza e poder de sedução, podem ser confundidas com montes, florestas e rochedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É desprovido da proteção de ferro sobre o corpo, de anteparo por sobre os olhos que Raul fita Raquel. Um guerreiro sabe quando é atingido frontalmente. Logo, é tomado por um fogo devastador, que só acende, só ascende. Ele sabe que não mais alcança sua armadura. Rende-se ao corpo. Toma entre as mãos a pele branca da princesa e avança, até alcançar um ponto com desenho de infinito. Penetra a escura caverna. Raquel, a moira, guardiã dos locais de passagem, fonte selvagem da manifestação do sobrenatural ela, fêmea encantada, toma a mão do homem e o conduz ao interior da terra. Entorpecidos, para que nunca se quebre o encanto. Com seu pente de ouro, tocado aos fios longos dos cabelos negros da mulher, Raul quebra a corrente que separa os mundos e permanece. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-2781158516949302081?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/2781158516949302081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=2781158516949302081' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2781158516949302081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2781158516949302081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/07/nascente-do-encantamento-o-mouro-e.html' title='A nascente do encantamento: o mouro e a moira (parte três)'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Sm2UF9sv-8I/AAAAAAAAAO8/m0YQGi0BuqI/s72-c/800px-Castelo_dos_mouros_vista1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-5721070367699543357</id><published>2009-06-29T16:09:00.006-03:00</published><updated>2009-06-29T21:45:39.671-03:00</updated><title type='text'>A armadura do guerreiro e as asas da feticeira (parte dois)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SkkSgs_FMAI/AAAAAAAAAO0/n2TTQlhA2jM/s1600-h/camille+3.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352829985147400194" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 315px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SkkSgs_FMAI/AAAAAAAAAO0/n2TTQlhA2jM/s400/camille+3.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Camille Claudel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raquel cerra os olhos, aperta as pálpebras até que o medo seja revertido em escuridão. A cancela do olhar é sua única via de fuga. Ela se encolhe e esconde a cabeça entre braços e pernas. Um rasgo de choro invade o silêncio dos gestos. O homem permanece ao seu lado. Em seu rosto delineia-se uma grave expressão de incredulidade. Uma mulher condenada por todo tipo de sortilégios não tremeria tanto diante do inusitado. Por outro lado, um homem que apenas conhece o poderio da força física não tem como esboçar temor diante da magia de uma mulher seguramente acorrentada. Ele havia escutado por todo o reino estórias prodigiosas acerca da feiticeira. Era alardeado aos quatro cantos seu poder de curar, predizer o futuro e o de provocar paixões passionais e traiçoeiras. Raul, o carcereiro, fora advertido para que em nenhum momento mirasse os olhos da presa. Seus movimentos no calabouço eram tão limitados quanto os de Raquel. O corpo de um homem e de uma mulher sabe das ondulações do desejo, mesmo que falte a vibração das palavras. Raul era um mouro destemido e, por isso mesmo, se julgava inabalável. Já fizera parte das linhas de frente das cruzadas e considerava o calabouço o lugar para um breve descanso. Costumava dizer que seu corpo era armadura e por isso dispensava escudos. Havia ganho a alcunha de gigante e essa batalha era considerada a mais branda de sua vida. Uma mulher com correntes envolvendo cada braço, pernas e por volta do pescoço parecia não oferecer ao lutador nenhuma espécie de risco. Ele estava à salvo, afora algumas zonas de percepção consideradas as mais valiosas armas do carcereiro. Seu faro de caçador, seu ouvido de predador, seu olhar de tiro certeiro. Todos os sentidos estavam ativados para o bem e para o mal. Os ouvidos não têm pálpebras e os olhos não sustentam invólucros de ferro. Ele não contava com a imagem de pingos de água deslizando por sobre os seios brancos de Raquel. Ele não imaginava que seus cabelos pretos volumosos tangenciassem a cintura e emoldurassem uma beleza de fêmea selvagem. Ele muito menos antevia a delicadeza e o silêncio aquietado na superfície da pele e dos gestos de uma mulher entre correntes. Ao deixar-se embeber por cada gota, ao burlar nós, cadeados e cancelas Raul foi sacudido pelo pranto ruidoso de Raquel. Ele não apreendeu esses golpes. O que fazer? Repentinamente, o carcereiro toma as chaves e afrouxa o metal que envolve o pescoço da mulher. As mãos ásperas do homem percorrem o caminho de lágrimas. Em seguida, seus dedos entrelaçam os fios do cabelo de Raquel em movimentos contínuos de cima até alcançar às pontas. Uma a uma. Havia um tempo sem que nada fosse dito. Apenas ruídos. O corpo é que fala as palavras. Cada fio desalinhado de cabelo, cada ternura deslizada parecia romper um quantum de sons abafados. Como rito primeiro de criação do mundo, Raquel fixa a visão em direção aos olhos do carcereiro e entoa uma canção. Um som modal, como um tufão de intensidade liberta o gemido acorrentado da feiticeira. O encantamento se sobrepôs à paisagem. Um corpo de mulher avoa livre em meio a escuridão. Não havia mais correntes nem armaduras. Apenas o coração de um homem abrigado nas asas de uma mulher. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-5721070367699543357?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/5721070367699543357/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=5721070367699543357' title='30 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/5721070367699543357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/5721070367699543357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/06/armadura-do-guerreiro-e-as-asas-da.html' title='A armadura do guerreiro e as asas da feticeira (parte dois)'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SkkSgs_FMAI/AAAAAAAAAO0/n2TTQlhA2jM/s72-c/camille+3.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>30</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-3290765072162838502</id><published>2009-06-17T00:16:00.008-03:00</published><updated>2009-06-17T14:06:31.413-03:00</updated><title type='text'>As correntes do desejo - parte um</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Sjhhgfzw-UI/AAAAAAAAAOs/MVoWcnbO-3Y/s1600-h/camilleclaudel_valse.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5348131768424790338" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 268px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Sjhhgfzw-UI/AAAAAAAAAOs/MVoWcnbO-3Y/s400/camilleclaudel_valse.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;Camille Claudel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;As correntes contornavam pernas e braços. Uma réstia de luz perfurava o topo da parede e incidia no dorso da mão esquerda. Ali, não havia tempo. Era lua cheia ou apenas um raio de sol cruzava o escuro de uma noite que parecia eterna? Raquel sentou cambaleante e deslizou o olhar sobre o corpo até alcançar os pés. Não fazia calor nem frio. O vestido azul-turquesa aveludado compunha com os olhos um infinito céu de tristeza e ausência. Seus seios pareciam ter escapado do vestido. Sede, muita sede. A vista turva fez girar o lugar. Ela tenta levantar-se e é imediatamente impedida devido ao peso das correntes e a um outro, invisível,  que se instala no vácuo das lembranças. Os músculos do corpo de um homem e de uma mulher têm o tônus fortalecido por cada fragmento da memória que permanece. Raquel perdeu os fios narrativos de uma história que precisou ser apagada. Ela se curva e aguarda a entrada do carcereiro. O rangido da porta de madeira sendo arrastada no chão de pedra confunde-se com a voz daquele que a mantém sob vigília. Ela nunca ouvira um som desde o momento em que fora recolhida ao calabouço. Raquel recosta-se na parede esburacada, coberta de limo e recebe comida e água. Em seguida, suspende os olhos com a bacia nas mãos e entorna o líquido. A sede faz escorrer, já a fome não deixa escapar nenhuma migalha. Os olhos do carcereiro seguiram o destino da água e devoraram cada parte descoberta do corpo de Raquel. Ele tinha cílios fartos, caindo por sobre olhos cansados de atravessar abismos de mãos vazias. Uma mulher sabe quando um homem permanece deserto. Ela arrastou-se, segurou cada uma das pernas do carcereiro e se recostou. Os cabelos longos de Raquel vestiram seu rosto e penderam aos pés do homem. Ele se acocorou, tomou-a entre as mãos, afastou os cabelos da mulher e passou a língua em cada gota de água que permanecia em seu queixo, por sobre o pescoço e por entre os seios. Raquel deitou seus olhos de cor amarela, imprecisos como fachos de luz em flecha veloz. O homem sentiu correntes de calor enredar braços e pernas, enlaçar pontos de cruzamento entre vigília e vontade. A chave perdeu-se do lugar-passagem. Não havia saída. Estavam presos.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-3290765072162838502?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/3290765072162838502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=3290765072162838502' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/3290765072162838502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/3290765072162838502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/06/descoberta-do-desejo-parte-um.html' title='As correntes do desejo - parte um'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Sjhhgfzw-UI/AAAAAAAAAOs/MVoWcnbO-3Y/s72-c/camilleclaudel_valse.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-3809209542598260372</id><published>2009-06-05T11:20:00.006-03:00</published><updated>2009-06-05T11:28:50.436-03:00</updated><title type='text'>As veredas do olhar</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Sikrd0v0OQI/AAAAAAAAAOk/1ytskvXb9As/s1600-h/olhos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343850224227203330" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Sikrd0v0OQI/AAAAAAAAAOk/1ytskvXb9As/s320/olhos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SikqrGuQ9vI/AAAAAAAAAOc/Hv04-vsTNK0/s1600-h/olhos.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu aprendi a cavar com as mãos as dobras do silêncio. As coisas ditas podem receber camadas e mais camadas de esquecimento ou de recusa. Ele cruzou a passagem secreta, logo no primeiro dia. Eu sempre preferi ficar nas últimas cadeiras da fila. Passar despercebida em sala era uma forma de deixar espaço para o devaneio. O professor de literatura era tão magrinho que as pernas davam voltas ao se cruzarem debaixo do birô. Isso acentuava o tamanho de seus olhos e o mover-se rápido das retinas. Foi assim que senti a pegada do seu olhar alcançar uma impenetrável zona de reserva. A aula era sobre “Dom Casmurro” e todo o afã de Rosilmar era o de tentar descrever o que denominava da personalidade felina de Capitu. O nome dele era esse mesmo: Rosilmar. Fiquei ensaiando indagar – professor esse achado se deve a uma junção do nome do pai e da mãe ou do mar e da rosa? Naquele momento, nos mudos anos setenta, perguntar podia entreabrir zonas de risco. Como já falei, a penúltima cadeira era um refúgio seguro e mudo. Ele chegou, fez a chamada e não sentou nenhum segundo a mais. Movia-se percorrendo filas de carteiras ocupadas pelas tantas meninas-virando-moça. A ordem era despistar das freiras austeras a malícia que, sorrateiramente, teimava em deslizar. Todas as manhãs, as bainhas das saias eram observadas durante o cântico bocejado do “Alô, bom dia, oh como vai você”. Esconder era o modo possível de carregar o proibido. Os olhos verdes e famintos do professor arrastavam-se de carteira em carteira. Enquanto isso, ele lia, em voz alta, trechos diversos que diziam dos mistérios de Capitu. Falava de mulher da forma que eu apenas acabara de pressentir. Pedi a Deus para que ele não me alcançasse. Foi quando, repentinamente, Rosilmar mudou a cadência dos passos e parou ao meu lado. Foram segundos de uma perplexidade mútua com sopros de eternidade. Ele me apontou e falou para a sala em tom de confidência violada, ela aqui carrega o mesmo matiz, o mesmo abismo dos “olhos de ressaca” de Capitu. Eu poderia muito bem ter baixado ou desviado os olhos; poderia ter poupado o homem daquele vexame. Ele desconhecia. Minha tradição é do cangaço, dos duelos de sangue, do galope veloz do cavalo nas veredas. Fui tangendo a vista na direção do professor, lenta e certeira. Tomei o cabresto entre as mãos e disse: os seus trazem maresia e perfume de rosas. O abismo se move sob os pés. Eu aprendi a cavar o mistério. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;p.s- minhas ausência de aqui estar, de ler e percorrer todos os escritos que me alumiam, saibam, são atravessadas por muitas, muitas razões. voltarei!&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-3809209542598260372?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/3809209542598260372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=3809209542598260372' title='29 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/3809209542598260372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/3809209542598260372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/06/as-veredas-do-olhar.html' title='As veredas do olhar'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Sikrd0v0OQI/AAAAAAAAAOk/1ytskvXb9As/s72-c/olhos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>29</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-5233377777266564741</id><published>2009-05-20T09:34:00.014-03:00</published><updated>2009-05-20T09:58:20.329-03:00</updated><title type='text'>Maria Bonita e o galope do pistoleiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/ShP8EfKy_dI/AAAAAAAAAOU/440kb3ZJgdE/s1600-h/bonita+2.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5337887137380629970" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 204px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/ShP8EfKy_dI/AAAAAAAAAOU/440kb3ZJgdE/s400/bonita+2.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;rédeas soltas&lt;br /&gt;tamanho sem beira&lt;br /&gt;silêncio na ponta da língua&lt;br /&gt;olho certeiro de cangaceiro&lt;br /&gt;compondo a retina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o alvo se esgueira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mãos ao alto&lt;br /&gt;corpo sem fronteira&lt;br /&gt;sussurro sobre ombros&lt;br /&gt;desejo armado da presa&lt;br /&gt;furando vereda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estampido grito do vaqueiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pernas livres de esporas&lt;br /&gt;cavalo sem cela&lt;br /&gt;galope de dois em desatino&lt;br /&gt;dedos molhados da pequena morte&lt;br /&gt;invadindo a fera&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cheiro de fêmea não tem cancela&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-5233377777266564741?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/5233377777266564741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=5233377777266564741' title='34 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/5233377777266564741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/5233377777266564741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/05/maria-bonita-e-galope-do-pistoleiro.html' title='Maria Bonita e o galope do pistoleiro'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/ShP8EfKy_dI/AAAAAAAAAOU/440kb3ZJgdE/s72-c/bonita+2.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>34</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-7836151550661661684</id><published>2009-05-14T11:51:00.001-03:00</published><updated>2009-05-14T11:53:30.079-03:00</updated><title type='text'>Ave rara</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SgwwPENMw1I/AAAAAAAAAOM/TqODT2PLZxU/s1600-h/gangorra.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335692693912470354" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 321px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SgwwPENMw1I/AAAAAAAAAOM/TqODT2PLZxU/s400/gangorra.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adiantaria dizer, me faltam frases? O bosque fica silenciado ao final de tarde. Logo, logo seremos tomados pelo frenesi do trem da alegria. Da última vez, vi uma criança aos prantos diante do Cascão. Minhas mãos não têm lugar. Eu poderia me tornar catadora de ditos capazes de fazer você se retirar sem sequer olhar para trás. Uma palavra solavanco que acabasse lançando para fora esse sentimento incômodo, esse passageiro sem bilhete. Eu disse adeus em uma sílaba. Você me pediu para soletrar uma sensação sem vestes. Que belo o cenário da despedida! O playground é um convite a olhar para trás. Brincar de gangorra exige pesos em proporção. Fiquei elevada e vi teu corpo assentado rente ao chão. Esvaziado da vontade de partir. Vi também a fita azul dos três pedidos, ainda presa ao pulso. Lembro. Fechei os olhos e firmei cada desejo enquanto você entrelaçava os nós. Não há sinestesia entre nossos signos. Teu ascendente terra fixa a reserva demarcada. Todos os pássaros apreendidos em cativeiro são libertados nessa ampliada área de preservação. De cima da gangorra sigo o bater das asas de uma ave rara. O Urutau se camufla diante dos galhos do frondoso Carvalho. Você sabe que sou capaz de seguir movimentos de vôo e esquecer o risco de te lançar fora dali. A minha fita da sorte há muito se partiu. Eu acho que confundi os pedidos. O primeiro era de viajar de carro por tempo indefinido. Talvez, não fosse. Acabou de passar entre nós o Cebolinha seguido de crianças de todas as cores. O trem parou na estação. A nossa diferença se alinhava desde os primeiros laços. Nenhuma promessa tua fica esquecida. Você é capaz dizer os pedidos na ponta da língua. Bom ver tudo daqui de cima. Deve custar esse ato de sustentar com os pés no chão o peso da partida. O Urutau me fixa o olhar. Ele pode ficar estático por um dia inteiro e não se assustar com qualquer ruído. Somos aves de espécies diversa. Pedir para descer vai agravar a gana de me reter. Minhas pernas doem. Preciso confirmar o rompimento em movimento duplo dos lábios. A-Deus. Houve silêncio de alegria. Pulei em compasso de fuga. O Urutau deslocou-se até o pé de tamarindo. Sem olhar para trás. Eu me banhei de verde. Talvez fosse esse meu último pedido. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-7836151550661661684?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/7836151550661661684/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=7836151550661661684' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/7836151550661661684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/7836151550661661684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/05/ave-rara.html' title='Ave rara'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SgwwPENMw1I/AAAAAAAAAOM/TqODT2PLZxU/s72-c/gangorra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-15629208615670943</id><published>2009-05-06T13:24:00.003-03:00</published><updated>2009-05-06T13:29:56.152-03:00</updated><title type='text'>A vela, a água e os corpos</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SgG6AzZOb4I/AAAAAAAAAOA/vr6z2Z79Ofo/s1600-h/banheira.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332747956742156162" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 349px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SgG6AzZOb4I/AAAAAAAAAOA/vr6z2Z79Ofo/s400/banheira.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A banheira era insuficiente para que as pernas dele e as dela permanecessem paralelas. Ele fez um arco, suspendeu-a e arrastou-se suavemente para que os corpos se acomodassem. A água morna, o entorno branco aguardando cores quentes e a vela acesa compunha a cena do banho. Jatos gentis de água lançavam-se em correnteza pelo dorso das costas dela. A mulher fechou os olhos e sentiu pequenas gotas deslizarem através da testa, embeberem os cílios até seguir o destino da face. Ontem mesmo, fora elogiada por ter olhos de quem promete viagem sem destino. Uma moça do salão de beleza jurou que se fosse dona de uns parecidos, certeza, já teria feito muito estrago por ai. Falou com essas palavras e todas as letras de malícia que ficaram ali implícitas. Por que não? Uma mulher quase nunca sabe do que pode dar passagem. Leva um intervalo de tempo para que se aqueça a água da banheira. O necessário para que os líquidos se agitem e sigam os fluxos. Recostada, ela evocou imagens de fragmentos do corpo do homem. A boca desenhada e farta, mãos de pegada firme e rasteira e um murmúrio de voz que ecoa em pontos diversos da pele. Ela sempre gostou desse jogo de trazer à lembrança o sujeito presente do desejo. Como o eterno movimento lúdico das piscadelas. As coisas mudam de lugar a depender do olho que se abre. O corpo diante dela remexeu-se. Uma porta de visão se entreabriu e pingos de água de alta temperatura acenderam a lanterna da vontade aguardada da mulher. Do lado oposto, o homem que enxerga iniciava movimentos lentos. Havia atmosfera e promessa de dissolução. Os dedos dele percorreram um começo qualquer das pernas dela e seguiram o caminho do fogo. Há um momento em que o mundo acaba e nada mais há de ser dito. Apenas que Norah Jones cantava com sua voz rouca Sinkin’ Soon e que um cheiro de cabaré, espumante, vela queimada e sexo misturavam-se às espumas. Seus olhos guardam os vestígios arranhados dos estragos. Como fios desenhados do desejo entre suas pernas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-15629208615670943?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/15629208615670943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=15629208615670943' title='26 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/15629208615670943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/15629208615670943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/05/vela-agua-e-os-corpos.html' title='A vela, a água e os corpos'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SgG6AzZOb4I/AAAAAAAAAOA/vr6z2Z79Ofo/s72-c/banheira.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>26</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-1507550984765216591</id><published>2009-05-04T16:35:00.003-03:00</published><updated>2009-05-04T20:37:26.080-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>estou participando desse blog coletivo, que considero muito interessante, convido todos vocês a visitá-lo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.trezentos.blog.br/"&gt;http://www.trezentos.blog.br/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-1507550984765216591?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/1507550984765216591/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=1507550984765216591' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/1507550984765216591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/1507550984765216591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/05/estou-participando-desse-blog-coletivo.html' title=''/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-5045724425638071772</id><published>2009-05-01T18:57:00.006-03:00</published><updated>2009-05-01T19:07:06.257-03:00</updated><title type='text'>Para além do tempo</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SftyQ2LjhRI/AAAAAAAAAN4/edzRfUZ2Txo/s1600-h/atempo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330980217670567186" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 283px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SftyQ2LjhRI/AAAAAAAAAN4/edzRfUZ2Txo/s400/atempo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Existem continentes vertidos sob meus pés. Eu nunca fui mulher de viver uma só vida. Esse lugar em que agora moro abriga um tanto de outros. Fico aquietada e escuto vozes de fantasmas cruzando portas. Uma fina camada de areia separa porões e sótãos que guardam objetos apartados de mim. Habito um lugar que não alcanço mais. Arqueólogos de um futuro imperfeito encontrarão relíquias de um caso pretérito de amor: cachos enlaçados amarrados em laço de fita, tua voz rouca entoando canção de reconciliação e folhas secas de um dia de primavera. As dobras do desejo criam camadas paralelas de tempo. Ficam vedadas as passagens para outros lados de uma mesma história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse presente, movo-me sob domínios férteis e gentis. Um amor me tomou as mãos, desvendou o segredo entre lábios e me fez alcançar outra dobra de chão. Preparei um vestido branco de algodão e vou trançar no cabelo flores de jasmim. Até o coreto da praça se enfeitará de música e fanfarra. Quero uma canção capaz de despertar cidades adormecidas. Vou ser a primeira a levantar a barra do vestido e rodopiar. Eu pedi para que minhas amigas e amigos falem bem de mim e de você ao santo protetor de amores nascentes. Ele é Rafael, arcanjo que brinca comigo de vale tudo. Eu digo o nome do desejo e ele me traz a glória. Ganhei um anel com pedrinhas que brilham alegria e confirmam a mulher escolhida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As vozes de ontem ecoarão em campos vastos de infinitivos verbos futuro: criarei, fecundarei, morrerei banhada de vida. Até que o corpo mova-se em partículas de luz e atravesse barreiras do tempo. O amor dará passagem em ritos de fertilidade. Eu serei terra plantada de colheita farta. Filhos de todos os continentes me prosseguirão. Um vento veloz e aves de arribação espalharão sementes. Estará escrito: ela atravessou cancelas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-5045724425638071772?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/5045724425638071772/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=5045724425638071772' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/5045724425638071772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/5045724425638071772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/05/para-alem-do-tempo.html' title='Para além do tempo'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SftyQ2LjhRI/AAAAAAAAAN4/edzRfUZ2Txo/s72-c/atempo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-4993404293184596850</id><published>2009-04-26T02:15:00.003-03:00</published><updated>2009-04-26T09:25:51.614-03:00</updated><title type='text'>Carta para uma deusa com um p.s para Deus</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SfPvBggvrtI/AAAAAAAAANw/quCOIUAyBIk/s1600-h/Gustav+Klimt,+Mother+and+Child.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328865593295613650" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 193px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SfPvBggvrtI/AAAAAAAAANw/quCOIUAyBIk/s400/Gustav+Klimt,+Mother+and+Child.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu te carrego entre traços rabiscados. Minha mão e a tua, espalmadas, exibem dedos longos. Uma música é tocada no movimento de teus lábios. Teus olhos se movem para lugares distantes quando a voz de Roberto diz: “detalhes tão pequenos de nos dois são coisas muito grandes pra’ esquecer”. Ele nunca aceitou esse outro que invadia sorrateiro o teu folhetim, o teu rebolado na ponta dos pés, essa boêmia de Noel espalhada nas calçadas de Santa Isabel e a entidade suspensa que tu carregas e te espreita. A tua busca se inicia nas escadarias da Glória e descamba nas festas de Iemanjá. Eu surgi dessa promessa, mescla entre sagrado e profano. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Movo-me reta como se carregasse um cetro invisível e um domínio encantado. Você me deixou um titulo de nobreza. Eu guardo aquela foto em que você me sorri e comemora o nascimento entre peitos e braços. Você é deusa de reino distante, daquelas que cruzam o tempo em cavalo veloz e eu parte do teu bando. O vestígio de tua passagem se desenha na ponta do sorriso que faz mover o canto esquerdo dos meus lábios. Tenho um tanto do teu olhar que vagueia curioso e outro tanto que se derrama felino. Eu aprendi a dançar gafieira sob a mira dos teus movimentos sem nunca teres tomado minhas mãos nessa direção. Teu lugar de dançar é sagrado. Eu carrego a Lapa em noites de boêmia. Meus passos te acordam. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não nascemos para ter marido, essa entidade amorfa, embora o amor bata quase sempre em nossa porta. Casamos com amantes eternos. Gasto tudo que tenho em jogos de alegria. Feito comer em mesa farta, viajar sem destino e ter filhos em demasia. Tenho tido sorte mamãe. Quando fico cansada trago para junto à imagem do Cristo Redentor de “braços abertos sobre a Guanabara”. Eu hoje moro perto do céu e já suporto o brilho das estrelas. Diz para Deus que sou grata por sua extrema gentileza comigo. Ele me carrega. Quando preciso dormir braços e pernas me velam. Quando for partir um séqüito de borboletas e aves de penas leves me conduzirá. Livre. E estará escrito: ela cumpriu a promessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;para Suely&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-4993404293184596850?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/4993404293184596850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=4993404293184596850' title='30 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/4993404293184596850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/4993404293184596850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/04/entre-o-sagrado-e-o-profano.html' title='Carta para uma deusa com um p.s para Deus'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SfPvBggvrtI/AAAAAAAAANw/quCOIUAyBIk/s72-c/Gustav+Klimt,+Mother+and+Child.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>30</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-4149219738031975879</id><published>2009-04-20T15:14:00.003-03:00</published><updated>2009-04-20T15:22:05.272-03:00</updated><title type='text'>Desarnada</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Sey8Yboo9tI/AAAAAAAAANI/_PgJe8opxH0/s1600-h/clarab%C3%B3ia+1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326839587193550546" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 314px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Sey8Yboo9tI/AAAAAAAAANI/_PgJe8opxH0/s400/clarab%C3%B3ia+1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu sou banhada por pressentimentos. Trago no cabelo uma marca de antecipação do tempo e uma mancha escura desenhada no ventre. Vejo um tanto de coisas que vagueiam superfícies. Nasci sob o signo dos ventos. Mesmo quando o corpo ocupava lugares de ficar, movia-me sob possibilidades. Habitava esse interregno, esse lugar de passagem, entre o ponto e o infinito. Por isso, meu corpo tantas vezes buscou espaços apertados entre portas e paredes, lugares velados entre cortinas, esconderijos vedados da vontade de partir. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Minha natureza é andarilha. Se você olhar demorado, verá entre minhas unhas um tanto de barro e argila, pequenas serragens de madeira e estilhaços de pedras. Precisei fundar um torrão de terra, até ter lugar para voar e retornar. Como disse, sou atravessada por sentimentos. Tenho um olhar deslocado das imagens fixas, dos atravessamentos que margeiam o leito visível dos rios. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Minha atenção é movida por correntezas. Por isso, tantas vezes me assustei com a beleza e a grandeza dos espaços sem cancelas, sem limites para minhas pernas. Eu precisei criar minhas próprias paredes, um telhado com clarabóia e vista para o céu. O vento assobia nos meus ouvidos para que eu não deixe asas presas em cadeiras e birôs. Conservo passagens secretas, roupas leves e um vento veloz aqui dentro. Eu me salvo entre brechas. Cada letra é uma pena delicada e única. Eu me apego a palavras que não existem. Todos dizem que sou muito, muito desarnada. E sou. Ainda assim, se sentirem minha ausência, olhem por detrás das portas, vasculhem sombras e casulos. A menina vadia e avoante que me habita, às vezes, sente partida a linha da pipa. Quando isso acontecer, apenas sinalizem pedaços amorosos de chão. Ela aportará de asas abertas. Dentro dos seus olhos uma vasta floresta e um punhado de vaga-lumes. Pequenos vestígios de pressentimentos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-4149219738031975879?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/4149219738031975879/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=4149219738031975879' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/4149219738031975879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/4149219738031975879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/04/desarnada.html' title='Desarnada'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Sey8Yboo9tI/AAAAAAAAANI/_PgJe8opxH0/s72-c/clarab%C3%B3ia+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-4262165617850585768</id><published>2009-04-16T10:21:00.006-03:00</published><updated>2009-04-16T14:42:44.626-03:00</updated><title type='text'>A guardiã do tempo, a manga e o amor</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Secxs-PZSCI/AAAAAAAAANA/W0fERefMvXw/s1600-h/recife-sesi+165.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5325279733080475682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Secxs-PZSCI/AAAAAAAAANA/W0fERefMvXw/s400/recife-sesi+165.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O nome dela é Cosminha e seu mundo vive sob eterna neblina. Ela se assemelha aquelas imagens de santas envoltas em fumaças milagreiras. Tão miúda que seu sorriso se arruma debaixo dos meus braços. Cada vez que tomo o caminho das pedras e desço em sua direção, sei que atravesso uma zona fronteiriça. Toda a mata verde contorna sua pequena morada e emoldura gentileza. Nem por isso ela dispensa seu cão de guarda de olhos amarelados e orelhas suspensas. Ela sabe dos que se matam na ponta da faca por pequenas desavenças, dos que bebem e deliram a ausência da pessoa amada e vê a voracidade dos homens grandes que devoram e desmatam a terra dos pequenos. Eu sigo aqui o rastro de suas palavras. Para evitar o perigo ela mandou construir um portão de madeira preso apenas por um pedaço de arame. Ela vive sozinha em sua casa no topo da Linha da Serra diante da paisagem que margeia o sertão. Fala que medo tem é de gente que carrega maldade no coração. A terra a perder de vista que possui na serra é símbolo da passagem de todos os seus ancestrais na extensa Linha. Ela repete: vender para que? O dinheiro some, a terra fica. São poucos os móveis que ocupam os quatro cômodos da casa. Ela retém o que precisa para viver: pedaços de pão e retalhos da memória. Seu fogão de lenha resiste ao tempo e deixa permanecer intacto o de gás, coberto com um pano bordado. Faz sua própria comida, varre o terreiro, lava seus panos e remove, cotidianamente, a poeira do tempo. Tem sempre água benta e reza benfazeja para os visitantes que se aproximam.&lt;br /&gt;Eu trago aqui Dona Cosminha, essa senhorinha de 90 anos, para dizer do amor. Num final de tarde, na sua sala ela me indaga - bichinha você sabe o que é um grande amor? Meio sem jeito respondi, acho que sei e em seguida indaguei – por que Dona Cosminha? Ela se levanta, mostra uma frondosa mangueira e narra sua história com os olhos banhados de imagens. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Meu velho, Valdemiro plantou essa mangueira há muitos anos atrás. Você sabe né minha filha que se leva muito tempo, às vezes até nunca, para se comer o fruto de uma árvore plantada. Um belo dia, vindo da roça, meu velho entra com uma manga-rosa na mão. A manga era tão perfeita que parecia um gesto de bondade de Deus. Ele senta ao meu lado, toma a manga entre as mãos, e com sua faca vai tirando talhos finos da casca. Quando o amarelo já estava todo descoberto ele corta o primeiro pedaço e diz, é seu Cosminha e, em seguida come o segundo. Esse era o fruto mais esperado. Isso é amor. Você entendeu agora minha filha?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Fiquei plantada no silêncio. Diante dos meus olhos havia passagem para uma mangueira carregada de lembranças. O que diriam os filmes marcados pelo drama, os romances conturbados, os poemas sôfregos e os capítulos passionais de novelas diante daquela forma de amar mesclada aos ritos do tempo de plantar, colher e dividir ? E eu, teria algo a dizer? Olhei por dentro da minha paisagem amorosa e vi extensões de terras a semear. Eu me perco dentro do meu próprio chão. Haveria algum fruto entornado ao relento? Olhei para ela, que se diz agora minha mãe preta e revelei, com o coração apertado – preciso aprender sobre o tempo Dona Cosminha, água benta capaz de molhar e fazer vicejar uma história de amor. Desde esse dia plantei uma árvore.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-4262165617850585768?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/4262165617850585768/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=4262165617850585768' title='31 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/4262165617850585768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/4262165617850585768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/04/guardia-do-tempo-manga-e-o-amor.html' title='A guardiã do tempo, a manga e o amor'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Secxs-PZSCI/AAAAAAAAANA/W0fERefMvXw/s72-c/recife-sesi+165.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>31</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-8426722423178824709</id><published>2009-04-10T19:41:00.004-03:00</published><updated>2009-04-11T08:51:05.757-03:00</updated><title type='text'>Abismo</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SeCA7hx5-gI/AAAAAAAAAM4/bD6KGEdpEXM/s1600-h/191.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5323396519720253954" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 267px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SeCA7hx5-gI/AAAAAAAAAM4/bD6KGEdpEXM/s400/191.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu tremi diante dos teus olhos. Tuas palavras abriram portas e janelas sem anúncio de chegada. Vocë sabe como me fazer derreter e me deixar boiando no fluxo do teu olhar. Um dia já fui me buscar tão longe! Eu sou testemunha que um só corpo não é capaz de abrigar uma vontade em desatino. Há um abandono de justa causa todas as vezes em que pedaços de mim partem em tua direção. Eu nunca tive fronteiras. Por isso, quando tuas palavras vibram como cordas musicais eu prenuncio vias de perdição. Finco os pés no chão e tento me dizer fixa, de contornos precisos. Não posso ir embora para vocë. Não existe trilha sonora capaz de traduzir em imagem nossos enlevos. Ficou turva a memória. Entre nós dois existe um despenhadeiro, uma ponte elevadiça suspensa no tempo. Embora saiba voar, tenho medo de alturas. Existe um sopro de música entre o chão e o planeta de nós dois. Ouço acordes de uma cançao sem gravidade. A tua voz me transporta em um tapete nada mágico e mudo de futuro. Nunca soube ninar esse sentimento insone que atravessa dobras do tempo. Vou repetir até que ouças: desperto e tremo diante de teu olhar. Danço que é para disfarçar esse turbilhonar do meu corpo diante de tua visão. Misturo passos e tropeço entre teus pés. Tua mão enlaça minhas costas e toca minha indecisão. Eu preciso ir. Nunca entendi porque teus braços prendem minhas pernas bem no momento em que ensaio gestos de partir. Eu continuo pequena e as estradas são tão largas. Não tem ninguém que aponte a direção de mim. Eu temo não saber o caminho de volta e permanecer nesse espaço infinito de passagem. Por isso, continuarei atravessando o deserto sob a mira do teu olhar. Trëmula e lívida. Deitada por sobre o abismo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-8426722423178824709?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/8426722423178824709/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=8426722423178824709' title='35 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/8426722423178824709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/8426722423178824709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/04/abismo.html' title='Abismo'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SeCA7hx5-gI/AAAAAAAAAM4/bD6KGEdpEXM/s72-c/191.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>35</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-6233713115639853434</id><published>2009-04-06T15:08:00.005-03:00</published><updated>2009-04-06T15:30:34.125-03:00</updated><title type='text'>Suaves armadilhas</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SdpF3eJY14I/AAAAAAAAAMU/E0qkJ93vpa4/s1600-h/floresta.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5321642728979224450" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 281px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SdpF3eJY14I/AAAAAAAAAMU/E0qkJ93vpa4/s400/floresta.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Do meu lugar floresta te vejo. Uma visão fosforescente de bicho que espreita o alvo. A rede atirada rente ao chão detém e enlaça o objeto do desejo. Você presa, pulsa de vontade. Há pressentimentos de que minha chegada restaurará aquele som-gemido que agita noites e burla posições horizontais. Eu não tenho modos. Meus dedos deslizam por cada nó e lambem as marcas da espera. Eu desenlaço os fios da imaginação. Tenho lápis de todas as cores.  Fiz uma borboleta de traço livre no teu ombro esquerdo. Aprendi a fazer fitas e desatá-las com a ponta dos dedos e dos dentes. Alcanço o lugar do labirinto e miro teus olhos inquietos. Entrelaçados aos meus pés. E miro até nem saber onde estou. Você sabe que posso me perder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quer que eu te solte? &lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você se contorce e eu me deito sobre tuas costas. Cada uma das palmas de minhas mãos toca teus ouvidos. Abro pequenas conchas e falo baixinho: tomarei tuas pernas e soltarei as cordas. Soprarei aromas de madeiras sem lei por entre os relevos da paisagem de tua pele. Sei que tu me escutas. Meus olhos centelhas de verão eriçam teus pelos e derramam pequenas brasas. Você aguarda a brisa de orvalho que se espalhará sobre teu corpo feito combustível. Ela se alastra. Ouvi um estouro de boiada. Você escuta fogos de artifício? Eu retornei para a mesma rede em que te encontras.  Uma seiva bruta desliza suave entre braços e pernas e nos conduz ao sol. Sou apenas porções de pólen entre teus lábios. É vasta a floresta. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(estive um tempo viajando, por essa razão passei um tempo sem postar e nem comentar, fico feliz em retornar o contato com todos vocês) &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-6233713115639853434?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/6233713115639853434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=6233713115639853434' title='28 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/6233713115639853434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/6233713115639853434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/04/suaves-armadilhas.html' title='Suaves armadilhas'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SdpF3eJY14I/AAAAAAAAAMU/E0qkJ93vpa4/s72-c/floresta.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>28</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-5076898260054024609</id><published>2009-03-25T17:25:00.003-03:00</published><updated>2009-03-25T18:37:15.751-03:00</updated><title type='text'>Fetiche</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/ScqisNtflBI/AAAAAAAAAMM/4hABpbJxXUo/s1600-h/tangofashion3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5317241190542709778" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 180px; CURSOR: hand; HEIGHT: 287px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/ScqisNtflBI/AAAAAAAAAMM/4hABpbJxXUo/s400/tangofashion3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Traço fino da meia&lt;br /&gt;preta inter liga&lt;br /&gt;na coxa&lt;br /&gt;o caminho incerto dos teus dedos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nítido centro&lt;br /&gt;mistério água árdua&lt;br /&gt;no umbigo&lt;br /&gt;a sede do teu dedo em desatino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salientes seios&lt;br /&gt;vestidos de vermelho&lt;br /&gt;no colo&lt;br /&gt;teus dedos abrem passagem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transparência da fenda&lt;br /&gt;meio rósea entre abre&lt;br /&gt;no ventre&lt;br /&gt;um lugar para que teus dedos entrem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abertura dos lábios&lt;br /&gt;molhados de púrpura cor&lt;br /&gt;no rosto&lt;br /&gt;cravam  entre os dentes teus dedos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;meu corpo,&lt;br /&gt;nas tuas mãos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(para o homem que assim me enxerga)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-5076898260054024609?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/5076898260054024609/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=5076898260054024609' title='37 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/5076898260054024609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/5076898260054024609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/03/fetiche.html' title='Fetiche'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/ScqisNtflBI/AAAAAAAAAMM/4hABpbJxXUo/s72-c/tangofashion3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>37</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-6598530977200021810</id><published>2009-03-22T23:54:00.009-03:00</published><updated>2009-03-23T07:16:40.788-03:00</updated><title type='text'>Náufragos</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Scb7_hdIK2I/AAAAAAAAAME/Wb6Zi-GqNk0/s1600-h/juan-miro.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5316213478888319842" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 257px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Scb7_hdIK2I/AAAAAAAAAME/Wb6Zi-GqNk0/s320/juan-miro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;Juan Miró&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não soube dizer adeus. Você me buscava as mãos navegando um mar de delicadeza em meio à turbulência. Ausentei-me de um continente de nós dois ainda mergulhada em abraços. Teus pés se entrelaçavam aos meus debaixo dos lençóis, cada vez que os trovões rugiam céu afora. Lembro que você me laçava ensaiando gestos de salvação. As ondas eram tão altas meu bem e tão frágil a embarcação. Eu não sabia e nem sei nadar. Embora você me segredasse nós-dois-para-sempre, eu calculei o tempo. O medo é uma forma de distrair a razão. Fui arrastada pela correnteza sinuosa do temor da entrega. Você não fez respiração. Alguém ouviu falar dessa natureza das águas? Elas se aproximam sem fazer alarde. Uma nau sem asas nem velas me conduziu para longe de tua terra. Você me seguiu mar-adentro feito escafandrista na mira de um navio valioso naufragado em domínio incerto. Seu olhar vagou as profundezas e eu elemento ar flutuei superfícies. Fala a lenda que aportei. Hoje sou ilha e semeio silêncio em todos os dialetos. Isso não me remove a tolice típica dos sobreviventes. Ninguém pense que exibo troféus desse selvagem torrão de terra. Sou inexata ao falar de um amor que o mar trouxe feito dádiva e carregou. Não busque em meu olhar alguma forma de explicação. Pouco importa é o que resta a dizer quando tudo faz diferença. Aprendi a mentir acumulando verdades. Eu tenho provas cabais de que a tempestade pode ser uma forma de travessia. Longe da tua boca pude fundar uma nova língua. Ela emite sinais para viajantes de todas as partes. A luz do farol quando apaga, acendo coragem com fogo de lenha. Minha avó do vale do Jaguaribe me ensinou a retirar do mato os galhos mais combustíveis. Nem por isso me livro dos frios de tua ausência. Contento-me em plantar cada palmo do lugar. Tenho adubos que trazem sementes com vontade de brotar. Nem mesmo assim me livro dos desertos. Em teu mundo existe um dito capaz de fazer vicejar. Meu corpo não esquece, nem desiste. Na minha garganta estreitada ecoa socorro com gosto de criação. Eu grito terra me avista e do lado do abismo é lançado um bote salva-vidas. Perdão. Eu não tenho abraços que me façam ficar. Minha dor lança cordas a bombordo e teu nome a estibordo. Em que momento a tempestade te arrastou de volta aos musgos, pedras e gritos dos lugares ermos de mim? Eu nunca saberei dizer adeus. Entre meus dedos encontro fios de teus cabelos enroscados à minha solidão. Você náufrago de mim, eu de você. Navegará entre nós uma palavra de salvação? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-6598530977200021810?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/6598530977200021810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=6598530977200021810' title='27 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/6598530977200021810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/6598530977200021810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/03/naufragos.html' title='Náufragos'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Scb7_hdIK2I/AAAAAAAAAME/Wb6Zi-GqNk0/s72-c/juan-miro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>27</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-7412431368362763134</id><published>2009-03-18T01:32:00.006-03:00</published><updated>2009-03-18T07:01:36.156-03:00</updated><title type='text'>Oh pedaço de mim”, oh metade que fala de mim</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/ScB6VG0yfYI/AAAAAAAAAL8/jmA9zkO74Sk/s1600-h/CHORO.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5314382063325052290" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 314px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/ScB6VG0yfYI/AAAAAAAAAL8/jmA9zkO74Sk/s320/CHORO.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho retido um grito sobre você. Nunca pude dizer do rasgo que me causou esse nascimento ao contrário. Essa canção de ninar presa na garganta. Pressenti que você partiria sem sequer chorar a primeira respiração. Eu preparei panos bordados de borboleta para você, embora meus dedos costurassem vidas tortas. Embora, meu choro de menina ainda se dirigisse para detrás das portas. Eu sei. Você me cresceria e eu abriria janelas para ver passar o tempo de nós duas. Que medo te impediu de ficar aqui? Eu era uma menina esperta. Sabia dos esconderijos que vedariam a aparição de fantasmas e a invasão dos monstros da noite. Eu nunca te diria que eles não existem. Eu os ouço, a cada madrugada, espreitando o sono dos que perderam algo precioso. Dos que se sentem partidos. Eu possuía senhas e ainda as carrego comigo até hoje. Nunca se sabe não é Raquel? Para que elas servem, as senhas? Para que algo dê passagem e não te conseguiria dizer mais nada. Eu me disfarço de mim mesma, brincaríamos de personagens. Uma mulher precisa de muitas peles. Poderia ter te conduzido no meu colo e nos salvado. Eu tinha um avião a nossa disposição. Nem te mostrei minha cidade em miniatura, toda feita de papelão e imaginação. Era povoada. Eu guardei minhas bonecas para te dar, com roupinhas costuradas na agulha e linha. Elas iriam te receber de braços abertos mesmo você sendo minha. Essa sua vi(n)da sem chegada deixou uma parte de mim exilada. Eu te digo, essa mulher que escreve, espera ainda essa outra que nunca chegará. Não nos salvaremos e é essa a condição de todas nós. Eu fui tecendo um destino ao que te falta, ao que me falta em cada lugar por onde passo e me permitem fazer nascerem novas escrituras. Desse modo, me acompanhas e eu te faço falar. No meu colo tu dormes e eu amanheço de asas abertas. Não temos nada a perder. Somos pequenos pedaços de palavras que voam como flechas. Arqueiros de um deus sem nome. Eu te carrego, tu me levas e nos deixamos ir. Enlaçadas. Até o ponto mais cego da visão. O infinito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;para Raquel, que hoje teria 30 anos&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-7412431368362763134?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/7412431368362763134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=7412431368362763134' title='29 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/7412431368362763134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/7412431368362763134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/03/oh-pedaco-de-mim-oh-metade-que-fala-de.html' title='Oh pedaço de mim”, oh metade que fala de mim'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/ScB6VG0yfYI/AAAAAAAAAL8/jmA9zkO74Sk/s72-c/CHORO.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>29</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-5658007955918259774</id><published>2009-03-15T00:27:00.003-03:00</published><updated>2009-03-15T00:35:58.995-03:00</updated><title type='text'>o amante</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Sbx3gTQPWnI/AAAAAAAAALU/eL_ofJZzp_M/s1600-h/mulher+escrevendo+1.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5313253057198250610" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 216px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Sbx3gTQPWnI/AAAAAAAAALU/eL_ofJZzp_M/s320/mulher+escrevendo+1.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seu coração batia aos pulos. Ela pedia para que ele aguardasse o momento certo. Que não misturasse os fatos. Que cada estremecimento escoasse no exato instante em que as portas se abrissem. Sempre fora precipitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;A cama parecia tão ninho e as pernas dele entre as dela um pergaminho de gentileza. O amor fez germinar esse chão. Ela tem se sentido florescer.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Pensamentos carregados de imagens desenhavam enredos de múltiplas escrituras. Ela tinha urgência. Afinal de contas, as palavras corriam até os dedos e pediam passagem. Sua boca enchia-se de uma saliva quente, mesclando voz e suspense. De quantos nomes se faz uma estória? Elas nascem dos lugares ermos que abrigam imaginação e lembranças que resistem. Ela leu num canto qualquer que era preciso reter-se, conservar os líquidos. Isso lhe pareceu tão kantiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Ele beijou suavemente sua boca. Ela entreabriu os lábios. Que importa reter-se? O braço dele pedia que ela guardasse seu sono. O rosto dele se fincava bem no espaço quente entre ombro e pescoço. Ela o acolhia.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;E se os personagens fossem luminosos, capazes de apagar asperezas e manchas? Um tivesse nascido marcado pelo elemento terra e outro sob a regência dos ventos. Um lento e o outro tormento. Um asceta o outro vida concreta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Acabou de cruzar os dedos entre os dela. Ele pressente. Ela manteve-se quieta, como quem também adormece. Permaneceu em vigília até que ele se sentisse amparado por braços e pernas. Um sono tingido de esquecimento.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Havia chegado o momento esperado. Ela poderia deixá-lo. Finalmente, sua vontade se moveria sem a contagem das horas e sem olhos para ver. O deserto ocupou a casa. Havia lugar para o segredo aguardado por ela. Andou pés sob pés até a sala. Inundada. Tomou a caneta entre os dedos e dispôs o papel em branco diante do corpo. Com pudor, foi retirando todas as vestes das palavras. Peça por peça. Tremulando em cada tentativa de toque. Estreitando-se ao ponto mínimo de distância entre vontade e linguagem. Uma corrente transforma duas partes em uma só coisa. Deixa-as escorrer até aqui, diante de seus olhos. E você leitor faz parte dos rascunhos de uma estória de amor. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-5658007955918259774?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/5658007955918259774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=5658007955918259774' title='27 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/5658007955918259774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/5658007955918259774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/03/blog-post.html' title='o amante'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Sbx3gTQPWnI/AAAAAAAAALU/eL_ofJZzp_M/s72-c/mulher+escrevendo+1.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>27</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-295959827927748968</id><published>2009-03-14T23:46:00.005-03:00</published><updated>2009-03-15T00:06:24.706-03:00</updated><title type='text'>selo</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SbxsoRl8LtI/AAAAAAAAALM/fZRaiw76jTg/s1600-h/selosorrir.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5313241099563445970" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 133px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SbxsoRl8LtI/AAAAAAAAALM/fZRaiw76jTg/s320/selosorrir.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Recebi um selo do Fred do blog "nas horas e nas horas e meia". Ao receber o selo, citar 7 coisas que te fazem sorrir:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;1) O ato de nascer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="file://0.0.0.2/"&gt;2&lt;/a&gt;) O ato de viver em comunhão;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;3) O ato de amar;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;4) O ato de cuidar,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;4) Os atos dos cinco sentidos;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;5) O ato de dar e receber;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;6) O ato de rir à toa,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;7) O ato de morrer com vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Indicar 7 blogs que fazem você sorrir&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;1) Sem mais delongas&lt;/div&gt;&lt;div&gt;2) Insulfilme;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;3) Carpe Diem&lt;/div&gt;&lt;div&gt;4) A Torre Mágica&lt;/div&gt;&lt;div&gt;5) Som-cor-ação &lt;/div&gt;&lt;div&gt;6) Infinita-Mente&lt;/div&gt;&lt;div&gt;7) O ser em movimento&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Informar aos blogs indicados que eles receberam o selo&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-295959827927748968?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/295959827927748968/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=295959827927748968' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/295959827927748968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/295959827927748968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/03/recebi-um-selo-do-fred-do-blog-nas.html' title='selo'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SbxsoRl8LtI/AAAAAAAAALM/fZRaiw76jTg/s72-c/selosorrir.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-2028493673665590226</id><published>2009-03-12T01:46:00.004-03:00</published><updated>2009-03-12T01:57:13.099-03:00</updated><title type='text'>Comme la vague</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SbiUcPdfMVI/AAAAAAAAALE/x0OjaN1gJgE/s1600-h/onda.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5312158973390958930" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SbiUcPdfMVI/AAAAAAAAALE/x0OjaN1gJgE/s320/onda.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era por volta de oito horas da noite quando o mundo acabou. Maria viu uma réstia de luz cruzar a janela. Feito serenata. A lua estava cheia de beirar de prata os olhos dela. Amendoados, escorridos, que nem melaço de cana recém saído da caldeira. Seus olhos eram fartos e fixos. Um mundo não acaba sem que seja removido um ponto qualquer de sustentação. Houve prenúncios. Estava agitada, assim como o mar. Seus cabelos suspendiam-se arredios, acima da cabeça, tomando a forma de algas enleadas a conchas e pedras. Os fios eram enrolados até quebrarem, um a um. Ela abria e fechava as pálpebras em movimentos contínuos. Suas mãos apertavam à outra, comprimiam os dedos, dobrava-os, até ouvir estalos. Um pedaço de lábio era repetidamente mordido e, e em seguida, experimentado com a ponta da língua. Insônia no quarto dela. Acordes musicais simulavam brincadeiras de fazer dançar o corpo na cama. A voz rouca de Gainsbourg fazia dueto com Jane Birkin&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“- Je t'aime je t'aime Oh oui je t'aime. - Moi non plus - Oh mon amour. Tu es la vague, moi l'île nue. Tu vas, tu vas et tu viens. Entre mes reins. Tu vas et tu viens. Entre mes reins. Et je te rejoins.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lembrança da mão dele enlaçando suas costas um pouco nuas. O lábio deslizando na orelha em segredo a melodia: eu te detenho. As coxas comprimiam-se insones. Seu ventre se movia até alcançar um lugar de dentro. Achar o ponto, soltar, reter, sem parar. As pernas buscavam um lugar tocado pelo movimento. Calor no corpo dela. A morte é uma presença que emite sinais. Embora se avizinhe como rumor de águas à deriva, em curso de enchente. Maria seguiu a velocidade da luz, mesmo cega. Como já foi dito, o ponteiro do relógio devia marcar umas oito horas de noite. Todos na casa assistiam à novela “Selva de Pedra”. Por tal razão ela recorda o horário em que o mundo parou. Um suor quente, seco, fazia brasa na pele. Em cada lugar, um coração pulsava desenfreado. Ela alcançou o ponto em que o silêncio e o prazer falam um mesmo dialeto. Assistiu, sem precisar de olhos para ver, uma explosão espalhar-se para além do seu corpo. Imaterial e nítida. Gritando uma descoberta. Foi quando a mãe bradou: essa menina morreu foi? E Maria respondeu – Morri, mas já passou. Deitou- se aninhada, com a respiração abrandada e um sorriso desenhado no canto da boca. De ser mulher. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-2028493673665590226?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/2028493673665590226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=2028493673665590226' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2028493673665590226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2028493673665590226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/03/comme-la-vague.html' title='Comme la vague'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SbiUcPdfMVI/AAAAAAAAALE/x0OjaN1gJgE/s72-c/onda.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-2029247390899675884</id><published>2009-03-07T11:15:00.010-03:00</published><updated>2009-03-07T17:35:45.811-03:00</updated><title type='text'>A deusa, os óculos e o milagre</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SbKCrLHN7fI/AAAAAAAAAK8/jlzub4TnbPE/s1600-h/Ismael-Nery-(sem-data)valen.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310450588852284914" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 236px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SbKCrLHN7fI/AAAAAAAAAK8/jlzub4TnbPE/s320/Ismael-Nery-(sem-data)valen.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;Ismael Nery&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;Eu penso que sou milagreira. Nunca entendi a razão dos milagres serem domínios de santos e beatos. E que sigam trilhas de registro: devam ser comprovados, encaminhados ao Vaticano e celebrados como verdade. Quando aconteceu meu primeiro fato extraordinário, tinha apenas sete anos. Nunca tentei convencer ninguém. E precisa? Havia acabado de ganhar uns óculos escuros de plástico e um chapéu de couro. O sertão da Jaguaribe embaçava a minha visão. Via o mundo sob um mormaço avermelhado, recoberto de poeira e luz. O catolicismo era a única forma de invocação divina. Eu sabia que havia nascido da promessa que minha mãe fizera a Iemenjá. Era o nosso segredo. Eu tinha uma dupla filiação materna. Enquanto as meninas do colégio de freiras se ajoelhavam e entoavam cânticos e orações para aquela nossa senhora azulzinha com branca, eu buscava outro ponto de visão. Ia delineando-se fora de qualquer altar um vulto de cabelos desalinhados, pés descalços e ondas de espumas de todas as cores adornando seus movimentos. Paradoxalmente, o mormaço do sertão encobria seu corpo. Algo de quente, de visceral, de luminoso tangia essa presença. Ela cintilava uma despudorada alegria. Não ficava parada que nem a outra, aguardando o anjo do milagre. Assim, me conduzia. Ao fechar os olhos, a deusa me tomava às mãos em direção incerta. Do milagre de nós duas. Houve o primeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Atravessei o silêncio e me detive. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi o piano de minha avó ir deslizando as quatro estações de Vivaldi. Lá fora tudo era inverno! Ela trazia nas mãos a intenção de assoprar música. Feito gaivota. Ao lado do piano uma mulher dançava sem vestes e sem medo. Era a mãe. Embora, tenha vivido um tormento de nascença, trazia verão. Cada átimo de luz cadenciava sua presença. Ao seu lado, uma menina atravessava o tempo. Falava através dos olhos, pernas, orelhas, língua, sexo e umbigo. Tinha uma primavera desenhada no ventre. Fertilidade de acordes musicais. Que nem fruta madura no outono de outro tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca retornei. Permaneci enlaçada às fêmeas de todas as estações. Feito eros, feito borra, feito ventre, fazendo jus a tudo que é inútil e belo. Elas tomam cada um dos meus dedos e escrevem em letras de fogo. A deusa que me habita é mestiça, um punhado de cada uma e um tanto que nem me pertence. Esse é o meu primeiro milagre. O fundador. Por isso, mesmo profano e mundano não seria ele extraordinário? Acredito. Eu sou quatro estações. E você?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-2029247390899675884?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/2029247390899675884/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=2029247390899675884' title='28 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2029247390899675884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2029247390899675884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/03/deusa-os-oculos-e-o-milagre.html' title='A deusa, os óculos e o milagre'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SbKCrLHN7fI/AAAAAAAAAK8/jlzub4TnbPE/s72-c/Ismael-Nery-(sem-data)valen.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>28</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-1337346483990295387</id><published>2009-03-03T01:33:00.004-03:00</published><updated>2009-03-03T01:53:00.513-03:00</updated><title type='text'>Sentimental eu sou</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Say3mWFYR-I/AAAAAAAAAK0/QILfarPfxKs/s1600-h/lib%C3%A9lulas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308819930154026978" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Say3mWFYR-I/AAAAAAAAAK0/QILfarPfxKs/s320/lib%C3%A9lulas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Say2yTVIpcI/AAAAAAAAAKs/Uok5M05L_sA/s1600-h/gato+025.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O nome dele eu não lembro. Todos o chamavam de Teto. Era filho do dentista da casa do lado. Eu a filha do chefe da carteira agrícola do Banco do Brasil que acabara de chegar do Rio de Janeiro. As casas de fachada contínua nos traziam os risos, conversas, choros e segredos de lado de lá. Eu despertava com ecos de sua voz rouca pedindo o leite matinal. Ele era chorão e barulhento. Eu o conhecia através dos sons que atravessavam as paredes. As calçadas margeavam os finais de tarde. Numa delas, sentamos em cadeiras de balanço de vime alinhados numa cena familiar. A radiadora anunciava a próxima música e os olhos de minha mãe marejaram quando a voz do apresentador disse – como boas-vindas para a família que acaba de chegar, ouviremos Altemar Dutra. “Sentimental eu sou, eu sou demais, eu sei que sou assim porque assim ela me faz”. Foi quando escutei o grito costumeiro da vizinha quebrar o idílio do momento - esse menino me tira do sério. Era ele. Suas calças frouxas e pés descalços, a correria desenfreada, um jeito de passar o braço na testa e remover o suor, as maças do rosto tão vermelhas; tudo isso dizia do abismo entre os nossos oito anos. O meu vestido rodado, engomado, me fazia quase estática, uma boneca. Montado num cabo de vassoura ele percorria a calçada que nem vaqueiro tangendo o gado no mato. Eu não estava ali. Queria luz elétrica, os parquinhos de Copacabana, o cinema, os passeios de bonde e o mar brincando de molhar meus pés. Eu desconhecia as veredas do mato. Ele não quis saber, me puxou pela mão e disse - tu quer passear no meu cavalo, eu te levo na garupa. Eu podia muito bem ter lembrado o meu vestido todo armadinho de grude, do meu cabelo de franjinha definida e do sapato de verniz com uma meia bordadinha. Eu podia ter permanecido sentada. Ali eu desenhei o meu destino de mulher. Olhei para o vaqueiro, vi a velocidade do seu cavalo sem cela, nem rédeas, nem direção. Seus olhos verdes de bicho solto, bicho do mato, bicho tinhoso; me fiz correr léguas no dorso do seu cavalo. Eu me tornei a namorada do vaqueiro. Um dia, num passeio de Jipe, nas trilhas incertas do sertão, o meu pai na direção, as crianças atrás; ele passou as mãos por detrás das minhas costas. Tocou levemente as minhas e perguntou baixinho – quer casar comigo? Quando o pipoqueiro de Russas passava e anunciava – pipoca mineral de água e sal, ele corria em minha direção. Corria para evitar que a minha fome de pipoca, adiasse seus planos. Desenhava um olhar grave e me falava - vamos guardar o dinheiro para o nosso casamento. Foram cinco anos. O Teto apenas tocou minhas mãos e entrelaçou dedos com dedos. Apenas derramou seu olhar em correnteza bravia sobre os meus olhos tão atrapalhados e ávidos por luz. Ele me conduziu em seu cavalo indomável, eu aprendi a me deixar levar. Banhou meus pés de ternura e enlevo. Algumas vezes eu tomei a direção e o conduzi alinhado em minhas costas. Ele fechava os olhos e eu o arrebatava em desatino, ultrapassando cercas e matas fechadas. Um dia, fui embora a galope. Dividimos o dinheiro do nosso casamento num final de tarde chuvoso. Na radiadora tocava Rita Pavone, eu dançava em plena calçada, ia até o chão. Ele sabia do que eu era capaz, sempre soube e eu carrego até hoje essa intenção. Por isso, quando você me vê, imagina um cavalo em disparada. Sobe na cela da imaginação. Eu, indomável, te conduzirei. Você deitará tua cabeça em meus ombros, fechará os olhos e dirá: pode soltar as rédeas. E voaremos. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-1337346483990295387?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/1337346483990295387/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=1337346483990295387' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/1337346483990295387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/1337346483990295387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/03/sentimental-eu-sou.html' title='Sentimental eu sou'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Say3mWFYR-I/AAAAAAAAAK0/QILfarPfxKs/s72-c/lib%C3%A9lulas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-9160571054954886859</id><published>2009-02-28T01:44:00.002-03:00</published><updated>2009-02-28T01:49:58.293-03:00</updated><title type='text'>acordada</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SajCAAnG4PI/AAAAAAAAAKk/JlzJyOZWxw4/s1600-h/sono-.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307705466275946738" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SajCAAnG4PI/AAAAAAAAAKk/JlzJyOZWxw4/s320/sono-.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era noite. Um silêncio que fazia tilintar os pequenos gestos. Tua mão adormecia sob a cabeça e tuas pernas enlaçavam as minhas. Eu permanecia acordada. O movimento de tua respiração dizia do profundo do sono. Pequenos espasmos confirmavam a entrega. Eu poderia assim, como quem não quer nada, deslizar minhas pernas nas tuas. Deitar minhas mãos sobre teu pescoço e roçar o canto do desejo. Ir virando-me lentamente, deitando minha respiração quente rente à tua orelha e derramar insinuações. Cada dedo traçaria levemente o caminho da tua boca e te alcançaria. Eu te tomaria por uma das mãos embalando os teus sonhos do meu corpo. Em fluxos e refluxos de marés altas. Leves como convém a um homem que dorme e uma mulher que navega. Com a outra mão te cobriria os olhos. Permanecerias, assim, com um tanto de mim assentada e outro tanto imagem borrada. Retiraria, suavemente, minhas pernas das tuas e me elevaria e te levaria. Em movimentos contínuos de abrir e fechar as portas. Até que toque de recolher nos devolvesse o silêncio dos pequenos gestos. Eu amanheceria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(para o homem que enxerga, mesmo que faça escuro)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-9160571054954886859?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/9160571054954886859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=9160571054954886859' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/9160571054954886859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/9160571054954886859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/02/acordada.html' title='acordada'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SajCAAnG4PI/AAAAAAAAAKk/JlzJyOZWxw4/s72-c/sono-.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-6866580207180288271</id><published>2009-02-25T17:38:00.003-03:00</published><updated>2009-02-25T17:45:46.856-03:00</updated><title type='text'>auto-retrato</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SaWt8JKkJZI/AAAAAAAAAKc/gytMJV4Z718/s1600-h/Mulher+Lad-Godiva-Posters-+Frederick+Leighton+(1830+%E2%80%93+1896).jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306838984689984914" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 256px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SaWt8JKkJZI/AAAAAAAAAKc/gytMJV4Z718/s320/Mulher+Lad-Godiva-Posters-+Frederick+Leighton+(1830+%E2%80%93+1896).jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O verde fala de mim&lt;br /&gt;A chuva fez esse acontecimento&lt;br /&gt;Tenho a planta dos pés banhada da seiva dos andarilhos&lt;br /&gt;Raízes me assanham os cabelos&lt;br /&gt;Eu vento&lt;br /&gt;Entremeada aos fios de dois&lt;br /&gt;Tenho amor brotado na palma da mão&lt;br /&gt;E um pássaro pousado na testa&lt;br /&gt;Suas asas aninham&lt;br /&gt;Eu me assento&lt;br /&gt;Não tenho vergonha de dizer que sinto&lt;br /&gt;Uma ausência de nascença&lt;br /&gt;Coração semeando intensidades&lt;br /&gt;Amores-seiva respingando pétalas&lt;br /&gt;Flores sem alento&lt;br /&gt;Embora teu amor segure minhas mãos&lt;br /&gt;E a brisa toque delicada as palavras&lt;br /&gt;O susto é disparado&lt;br /&gt;Na vastidão da floresta&lt;br /&gt;Fazendo sempre-verde o sentimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-6866580207180288271?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/6866580207180288271/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=6866580207180288271' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/6866580207180288271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/6866580207180288271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/02/auto-retrato.html' title='auto-retrato'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SaWt8JKkJZI/AAAAAAAAAKc/gytMJV4Z718/s72-c/Mulher+Lad-Godiva-Posters-+Frederick+Leighton+(1830+%E2%80%93+1896).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-9166650708972173328</id><published>2009-02-20T07:36:00.006-03:00</published><updated>2009-02-22T11:57:19.130-03:00</updated><title type='text'>o carnaval da linha</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SZ6Id61i1hI/AAAAAAAAAKU/EdVSV85rCIg/s1600-h/Belem+049.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5304827458680444434" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SZ6Id61i1hI/AAAAAAAAAKU/EdVSV85rCIg/s320/Belem+049.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;é quase carnaval. As fantasias foram tiradas das gavetas. Entoa canções no ar que dizem do desejo dos encontros marcados pelo fugidio e êxtase do mistério: “quem é você, adivinha se gosta de mim, hoje os dois mascarados procuram os seus namorados perguntando assim”. O amor da passante, da última vista como diz Beaudelaire. A vertigem do explosivo, da potência do que dura e se apaga em segundos. Desfilam nos blocos, nos corpos carnavalescos e nos corações foliões amores contidos, perdidos, rompidos: “alecrim está chorando pelo amor da colombina, no meio da multidão”. Olhares se cruzam e se perdem. São lícitos os beijos roubados. As vinganças de rompimentos e dores ganham passagem no carnaval. “hoje eu vou sambar na pista, você vai de galeria, quero que você me assista, na mais fina companhia, se você sentir saudades por favor não dê na vista”. O carnaval é o compasso do tempo que não espera. A saudade deve ser pintada de alegria, mesmo que no rosto fique cravada a lágrima do pierrô. As ladeiras fazem despencar a alegria e desfazem as mãos:: não se perca de mm, não se esqueça de mim, não desapareça”. A cachaça vira água e a chuva mistura-se ao ‘suor e cerveja”. Bruxas se encontram com piratas, duendes, anjos, capetas, irmãos metralhas, barras de chocolates, cotonetes gigantes; fundem-se no jogo de poder ser outro, por quatro dias. “Eu sou a filha da chiquita bacana, puxei a mamãe (esse ano) não caio em armadilhas”. Subirei a serra nítida como a paisagem. “hoje não tem dança, não tem mais menina de trança, nem cheiro de lança no ar, hoje não tem frevo, tem gente que passa com medo e na praça ninguém pra’ cantar. Minhas máscaras me usam quando fico tímida. Já me pertencem. Eu sou, parodiando Roberto Carlos, uma brincante a moda antiga. Da potência da alegria que faz pinotar desejos dos “cordões de saideira, vendo a vida se enfeitar”. Eu quero brincar no carnaval. E vou. Da Linha da Serra vejo o desfile de paisagens margeadas por cercas-vivas de papoulas. Tão vermelhinhas, tão vermelhinhas! As ladeiras seguram minhas mãos e eu tateio o infinito. “acho que a chuva ajuda a gente a se ver”. E o por-do-sol também. No meus olhos permanecem serpentinas de todas as cores. Eu te vi, você me vê. Sem máscaras. É carnaval. Ah! quase esqueço. Vou fantasiada de borboleta. Você voa comigo?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-9166650708972173328?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/9166650708972173328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=9166650708972173328' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/9166650708972173328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/9166650708972173328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/02/o-carnaval-da-linha.html' title='o carnaval da linha'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SZ6Id61i1hI/AAAAAAAAAKU/EdVSV85rCIg/s72-c/Belem+049.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-828116580160441280</id><published>2009-02-17T00:51:00.005-03:00</published><updated>2009-02-17T09:25:45.672-03:00</updated><title type='text'>Argonauta</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SZo0xSPnYNI/AAAAAAAAAKE/d2pb-2FC4xI/s1600-h/gaivotas-+pedro+palma.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5303609532497748178" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 237px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SZo0xSPnYNI/AAAAAAAAAKE/d2pb-2FC4xI/s320/gaivotas-+pedro+palma.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Trago um olhar vasto&lt;br /&gt;Que nem cabe em oceanos&lt;br /&gt;Sobrevivo navegando linhas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou grata às palavras&lt;br /&gt;Elas me produzem terras&lt;br /&gt;Fincadas na palma dos pés&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho pressentimentos de gaivota&lt;br /&gt;Diante das asas da imensidão&lt;br /&gt;Embora as alturas me tonteiem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi a segurar tuas mãos&lt;br /&gt;Infinitos novelos de chão&lt;br /&gt;E assoprar meu medo&lt;br /&gt;De vastidão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu me recebes transbordada&lt;br /&gt;Em teu colo quente&lt;br /&gt;Finca tua âncora&lt;br /&gt;Eu ninho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando subir alto, meu bem&lt;br /&gt;Você tem a linha&lt;br /&gt;Segura com a ponta dos dedos &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;br /&gt;Eu voarei sozinha. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;(para a mulher que enxerga) &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-828116580160441280?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/828116580160441280/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=828116580160441280' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/828116580160441280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/828116580160441280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/02/argonauta.html' title='Argonauta'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SZo0xSPnYNI/AAAAAAAAAKE/d2pb-2FC4xI/s72-c/gaivotas-+pedro+palma.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-3983397780634283238</id><published>2009-02-15T12:53:00.001-03:00</published><updated>2009-02-15T12:57:05.105-03:00</updated><title type='text'>Navegar é (im) preciso</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SZg7Q8XDKJI/AAAAAAAAAJ8/yMUb169J9eg/s1600-h/pipas.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5303053723495508114" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 255px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SZg7Q8XDKJI/AAAAAAAAAJ8/yMUb169J9eg/s320/pipas.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Atravessei a porta da sala inundada. De quantos sentimentos retesados no ar é feita a poesia? Nem falar, nem escrever iriam diminuir por menor que fosse essa enchente. A Dom Luís estava clara e eu na penumbra. Passei na Bibi comprei um bolo grande salpicado de bolinhas de chocolate, umas bem pretinhas, outras bem branquinhas. Fazem croque-croque na boca. Fui parar mais longe. A roda-gigante do Parque Santo Estevão em Quixadá, a pipoca fazendo eco, o medo das alturas aninhado na mão do primeiro amor. A memória tem trilha sonora. Eu sou uma Dj de lembranças mixadas no presente. “Receba as flores que te dou e em cada flor um beijo meu....” – Deseja mais alguma coisa minha senhora? - Oh coragem dessa mulher! - Quer que eu diga mesmo? A gente não tem sossego. - Ei moça, bota uma empadinha de camarão. Pra’ comer aqui. Melhor assim. Estava tonta de coisas sem cara, sem nome, sem nenhuma posologia do modo de sentir. Acredito que sou boa para definir sentimentos. Camarão é bom demais. O resto eu não sabia. Nem sequer me pertenciam. Permaneci navegando no “Transatlântico” sem navio, sem bóia, sem salva-vidas, sem timoneiro. Deslizando fortalezas. Eu não imaginava de que matéria era feita aquela alegria tão vasta de um além mim. Líquida é que não devia ser. Gasosa. Dessa matéria que deixa a gente flutuando com os pés no chão. Navegar é preciso e eu aposto nos náufragos. De um estado qualquer das palavras. Diluídas, para abrandar as dores no “Chá de Abu”. As palavras, Fernanda, são cousas que nos carregam que nem submarinos? O jardim de Anna Karine é feito de palavras-hera, alastraram-se em meus muros e eu vou buscar outras mudas. As bolinhas de chocolate caem bem nessa manhã de domingo. O sol deixa a paisagem de todas as cores. Minhas linhas içam pipas em novas direções. Elas cruzam com tantas outras no céu de fortaleza. Aqui, me reconheço. Fragmentos saem da gaveta e eu já nem me sinto tão erma. Tenho sentimentos de gratidão em doses altas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fayga, Danni e Laura vocês entoam mar adentro as “palavras de pórtico” de Fernando Pessoa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Navegar é preciso, viver não é preciso. Quero para mim o espírito desta frase, transformada a forma para casar com o que sou: viver não é necessário; o que é necessário é criar”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terra a vista!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-3983397780634283238?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/3983397780634283238/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=3983397780634283238' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/3983397780634283238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/3983397780634283238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/02/navegar-e-im-preciso.html' title='Navegar é (im) preciso'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SZg7Q8XDKJI/AAAAAAAAAJ8/yMUb169J9eg/s72-c/pipas.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-6010860890048530537</id><published>2009-02-08T02:00:00.011-03:00</published><updated>2009-02-08T10:53:32.384-03:00</updated><title type='text'>Sob as asas do silêncio (epílogo)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SY5oimCsh8I/AAAAAAAAAJ0/msIqfCSHkOc/s1600-h/amor.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5300288754998347714" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SY5oimCsh8I/AAAAAAAAAJ0/msIqfCSHkOc/s320/amor.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;Klimt&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;Foi preciso um tempo de silêncio e de espera. Não sou uma mulher de meias palavras. Minha história é testemunha do meu gosto por elas. Costumava, desde cedo, subir nos lugares mais ermos e ouvir seus ecos. Ainda criança, escalava o pico de uma serra do Vale do Jaguaribe e lançava nomes de tudo que é jeito para imensidão do sertão. De cima da Micaela gritava os mais bonitos para a minha alegria: Vó Sinhá, Belinha, a burra que me carregava entre os caçoas até o açude e outras vezes, suspirava fundo e empinava a palavra vento. Eu imaginava que ele corria mais veloz por isso. Um dia, colhendo algodão descobri meu tino: sou uma agricultora de palavras. Elas me nasceram e emprenho tantas quantas queiram vir ao mundo. Somos da mesma família. Naquela manhã, quando aquele homem abriu a porta do meu quarto, nenhuma delas veio ao meu encontro. Meu querer por ele era um deserto de explicações. Encontrou-me nua e assim permaneci. Falcão gritou o meu nome da forma tão muda como a minha fome. Meu corpo pressentiu sua visita. Antes de ultrapassar a porta na companhia da massagista, ouvi o eco do seu desejo esbarrar no meu. Entrei no quarto e aguardei a passagem. As mãos firmes da mulher acenderam o óleo na ponta dos meus pés. “Dona Raquel? Dona Raquel?” Olhei em volta e me vi abandonada por qualquer dito capaz de dar o sentido de cancela, de impedimento. Ainda deitada, virei em sua direção e vi o olhar do homem se derramando por cada canto do meu corpo. Ele havia ultrapassado as paredes. Como disse, qualquer palavra despencaria no vazio. Uma delas veio em minha direção, quase em tom de confissão mútua – “Tá doido, ta doido”? – Ele gritava repetidas vezes o meu nome e eu o remetia aquele lugar despovoado – a nossa compartilhada loucura. Falcão abriu a porta e eu calei. Era alta a temperatura. Imediatamente, ele retoma o caminho de volta. Isso ele não disse. Coloquei um vestido por cima do corpo e levantei-me em sua direção. Movida, inicialmente sob o pretexto de adverti-lo, de indagá-lo das razões de sua entrada súbita. Ao sair do quarto percebi o rastro de seu cheiro. Um aroma de mato que após a chuva levanta o mormaço das memórias de um dia quente. Gritei algumas vezes o nome dele. Por um momento imaginei que nunca mais retornaria. E, voltei. De costas ele me tomou pela cintura, suspensa no tempo e disse – me salva! Eu havia perdido o meu plantio de palavras. Que poderia eu falar para o homem que havia me levado ao lugar mais ermo de mim? Fechei os olhos e fiquei. A obra ganhava seus últimos contornos - o criador, a criatura. Ele me conduziu ao décimo primeiro andar. Até o topo. Lá de cima, ensaiei um grito sem nenhuma pretensão de sentido. Foi quando vi um pássaro veloz carregando esse vento. Seu hálito quente ainda sopra no dorso do meu silêncio. Eu escalei essa altura. Daqui de cima me solto e, finalmente retomo o verbo. O eco de tua voz rente a minha anuncia: mulher! Eu ganhei o céu sob tuas asas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-6010860890048530537?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/6010860890048530537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=6010860890048530537' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/6010860890048530537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/6010860890048530537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/02/sob-as-asas-de-tuas-palavras-epilogo.html' title='Sob as asas do silêncio (epílogo)'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SY5oimCsh8I/AAAAAAAAAJ0/msIqfCSHkOc/s72-c/amor.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-4939218432654485650</id><published>2009-02-02T20:14:00.005-03:00</published><updated>2009-02-03T09:58:40.485-03:00</updated><title type='text'>O óleo derramado (parte quatro)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SYd-nkbFvOI/AAAAAAAAAJk/VqPbgE5Axeg/s1600-h/gustav+klimy.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5298342704881974498" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 214px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SYd-nkbFvOI/AAAAAAAAAJk/VqPbgE5Axeg/s320/gustav+klimy.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;Gustav Klimt&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Não é fácil contar uma estória dessas não. Tem gente falando que é para ir direto ao ponto. Que ponto? Esse é um pecado que nem o escapulário do meu santo protetor deu jeito. Sou nascido no dia de São Expedito, aquele das causas difíceis. Minha mãe diz que sou guardado por ele. Para mim o ponto começou na rajada de vento, daquele final de tarde. Precisava ter avistado aquela mulher tão nua? Precisava ter deixado meu olhar ficar tão junto do dela? Tem fogo ali dentro, com cheiro de tentação e um anúncio escrito: gostosa! Eu me vi nu no espelho dos olhos dela. Feito retrovisor no banco detrás. Isso fica bonito para um refrão de forró. Pode ser cantado assim:&lt;br /&gt;Será paixão esse desassossego. Que me tira do sério. Me deixa em desespero.Eu me vi nu no espelho dos olhos dela....&lt;br /&gt;Naquela manhã, na frente da porta de Dona Raquel, eu pensei - Falcão, larga disso, tu é um homem direito. A piora de tudo é que o mestre de obras é meu sogro. Namoro a filha a mais de três anos e sou como ele mesmo diz – seu braço direito. Posso botar tudo a perder, basta minha mão mover um pedaçinho que seja daquela porta. Voltei ao ponto esperado. A porta, cancela da minha fome por ela, já não empata nada. Soltei a marreta, plantei-me bem na frente e falei – Dona Raquel - umas três vezes, desenfreado. Sem pensar, muito menos esperar resposta agarrei a maçaneta e fiz o movimento. Calculei uma palma da mão de abertura. Foi o que precisava, e vi. Deitada na cama de massagem, com uma calçinha branca, os seios posicionados na minha direção, banhados de óleo, redondos e firmes que nem holofotes na escuridão. Cada um cabe na palma da minha mão. Eu cresço. Seu corpo é um terreno a espera da obra. Eu sou o homem que faz. Vou levantá-la pegando cada uma de suas pernas, até a boca ficar rente a minha e depois a escancho no meu colo. Encaixados. Agora, não vejo mais nada, apenas a porta preparando a entrada. Finalmente, sinto esse pedaço de madeira deslizar nos trilhos. Não existem mais barreiras. Muito, muito gostosa! Eu páro. Logo, ela grita – Falcão, fecha essa porta! Sabe o meu nome – ela me quer. Nem tentou se cobrir, pelo contrário, virou o rosto na minha direção e gritou – tá doido homem?! Bem mais que isso, louco e cego de vontade. Se não fosse aquela mulher, ali no quarto. Se não fosse o medo que tive de mim mesmo e o susto dela ao me enxergar para além das paredes, caibros, tijolos, cimentos, portas e fechaduras eu derramava o meu óleo por dentro de seus cantos escuros. Com os dedos da minha mão, calejada de desejo eu a seguraria para que ela me deixasse passar e ficar ali dentro. O resto do meu corpo ia escorrer que nem tinta e marcar a pele daquela fêmea para ela nunca esquecer. A melhor massagem de sua vida. Esquecia era nunca! Essas mulheres bacanas sabem lá o que é homem de verdade.&lt;br /&gt;Ela se levanta, olha nos meus olhos, agarra minhas mãos e fecha a porta. Sua respiração é tão desenfreada quanto a minha e os seus seios apontam o rumo do nosso desejo. Não tenho mais nada a dizer. A verdade de um homem tem quase sempre desavença com a verdade de uma mulher. Dou passagem para que ela fale. Eu já disse a minha história. È bom que ela confesse o que se deu entre nós dois. Nem que seja apenas no quarto trancado dessa carta secreta. Vou ser despedido mesmo, pouco importa. Que ela fale do antes, daqueles minutos de tempo que entraram feito marreta em todos meus alicerces. Apenas eu e ela. Duvido que ela vá direto ao ponto, de como deixou crescer meu desatino em direção incerta. Desde o vento. Em cada reparo, retoque, necessidade de prego, de gesso, uma telha a mais, um rodapé; cada feito tem o olho dela no meio, em busca do meu. Você nega? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-4939218432654485650?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/4939218432654485650/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=4939218432654485650' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/4939218432654485650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/4939218432654485650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/02/o-oleo-derramado-parte-quatro.html' title='O óleo derramado (parte quatro)'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SYd-nkbFvOI/AAAAAAAAAJk/VqPbgE5Axeg/s72-c/gustav+klimy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-3687275722690101445</id><published>2009-01-29T20:32:00.005-03:00</published><updated>2009-02-02T20:13:14.817-03:00</updated><title type='text'>Parte Três de uma mesma Vez</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SYI92j3qmTI/AAAAAAAAAJc/9oKrA81Iyek/s1600-h/premio.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296864119292074290" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 125px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SYI92j3qmTI/AAAAAAAAAJc/9oKrA81Iyek/s320/premio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;A noite deve ter sido criada com a intenção de acalmar os dias. Só pode ser! Quando abri os olhos pela manhã ela tinha sumido da minha vista. Que alívio! Seu cheiro saiu de vez das minhas mãos, ou sei lá da onde. Fiquei impregnado de um negócio que não cheguei nem a sentir. Isso me invocou mesmo! Homem imagina o que não vê. E o que nem sente, pode ele alcançar? Um amigo meu achou até de me perguntar – Falcão, quais tuas fantasias preferidas? Eu respondi – Macho, gosto mesmo é de ver e pegar, tô ligado nessas coisas não. Tenho problema de concentração, entendeu né? Agora, o diabo daquela mulher entrou e se abancou em mim feito perfume barato. O vento fez essa covardia comigo, trouxe essa fêmea pra’ mexer com o meu sossego. Naquela quinta acordei livre disso, e me animei com o churrasco no sábado e com o bingo do carneiro. Eu tenho sorte pra’ rifa, jogo de bicho, sorteio, bingo e vou tirar esse prêmio. Subi o elevador e retomei a obra. Nem vi Dona Raquel. Não dá nem 15 minutos ela entra toda suada, de short, camiseta e diz: o sol tava quente na Beira-mar. Tinha vindo como é mesmo? Do Cooper. Acredito não, má! Covardia! Olhei para tudo que é canto, menos pro lado dela. Deu não, deu não. Ela diz – Me ajuda a pregar aqui esse São Jorge? E pede para eu marcar com o lápis o lugar do prego. Minha mão e a dela ali, os dedos roçando um no outro e eu perdendo a compostura. Eu não vou controlar isso aqui não - pensei - sem ter coragem nem de mirar o volume na calça. Será que ela tá ouvindo minha respiração? (Sair correndo, de vergonha, de vontade explodindo que nem bomba poderosa de guerra). Ela entra no quarto e em seguida passa outra mulher. Pelo visto é uma massagista. Deve ser sim, ela pediu para limpar uma cama de armar, dessas de massagem mesmo. Todos da obra desceram. Levanto, deixo as ferramentas no chão da sala e vou em direção ao quarto. Uma brecha, vê-la nua. Gostosa. Melhor: chegar sem nada na mão, ela iria desconfiar. Volto, pego a marreta. Porra de marreta! Deixo de novo. Impulso. Tu é doido. Escuto o barulho da cama armando, ouço a massagista perguntar por um óleo e imagino, do lado da porta, que ela acabou de tirar a roupa. A porta, que eu mesmo ajudei a fazer é sustentada por um trilho. Ela desliza. Há uma brecha, ela não tá trancada. E agora? Se afastar um pouco, poderei vê-la. Meu coração, eu nem sei mais onde fica. Vou conseguir parar? Vou? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-3687275722690101445?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/3687275722690101445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=3687275722690101445' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/3687275722690101445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/3687275722690101445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/01/noite-deve-ter-sido-criada-com-intencao.html' title='Parte Três de uma mesma Vez'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SYI92j3qmTI/AAAAAAAAAJc/9oKrA81Iyek/s72-c/premio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-4074239907266370515</id><published>2009-01-27T01:05:00.005-03:00</published><updated>2009-01-28T17:04:27.467-03:00</updated><title type='text'>Os olhos de Falcão - a primeira vista (parte dois)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Não sei escrever bonito. Não mesmo. Gosto de usar as mãos como se fosse um pensamento talhado em cimento e tijolo. Tenho uma ânsia de não ficar parado desde pequeno. Medo de serviço, tenho nada!. Tô pronto para quase tudo nesse mundo de meu Deus, só não gosto de roubar e muito menos de passar a perna em ninguém. Sou homem decidido, é pegar ou largar. Burro também acho que não sou, embora o estudo tenha sido pouco. Nunca deixei de ler de um tudo: revista de carro, de cachorro também dou o maior valor; livro de banca de jornal é uma boa; revista de quadrinho japonês, acho que escreve se mangá, eu gosto pra’ caralho. A última que li falava de um tal de Naraku. Era a história de um garoto que se envolve com demônios. Ao chegar ao inferno descobre que acabou perdendo a mulher dos seus sonhos e fica nas trevas. Mulher poderosa aquela! Nunca saiu da minha cabeça. Ela aparecia toda distante, um tipo de mulher que por mais que o caba se torça todo, enfrente meio mundo não consegue nem chegar perto. Essa mulher dos diabo ficou tinindo no meu juízo muito tempo, feito disco arranhado, que volta, volta pro’ o mesmo ponto.&lt;br /&gt;E aqui eu começo uma história meio sem eira nem beira. Dessas que a gente nem sabe por onde começar. O nome dela é Raquel e eu fui trabalhar de pedreiro na reforma do apartamento dela. Lugar alto, vento bom e vista bonita. Eu só trabalho com meu walkman - é que eu adoro forró. A mão no pesado e o pensamento no molejo. A primeira vez que eu vi essa Dona Raquel foi quase uma assombração. Óculos escuros, as pernas toda desenhada; riso solto de mulher esperta que bota homem de quatro e olhar meio de serpente, daqueles que mesmo com o susto, você não consegue fugir. Ela entrou na horinha em que os Aviões do Forró tocavam no meu ouvido a música Amor proibido que diz desse jeito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu quero ter você comigo. Seja como for. Poder estar sempre em teus braços. Sentir seu calor. E não importa o que falem desse nosso amor. Essa paixão é proibida. Tudo o que eu quero é você. Não importa o que falem. Bem querer!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Eu imaginei logo, isso não vai dar certo. Pois não é que o vento bateu na saia da mulher na minha vista, bem no rumo do meu olho. Num minuto estavam as pernas dela desde a calçinha, tudo ali na minha frente, roçando e fazendo pouco da minha vontade. Ela ainda se segurou em mim, a criatura e eu no nada. Cambaleei na falta de vergonha e tirei o olhar de cima dela. Não sabia onde botar a mão quanto mais o pensamento. Voltei e encarei mesmo. Meus olhos voaram na direção do corpo dela e não conseguiram, tão cedo, encontrar o caminho de volta. Vontade de pegar ali mesmo. O cheiro da mulher entrou de muito, bateu lá, bem lá, como um engasgo grande com um gole d’água pouco. Pensei alto. Essa mulher é outra. Incrível como uma criatura pode ser tão diferente das outras. Tanta mulher no mundo. É mulher de todo tipo que passa na mão da gente. E uma dessas ai nunca peguei.E cantarolei na minha mente: eu quero ter você comigo. E tive muitas vezes essa noite. Eu, minhas mãos e a vontade louca de que o vento carregasse aquela Raquel (bonito esse nome!) de mão beijada pra’ ali, pra’ dentro da minha cama. Cheguei ao inferno. Sou o senhor dos ventos. O resto da história eu conto depois. Para que essa pressa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-4074239907266370515?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/4074239907266370515/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=4074239907266370515' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/4074239907266370515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/4074239907266370515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/01/os-olhos-de-falcao-primeira-vista.html' title='Os olhos de Falcão - a primeira vista (parte dois)'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-3655588839994070913</id><published>2009-01-22T19:10:00.003-03:00</published><updated>2009-01-28T17:05:58.064-03:00</updated><title type='text'>O vento assanha o desejo (parte um)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SXjvdG5cBDI/AAAAAAAAAJE/bsZfgrTkLBk/s1600-h/bras%C3%ADlia-+trabalho+047.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5294244645320786994" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 214px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SXjvdG5cBDI/AAAAAAAAAJE/bsZfgrTkLBk/s320/bras%C3%ADlia-+trabalho+047.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; A primeira vez em que cruzou com ele era um final de tarde. Um mar de poeira, causado pela demolição da obra sequer a permitia visualizar o semblante dos operários. Um buraco profundo como uma cratera deixava visível o efeito do tempo sob as vigas de ferro da cobertura. Uma ferrugem líquida e pegajosa substituía parte da estrutura de sustentação e havia a eminência de tudo ruir. Falcão sabia disso e leu o temor nos olhos dela mesmo sob a névoa do pó que os encobria. O tempo solta as linhas. Ela pressente. O desejo é a memória corporal de olhares que permanecem na pele. Ele não poderia ter entrado daquele jeito no quarto dela, gritando seu nome, sem que tantos pedaços de seu corpo e de seu cheiro tivessem se fixado na sua paisagem. São partes de uma história fragmentada e submersa, sem nenhum registro. Foi preciso um tempo para que Raquel pudesse trazer à superfície o olhar de F. tangenciando tijolos e cimento, sua mão afixando pregos sob a custódia do desejo, o suspender e o baixar a escada do alçapão e a insistência dela em pular por cima, sob seu olhar cuidadoso. De quantos instantes se tece o desejo? Tem alguém ai que saiba contar esses entrelaçamentos e o ápice, explosão e volúpia em desatino? Ela recorda, vagamente. Houve um momento, logo no início, que o vento levantou-lhe a saia e descortinou a visão. Raquel soltou de imediato a bolsa e segurou a ponta do vento. A saia encobriu o rosto deixando-lhe cega da nudez que se desenhava logo abaixo. A bolsa caiu de suas mãos, suas pernas tremerem e diante dele existia apenas uma mulher de calcinha branca, olhos vermelhos de poeira e de vergonha. Ele recolhe a bolsa do chão, entrega em suas mãos e diz resoluto: precisamos de vinte metros de viga! Vinte metros de viga e ela curvada sobre o vento. Será que eram seus os pés desenhados bem na janela do banheiro, quando a água já descia generosa sobre seu corpo? O momento de F. é feito de tantas argamassas, da quente manta asfáltica, dos revestimentos, das tintas, dos ladrilhos do banheiro em &lt;em&gt;degrade,&lt;/em&gt; de suas mãos de operário em construção fundidas à obra que não lhe pertence: o corpo dela, só dela. Nele F. não podia tocar, não havia nenhuma demanda de reparo, de poder assegurar com algum artefato sua solidez, de iluminá-lo, de ladrilhá-lo. Apenas ela, a massagista, podia abrir o quarto de Raquel e percorrer seu corpo, e F, aguardou esse momento. Dele, apenas dele. E entrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(conto inconcluso, o próximo tópico: Os olhos de Falcão) &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-3655588839994070913?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/3655588839994070913/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=3655588839994070913' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/3655588839994070913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/3655588839994070913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/01/o-vento-assanha-o-desejo.html' title='O vento assanha o desejo (parte um)'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SXjvdG5cBDI/AAAAAAAAAJE/bsZfgrTkLBk/s72-c/bras%C3%ADlia-+trabalho+047.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-2562992614366361069</id><published>2009-01-18T13:05:00.005-03:00</published><updated>2009-01-18T18:06:33.274-03:00</updated><title type='text'>Em nossas mãos</title><content type='html'>&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SXNUQjndLlI/AAAAAAAAAI8/ymqSsgxbjno/s1600-h/sem+t%C3%ADtulo.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5292666630505836114" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 335px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SXNUQjndLlI/AAAAAAAAAI8/ymqSsgxbjno/s400/sem+t%C3%ADtulo.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Auguste Rodin&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu me deitei em tuas mãos. Cada dedo seu enlaça uma ponta do meu desassossego e fico. Embora a minha condição seja a de seguir o vento norte em mudanças de estação. Ele, esse vento que assobia, assopra a sola dos meus pés e ativa a saga dos andarilhos. Nem ligo para os descrentes e desprovidos de visão. Já disse, eu não sou de um lugar, desdobro-me. As minhas mãos têm asas. Atravesso os campos que me habitam e te vejo ao meu lado. Posso me esconder e inexistir na minha própria casa. Nenhum mistério ou metáfora. É que o lugar em que moro tem um alçapão. Um espaço do tamanho do meu protegido por uma escada de madeira movediça. Os meus porões adormecem aos meus pés. Daqui de cima vejo Fortaleza por todos os lados. Ela flutua diante dos meus olhos pacientes, desenhada em ilhas de indiferença e medo. Com o olhar voltado aos céus já vislumbrei incontáveis estrelas cadentes e um São Jorge todo pomposo reinando na noite de lua cheia. Sou desses cantos e de tantos outros que me atravessam. As delicadezas do homem que me habita conduzem-me para perto de mim. Ali me enxergo espalmada na &lt;em&gt;Mão de Deus&lt;/em&gt;, nessa ambivalência de ir e ficar. Permaneço em cada lugar em que me abrigas e me deixas livre. Foi exatamente isso que Rodin tentou plasmar em sua obra: a mão concreta, física do escultor e o ato divino da criação. Fundidos e materializados. Podemos estar em todos os lugares. Permaneceremos. O momento seguinte vai ser sempre a vontade do beijo e do teu corpo sobre o meu corpo. Mesmo que o vento me faça cócegas, você me tomará nos braços e dirá: &lt;em&gt;se aquieta mulher!&lt;/em&gt; E eu viajarei nas tuas mãos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-2562992614366361069?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/2562992614366361069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=2562992614366361069' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2562992614366361069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2562992614366361069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/01/em-nossas-mos.html' title='Em nossas mãos'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SXNUQjndLlI/AAAAAAAAAI8/ymqSsgxbjno/s72-c/sem+t%C3%ADtulo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-8759835524114325800</id><published>2009-01-14T00:06:00.002-03:00</published><updated>2009-01-14T00:15:34.327-03:00</updated><title type='text'>perdoando as palavras</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SW1YfOzDnyI/AAAAAAAAAI0/7O5uS3C_Czg/s1600-h/bras%C3%ADlia-+trabalho+097.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5290982430801633058" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SW1YfOzDnyI/AAAAAAAAAI0/7O5uS3C_Czg/s400/bras%C3%ADlia-+trabalho+097.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu ando desconfiada das palavras. Acho que elas me usam. Atropelam-me sem que muitas vezes eu sequer tenha ousado atravessar o curso do desejo. Quanto mais te quero, tergiverso, sem rima, nem misericórdia. Sento ao teu lado, teus olhos buscando os meus na nossa compactuada escuridão, o calor das tuas mãos em minha direção e uma frase despenca: seremos bons amigos né? Elas saltam da minha boca e se lançam impiedosas na sua (nossa) direção. De onde elas surgiram, minhanossasenhora? Você me olha, o homem das palavras poucas, e as toma em suas rédeas. Elas, as suas palavras-cancela permanecem com você. Tento alcançar algumas letras que possam flutuar em minha direção e te encontro silenciado. Você artesão de ditos feito gesto, feito corpo. Eu tão sentimental, de coração saliente. Estamos enlaçados na Linha da Serra. Eu estou apaixonada por você – eu consegui, eu consegui dizer! Como pedra rolando no despenhadeiro, outra frase dispara em seguida: mas, eu tô com vontade é de sair correndo até Canindé...! Repentinamente, tuas mãos caminham até minha boca e vedam a passagem. Teus dedos sustentam a minha confissão em estado bruto: eu estou apaixonada por você. Em seguida, você recolhe a palavra fugitiva e a adverte; “não adianta, vou correndo até aonde você chegar”. Agora, sou eu capaz de seguir em disparada no rumo dessas palavras, recolhendo-as do lugar da minha inexatidão, dos desvarios da eterna menina desastrada. Eu sou perceptiva. As palavras que teclo, agora me olham de soslaio, desconfiadas de mim. Faremos as pazes, no preciso instante em que eu as use para te dizer de mim, de você, para mais nada dizer. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-8759835524114325800?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/8759835524114325800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=8759835524114325800' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/8759835524114325800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/8759835524114325800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/01/perdoando-as-palavras.html' title='perdoando as palavras'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SW1YfOzDnyI/AAAAAAAAAI0/7O5uS3C_Czg/s72-c/bras%C3%ADlia-+trabalho+097.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-1263771029056035594</id><published>2009-01-09T01:11:00.005-03:00</published><updated>2009-01-09T08:20:45.248-03:00</updated><title type='text'>Amigas</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SWbQ0A_JujI/AAAAAAAAAIs/2BlrZJIq5k0/s1600-h/isa+jogada.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5289144404429879858" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 285px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SWbQ0A_JujI/AAAAAAAAAIs/2BlrZJIq5k0/s320/isa+jogada.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ela nasce junto comigo. No escuro, tambores produzem um som simulando os movimentos da respiração. A voz forte e quente de Milton Nascimento ressoa rasgando o ano de 1987 - “tudo que move é sagrado”. Fecho os olhos e percebo a presença dela, o lúmen de sua vida ali anunciada feito música, feito sinfonia de seres encantados. Nove meses depois, chega Isadora. Após uma leitura intensiva da biografia de Isadora Duncan, marcada recorrentemente pela indagação – por que nunca dancei? Ela vem ao mundo ensaiando seus próprios movimentos, embalada por passos tão marcadamente dela, em coreografias de vida que se arriscam para além da ponta dos pés. Eu vi, logo. Quando chora o nascimento, abro os olhos e sou apresentada aquela criaturinha apinhada de brotoejas, faminta e cheia de orgulho por ser dona do dedo que a consolava cada vez que o levava à boca. Desconcertava-me diante de sua presença. Seu choro eram torrentes de dor, anúncios de fome em alto volume, sirenes da vontade imperiosa de ser acalentada. Onde ficaram todos os meus desejos sem-vergonha, distantes da racionalidade prevista? Eu desisti antes de tanto coisa. Isadora, nunca! Que acontece com essa meninha que apenas come quando tem vontade, que passa quase o dia todo dispondo do meu leite, que aponta muito cedo o dedo para o mundo ao seu redor e repete, até a exaustão: eu quero, eu quero, eu quero! Cada chupeta que eu tentava substituir pelo dedo, ela expulsava da boca com uma cara banhada de indignação. Então, criei estratégias. Molhava de leite a ponta da chupeta, de mel e ela sofisticava também suas expressões de rejeição. Eu me perdia diante das minhas escolhas apartadas dos indícios de vontade. Não sabia o que havia feito de mim quando ela anunciou o seu pavor de fantasmas. Eles retornaram e povoaram nossa fragilidade de meninas. Minha mão agarrada a dela dizia da certeza do mistério e da presença daquilo que a gente nunca consegue ver e nos espreita. Esses fantasmas entraram em nossas vidas por um tempo que não se conta. Abancaram-se entre nós. Cada uma encontrou formas de driblar o temor da escuridão. Você dizendo-se sozinha e eu acreditando no tanto de gente que me rodeava. Eu me fazendo sozinha e você teia de afetos em profusão. Hoje, você está aqui ao meu lado. Enquanto escrevo você assiste na cama um filme sobre Jim Morrinson. Na sua escrivaninha, há um porta-retrato com a foto de duas mulheres encantadas uma com a outra, de riso sorrateiro e uma expressão de quem ama muito e se sabe amada. Logo acima, uma palavra aparece redundante: amigas. Eu nasci junto com ela. Eu vi, logo. Nós, não desistimos né Isadora? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-1263771029056035594?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/1263771029056035594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=1263771029056035594' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/1263771029056035594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/1263771029056035594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/01/amigas.html' title='Amigas'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SWbQ0A_JujI/AAAAAAAAAIs/2BlrZJIq5k0/s72-c/isa+jogada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-2091933428709010957</id><published>2009-01-04T00:00:00.003-03:00</published><updated>2009-01-04T00:16:53.166-03:00</updated><title type='text'>A delicadeza</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SWAp5u1Rz6I/AAAAAAAAAIk/ON36T-dOVrQ/s1600-h/delicadas+asas-de-borboleta.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5287272034333740962" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 380px; CURSOR: hand; HEIGHT: 252px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SWAp5u1Rz6I/AAAAAAAAAIk/ON36T-dOVrQ/s400/delicadas+asas-de-borboleta.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Fileira de corpos contra a multidão&lt;br /&gt;O medo&lt;br /&gt;Tua mão na minha mão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pés no chão nem tanto fincados&lt;br /&gt;Um toque&lt;br /&gt;Meus braços em tua direção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fogos pintando o mar&lt;br /&gt;O calor&lt;br /&gt;Teus dedos em meus cabelos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O beijo do Aterro&lt;br /&gt;Líquido&lt;br /&gt;Irrompe janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tuas asas&lt;br /&gt;Coladas ao meu corpo&lt;br /&gt;Prenúncios de explosão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol recolhe as intenções&lt;br /&gt;Fica nítido&lt;br /&gt;O medo na tua mão&lt;br /&gt;O medo na minha mão&lt;br /&gt;É primeiro, o dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Para o homem que enxerga)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fortaleza, do ano da graça de 2009&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-2091933428709010957?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/2091933428709010957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=2091933428709010957' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2091933428709010957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2091933428709010957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2009/01/delicadeza.html' title='A delicadeza'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SWAp5u1Rz6I/AAAAAAAAAIk/ON36T-dOVrQ/s72-c/delicadas+asas-de-borboleta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-759950211655617810</id><published>2008-12-29T01:53:00.014-03:00</published><updated>2009-01-01T23:48:41.829-03:00</updated><title type='text'>O seu ano é novo?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SVhZhf6ebvI/AAAAAAAAAIM/BJKAzmx01mc/s1600-h/ano+novo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5285072594756595442" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 148px; CURSOR: hand; HEIGHT: 123px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SVhZhf6ebvI/AAAAAAAAAIM/BJKAzmx01mc/s400/ano+novo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;É exatamente meia-noite. Procuro as palavras e encontro o silêncio. Um domingo-segunda. Estou no décimo primeiro andar e vejo Fortaleza por todos os lados. Diante dos meus olhos, um avião acaba de decolar em direção ao céu apinhado de estrelas. A vastidão me cerca. Finalmente, posso manter os pés acima do chão. Encontrei um lugar no mundo sem a mínima conexão com o espaço. E não é aqui, é um todo canto em que viajo e volto. Sou andante como as águas de um rio. Margeada apenas por um guarda-corpo que cria uma imagem turva de limite, de fronteira. Não sabia que além de guarda-roupa também inventariam algo denominado guarda-corpo - um muro vazado que circunda espaços da cobertura de edifícios. Acho que sabem o que fazem, nem sei o que seria se não houvesse entre o céu e a amplidão esse artifício criado para me guardar. É que não tenho um lugar nesse mundo, já disse. Sou de passagem, todos os dias do ano. Eu invento o novo e acabo atravessando cada dia que tropeço. Por muito tempo, sequer conseguia estar nas alturas. Onde segurar? Imaginava, com uma certeza mais que justa, que seria irremediavelmente lançada ou levada pelo vento. Nem sabia de Deus. Mudou. Ele sabe de mim. Fico próximo do precipício e me misturo à paisagem. Estou conectada. Fios de afetos de todas as cores, espessuras e tamanhos me vinculam e me cobrem. Encontro-me nos tantos de amores que me visitam e ficam. São eles que ligam a terra e nunca, ou quase nunca soltam o fio da pipa que ganha os céus a cada vento. Pequenos novelos de delicadezas, cuidados, encantamentos e enlaçamentos. Ontem mesmo, ao beijar um amor partido me deixei ir. Dói saber que vai e fica. Acabei de me distrair no enlevo do sabor quente desse beijo. “Eu faço os versos e nem rasgo”. Para que? Pois como eu vinha dizendo, gosto mesmo é da festa do ano novo. Corro, corro e fico hipnotizada com os fogos de artifícios e as lágrimas caem embaladas por tanta beleza. Eu sou grata, sempre fui. Esses fios me nutrem e me afagam inclusive os que se foram. Em cada dia desse ano eu me vi em lugares que guardam um mesmo nome: amor. Isso mesmo, amor, sem nenhum temor em ser piegas. Sem distinção de quantidade, tamanho e volume nomeio alguns deles: Isadora, Neide, Osmar, Tiago, Alex, Davi, Lucas, Bruna, Ceiça, Lucíola, Pedro, Márlia, Mariana, Cristina, Crisvany, D. Cosminha, Léo, Lídia, Camila, Gigio, Thiago, Márcia, Ana(s), Pryscilla, Fayga, Cláudia, Lana, Carol (s),Germana, Tainá, Joyce, Bety, Fabiana, Paulo, André...&lt;br /&gt;Um brinde à vida, nova apenas quando sentimentos em doses altas fazem vicejar, todos os dias, o gosto de reinventá-la. Um brinde ao mundo que vejo aqui de cima e me acolhe, mesmo que o medo permaneça. Agora, o relógio marca 1.15 da madrugada do dia 29 de dezembro. Estou só e povoada. Lá fora, sem nenhuma rajada de fogos vejo um sinal: eu fiz essa passagem. É novo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-759950211655617810?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/759950211655617810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=759950211655617810' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/759950211655617810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/759950211655617810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/12/o-seu-ano-novo.html' title='O seu ano é novo?'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SVhZhf6ebvI/AAAAAAAAAIM/BJKAzmx01mc/s72-c/ano+novo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-7905281769519117621</id><published>2008-12-26T23:48:00.005-03:00</published><updated>2008-12-27T00:42:31.335-03:00</updated><title type='text'>Acende a luz, meu bem!</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SVWek0hiimI/AAAAAAAAAHk/GIAQavWdRF0/s1600-h/cordilheira.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5284304093200943714" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SVWek0hiimI/AAAAAAAAAHk/GIAQavWdRF0/s320/cordilheira.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era tarde&lt;br /&gt;Meus dedos sequer sabiam tocar as mesmas teclas, as mesmas cordas&lt;br /&gt;Estavam mudos&lt;br /&gt;Não há música a embalar o desassossego de mim sem você&lt;br /&gt;E meus ouvidos perderam o tato do amor que se ausentou&lt;br /&gt;Preservado de nós dois&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decretamos a noite&lt;br /&gt;Meus olhos arriscam em te ver mesmo no escuro&lt;br /&gt;Eles nos escutam&lt;br /&gt;Uma canção lança o farol sobre a nossa extensiva paisagem amorosa&lt;br /&gt;E meu olhar te abraça em cada corpo presente&lt;br /&gt;Fugitivo de nós dois&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alteramos os dias&lt;br /&gt;Minha-tua natureza frágil não tem como escapar do medo&lt;br /&gt;Ele nos revela&lt;br /&gt;Uma melodia romântica é capaz de nos deixar no chão&lt;br /&gt;Tuas mãos tão geladas e aflitas quanto as minhas&lt;br /&gt;Teimosamente, disfarçadas de nós dois&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trégua:&lt;br /&gt;Para onde fomos que não nos levamos?&lt;br /&gt;Eu uso a poesia para contrariar o tempo!&lt;br /&gt;E você meu bem, por onde o deixou escorrer?&lt;br /&gt;Eu uso as palavras para espantar o eco da tua presença!&lt;br /&gt;“Ainda é cedo, amor”! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-7905281769519117621?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/7905281769519117621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=7905281769519117621' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/7905281769519117621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/7905281769519117621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/12/acende-luz-meu-bem.html' title='Acende a luz, meu bem!'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SVWek0hiimI/AAAAAAAAAHk/GIAQavWdRF0/s72-c/cordilheira.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-1237732063673711744</id><published>2008-12-22T03:04:00.006-03:00</published><updated>2008-12-22T10:01:12.417-03:00</updated><title type='text'>responda: você acredita em fadas?</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SU8ufV4DOxI/AAAAAAAAAHc/b4Q6pClE-h4/s1600-h/ip%C3%AAs.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5282492003911940882" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 221px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SU8ufV4DOxI/AAAAAAAAAHc/b4Q6pClE-h4/s320/ip%C3%AAs.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Hoje, desci a Serra&lt;br /&gt;Uma paisagem verdinha, verdinha era salpicada por ipês amarelo-sol&lt;br /&gt;Entremeando-se à beleza da mata e do mistério&lt;br /&gt;Um aqui, outro acolá mais cheio de folhas, inundava meu olhar a cada curva&lt;br /&gt;Feito aquarela que se derrama&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Encontrei o verde em festa e fiquei sem jeito com aquela graça &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não sou fadinha dos desejos, como diz Bruna&lt;br /&gt;(uma menina de sete anos que diz ser preciso muitas fadinhas para vencer uma única fada malvada)&lt;br /&gt;Poderia ter visto disfarçado em verde o amarelo dos ipês&lt;br /&gt;Durante todos os outros meses do ano &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma fada deve pressentir por onde cada cor se esconde e se revela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia de tempo recente, saltei logo, logo que vi amarelo sob qualquer possibilidade de nos dois&lt;br /&gt;Não sei qual seria o manto a cobrir um dueto amoroso&lt;br /&gt;Confesso, faltou qualquer cor que me desse alguma explicação&lt;br /&gt;Apenas duas coisas eu entendi, descendo, descendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo muda a cor do desejo&lt;br /&gt;Mesmo que reserve o verde sob palavras de paisagens áridas&lt;br /&gt;Feito incerteza que se derrama&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei você em cada ponto da serra&lt;br /&gt;Tangenciando a curva do meu olhar em tua direção&lt;br /&gt;Mesmo que o segredo continue imerso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vou plantar um Ipê amarelo bem no pátio da minha vastidão!&lt;br /&gt;Você sobe a serra comigo? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-1237732063673711744?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/1237732063673711744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=1237732063673711744' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/1237732063673711744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/1237732063673711744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/12/responda-voc-acredita-em-fadas.html' title='responda: você acredita em fadas?'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SU8ufV4DOxI/AAAAAAAAAHc/b4Q6pClE-h4/s72-c/ip%C3%AAs.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-8075382966260852296</id><published>2008-12-18T01:47:00.003-03:00</published><updated>2008-12-18T01:55:16.631-03:00</updated><title type='text'>Escritura do desejo</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SUnWv2_7paI/AAAAAAAAAHU/kjbMnY15QAM/s1600-h/casablanca.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280988155774477730" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 246px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SUnWv2_7paI/AAAAAAAAAHU/kjbMnY15QAM/s320/casablanca.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Escrevo&lt;br /&gt;Saciada de abundância&lt;br /&gt;Desnutrida por excesso&lt;br /&gt;Escrevo-te&lt;br /&gt;Desejada de ti&lt;br /&gt;Plantada aos teus pés&lt;br /&gt;Escreva-me&lt;br /&gt;Embriagado de mim&lt;br /&gt;Tatuada em cada ponto do teu corpo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-8075382966260852296?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/8075382966260852296/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=8075382966260852296' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/8075382966260852296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/8075382966260852296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/12/escrevo-saciada-de-abundncia-desnutrida.html' title='Escritura do desejo'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SUnWv2_7paI/AAAAAAAAAHU/kjbMnY15QAM/s72-c/casablanca.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-161335967247379315</id><published>2008-12-17T02:15:00.012-03:00</published><updated>2008-12-17T11:42:00.461-03:00</updated><title type='text'>As dobras da glória</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SUiMCCe_xTI/AAAAAAAAAHM/02dAAqlH1ts/s1600-h/estrela+dalva+de+bel%C3%A9m.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280624529746412850" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 214px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SUiMCCe_xTI/AAAAAAAAAHM/02dAAqlH1ts/s320/estrela+dalva+de+bel%C3%A9m.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; flor: estrela d'alva de belém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Fora de mim:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(Luzes de todas as cores pontilham a cidade e enunciam o natal. Um fervilhão de gente povoa shoppings, aeroportos, bares, danceterias, avenidas e points; de todos os gostos e estilos. Apartamentos e casas recebem novas pinturas, os salões de beleza aglomeram-se, é frenética a busca por roupas e acessórios a serem exibidos nas ceias natalinas. Presentes são comprados para trocas em amigos-secretos sem distinção de gosto e afinidade. É preciso correr, é preciso passar, é preciso buzinar, xingar o outro que não se locomove rapidamente no fluxo abundante de carros. A fraternidade ganha cores nas prateleiras. Papai Noel de tudo que é tipo, estatura e fardamento é visitado em cada shopping da Cidade. Um deles chegou de helicóptero e deu autógrafos; não perdendo para nenhum &lt;em&gt;pop star&lt;/em&gt;. Filas de crianças aglomeram-se para apenas apertar a mão, sentar um pouco no colo e concretizarem, finalmente, o pedido de natal. Muito prático, porque os pais e mães, já no shopping providenciam os sonhos de natal de seus filhos. Nos semáforos, famílias, com crianças de todas as idades amontoam-se e esperam a caridade dos passantes. Os vidros fumes e a velocidade dos veículos, evidenciam a pressa; a solidariedade não tem como descer nas ruas. De vez em quando, alguém decide fazer sua caridade anual e uns presentes comprados em série, são doados, tão rapidamente como o tempo entre o vermelho e o verde. Uma indiferença desenha o invólucro entre os mundos que passeiam dentro dos carros e os sonhos adiados do lado de fora. Um abismo, cujo limite é o deslocamento e a barreira é medo. Eu não encontro lugar.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dentro de mim:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Tomo-me pela mão e percebo que o tempo é de natalidade. Algo morre, para que outras coisas possam dar passagem. O mundo fica tão nítido, tão nítido que os olhos quase não suportam. Por que muitos passam e não vêem? Dores, fomes, misérias e solidões estampam-se em cada esquina, praça, pedágio pedindo uma dose pequena de humanidade. Eu entendo tanto o “Ensaio sobre a cegueira”. Entendo por um excesso cotidiano de visão que refina o meu olhar espalhado por frestas do corpo. Olhos fincados em cada ponto de sensação. Por isso, nenhuma venda conseguiria esconder o que pressinto no mínimo ruído de indiferença e esquecimento. Um fio invisível me interliga a cada passante desconhecido, um fio que vibra e produz uma sinfonia de sensações difusas e desafinadas. O que dizer, que boa nova enunciar? Uma estrela sinaliza no meu céu – nasce a eterna criança, mesmo que os olhos doam e ela seja tomada por súbitas ondas de desvanecimento. Essa criança, como diz Fernando Pessoa (Alberto Caeiro) “Dá-me uma mão a mim e a tudo que existe”. Ensina-me um jeito simples de fazer esperança com o coração na ponta dos dedos. Quando tem sono, já cansada ela pede um lugar quente para dormir e eu entôo a sua preferida canção de ninar: “dorme minha pequeninha, dorme que a noite já vem, tua mãe (pai) tá muito sozinha de tanto amor que ela tem”. Eu velo seu sono, banhada de ternura. Antevejo sua vontade de fazer nascer outros mundos sacudindo os sonhos, bem acordada. E como já disse, tomo suas mãos e ela me abraça os dedos. Adormecemos em um só corpo, enlaçadas como apenas convém a uma criança e uma poeta. Um lugar nos abriga. O milagre amanhecerá todos os dias. Feito força em comunhão. É natal.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-161335967247379315?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/161335967247379315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=161335967247379315' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/161335967247379315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/161335967247379315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/12/o-natal-em-dobras.html' title='As dobras da glória'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SUiMCCe_xTI/AAAAAAAAAHM/02dAAqlH1ts/s72-c/estrela+dalva+de+bel%C3%A9m.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-7631636409933350272</id><published>2008-12-13T10:59:00.006-03:00</published><updated>2008-12-14T00:14:14.038-03:00</updated><title type='text'>Devir</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SUPAN9e6pKI/AAAAAAAAAHE/asjSX68cVAs/s1600-h/fogos%2Bde%2Bartif%C3%ADcio.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5279274534283420834" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 256px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SUPAN9e6pKI/AAAAAAAAAHE/asjSX68cVAs/s320/fogos%2Bde%2Bartif%C3%ADcio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em cada mínimo lugar da palma da minha mão há um traço da tua imanência lacrada com nome de destino. Sem imaginar meu silêncio povoado de palavras, meu corpo protegido por beijos de passagem, você fez a loucura de me tomar às mãos e desenhá-las com a ponta dos teus dedos. Desvaneci reservada, como é típico das rainhas e vi pontilhar no céu um clarão de fogos de artifício. Estrelinhas de luzes brilhantes e cheias de faíscas, sem as minhas costumeiras explosões. Você vinha de novo e eu deixava entrar.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;(Tão mais fácil correr, mesmo inerte, se cada uma das mãos ficasse esquecida e teu corpo buscasse através do meu apenas aplacar a fome e o frio! Você veio, pelo contrário, com o riso solto e os olhos pregados nos meus e me disse do mais lindo que permanece em você. Falou do seu cavalo alado, que tinha um nome pássaro e de como foi difícil se apartar dele. Contou-me, cheio de orgulho, que foi proprietário de um mini-posto, com elevador para lavagem dos carros em miniaturas e ainda de um autorama do tamanho da sala. Derramou palavras sobre o encanto de brincar, o tempo que se esvai no frenesi do dia a dia e os tantos álbuns incompletos de figurinhas. Rimos das nossas buscas por figurinhas difíceis, por tentarmos no bafo alcançar finalmente a que nos faltava. Mencionei minha coleção de caixa de fósforos, a cidade de bonecas e a certeza de voar entre as paredes do corredor da casa. E a minha criança e a tua se deram tão bem!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem gente que não gosta nada quando digo: pressinto o que há de vir. Não demanda ser vidente não. Basta seguir os sinais de intensidade que o corpo guarda e vibra. Aprendi muito cedo a ler esses inusitados desígnios. Se pelo menos, tuas mãos tivessem soltado as minhas antes e depois. Se houvesse pressa em buscar algo fora de nossas mãos. Tu foste ficando até se fazer zero a contagem regressiva para o novo. Chegastes antes do dia, nesse ano que permanece e parte. Com tuas mãos quentes, firmes como de agricultores que cultivam o que comem; tu foste unindo cada ponto solto e ermo de nós dois. Desenhando dedo a dedo um bordado entre alma e desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém leu o nosso destino. Nem os búzios, nem as cartas, nem era prevista tua vinda em qualquer trânsito astrológico. Foram teus dedos nos meus, brincando no céu de dezembro, que te conduziram até a mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando você chegar, tome minhas mãos e eu saberei. Olharei para o céu e no meu corredor não mais tão estreito, estará voando livre o teu cavalo alado. Direi: sinto-me tão bem ao teu lado. Você responderá: eu também. Apenas isso. Esse é um ano novo!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-7631636409933350272?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/7631636409933350272/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=7631636409933350272' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/7631636409933350272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/7631636409933350272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/12/estava-escrito.html' title='Devir'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SUPAN9e6pKI/AAAAAAAAAHE/asjSX68cVAs/s72-c/fogos%2Bde%2Bartif%C3%ADcio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-1536780706755690208</id><published>2008-12-09T11:50:00.005-03:00</published><updated>2008-12-09T12:03:41.775-03:00</updated><title type='text'>Perda Preciosa</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/ST6ImHTZEuI/AAAAAAAAAG8/VhdWAy9_rEc/s1600-h/untitled.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5277806001701589730" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 213px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/ST6ImHTZEuI/AAAAAAAAAG8/VhdWAy9_rEc/s320/untitled.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/ST6H0tS2GBI/AAAAAAAAAG0/_TrynTpXSjE/s1600-h/untitled.bmp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Encontrei uma pérola no caminho.&lt;br /&gt;Tímida e inundada de brilho.&lt;br /&gt;Ela dançava fora de sua concha&lt;br /&gt;Eu dentro da minha&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-1536780706755690208?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/1536780706755690208/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=1536780706755690208' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/1536780706755690208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/1536780706755690208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/12/perda-preciosa.html' title='Perda Preciosa'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/ST6ImHTZEuI/AAAAAAAAAG8/VhdWAy9_rEc/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-8740660330654492064</id><published>2008-12-08T00:05:00.001-03:00</published><updated>2008-12-08T00:09:56.021-03:00</updated><title type='text'>oscilação de temperatura</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/STyP2o-XbCI/AAAAAAAAAGc/ZKNqL__iGU4/s1600-h/rel%C3%A2mpago.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5277251032246086690" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 213px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/STyP2o-XbCI/AAAAAAAAAGc/ZKNqL__iGU4/s320/rel%C3%A2mpago.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Faz silêncio.&lt;br /&gt;Não quero dar explicações. Faltam-me palavras para certas coisas. Quem passa lá fora não consegue ver. Continua chovendo dentro de casa. O náufrago sequer envia mensagens na garrafa. Não há mais nada a ser salvo. O desamor rompeu a barragem. Eu mesma, nesse momento, me protejo como posso com os pés acima do chão. Nunca aprendi a nadar em águas revoltas. Agora, chovo. Ver por dentro provoca precipitações. Calma. Eu nasci sabendo voar. Não tenho pressa. O descobridor dos sete mares passará por mim e me navegará. Meu corpo fundará uma nova terra. Meus olhos dirão. Seus olhos me aquecerão. Ele sabe ler sinais. Haverá mudança de tempo. È verão. Aqui dentro, quarenta graus. Descansarás tuas pernas entre as minhas.&lt;br /&gt;Faz silêncio. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-8740660330654492064?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/8740660330654492064/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=8740660330654492064' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/8740660330654492064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/8740660330654492064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/12/oscilao-de-temperatura.html' title='oscilação de temperatura'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/STyP2o-XbCI/AAAAAAAAAGc/ZKNqL__iGU4/s72-c/rel%C3%A2mpago.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-1803255415341906003</id><published>2008-12-01T01:35:00.004-03:00</published><updated>2008-12-01T01:52:34.608-03:00</updated><title type='text'>Ex-voto?</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/STNtAtwPWQI/AAAAAAAAAFc/iGjITruXSYY/s1600-h/DSC01195.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5274679447630338306" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/STNtAtwPWQI/AAAAAAAAAFc/iGjITruXSYY/s320/DSC01195.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;(primeira versão)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomei os contornos do meu coração e o afixei num papel roto&lt;br /&gt;Guardado em cofre, do lado da Nossa Senhora Desatadora de Nós&lt;br /&gt;Havia de existir milagre!&lt;br /&gt;Se havia!&lt;br /&gt;Caso o deixasse entre braços, pernas, dedos, costas e rostos de graças alcançadas&lt;br /&gt;Ele bem que poderia ter salvação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio é o sal da redenção&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posicionei-o na prateleira&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não tão destacado&lt;br /&gt;Não me tomem como desalmada,&lt;br /&gt;Isso não sou!&lt;br /&gt;Tive toda a delicadeza e zelo&lt;br /&gt;Embora bem cansada&lt;br /&gt;Não dei as costas e nem fingi desconhecê-lo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tantos outros que aguardam obstinados em prateleiras de fé&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coloquei-o entre uma mão fechada, de boa aparência&lt;br /&gt;e uma boca que deveria estar ali por ter calado.&lt;br /&gt;Dos males o menor,&lt;br /&gt;Amar em demasia povoa e funda poemas.&lt;br /&gt;É preciso cuidado com o pedido alcançado&lt;br /&gt;E se o amor se esvai de vez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo tem me assustado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem precisa preocupação, piedade muito menos&lt;br /&gt;Pois ele sabe que os calendários apenas imitam o tempo&lt;br /&gt;E o meu (nosso) “coração é cristalino, mais duro que diamante”&lt;br /&gt;Resiste sereno e confiante.&lt;br /&gt;Resta apenas ultrapssar o abismo&lt;br /&gt;Eu sou eu, você é você: acreditamos em milagre?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-1803255415341906003?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/1803255415341906003/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=1803255415341906003' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/1803255415341906003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/1803255415341906003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/12/ex-voto.html' title='Ex-voto?'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/STNtAtwPWQI/AAAAAAAAAFc/iGjITruXSYY/s72-c/DSC01195.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-8342524438954258901</id><published>2008-11-28T00:09:00.005-03:00</published><updated>2008-11-28T09:27:36.084-03:00</updated><title type='text'>Imprevisão de tempo</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SS9hvxoG3DI/AAAAAAAAAFU/rkvyccKYXWA/s1600-h/rio+20008+076.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5273541162077445170" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SS9hvxoG3DI/AAAAAAAAAFU/rkvyccKYXWA/s320/rio+20008+076.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Impossível ver o Redentor entre as névoas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o amor nunca acaba, muito menos eu.&lt;br /&gt;Que de turva e abstrata não tenho nada,&lt;br /&gt;Sou escovada feito aço&lt;br /&gt;E dobrável na medida em que vale o tempo de trégua&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O avião sobrevoa o Rio entrecortando nuvens carregadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor essa linguagem de sinais sem códigos:&lt;br /&gt;Em silêncio você me falava&lt;br /&gt;Feito farol alumiando a terra.&lt;br /&gt;E eu respondia muda e incendiada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chove na Lapa e meu corpo não espera&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Danço gafieira inebriada entre tantas mãos&lt;br /&gt;Um desconhecido me toma pela cintura&lt;br /&gt;Pernas se movem uma na outra em ritmo de festa&lt;br /&gt;E eu vendo (ainda) tua beleza em cada ponto branco da tela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bondinho do Pão-de-açucar parou na Urca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há previsão de mudança de tempo&lt;br /&gt;Apenas a permanência de um desencontro retomado&lt;br /&gt;Entre as névoas&lt;br /&gt;Você me vendo em fortaleza e eu te trazendo num veloz barco à vela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-8342524438954258901?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/8342524438954258901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=8342524438954258901' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/8342524438954258901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/8342524438954258901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/11/impossvel-ver-o-redentor-entre-as-nvoas.html' title='Imprevisão de tempo'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SS9hvxoG3DI/AAAAAAAAAFU/rkvyccKYXWA/s72-c/rio+20008+076.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-7050314166286976511</id><published>2008-11-24T01:51:00.002-03:00</published><updated>2008-11-24T01:53:13.975-03:00</updated><title type='text'>Rio, eu gosto de você!</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SSozAjrG0JI/AAAAAAAAAFM/38uJqcHw7mU/s1600-h/P4060059.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272082398459646098" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SSozAjrG0JI/AAAAAAAAAFM/38uJqcHw7mU/s320/P4060059.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;                                            &lt;span style="font-size:85%;"&gt;Foto: Glória&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;“Minha alma canta” e o meu corpo sabe quando vai chegando ao Rio. Os momentos que antecedem esse reencontro são semelhantes à tensão do desejo do abraço de um amante amoroso que resiste ao tempo e a distância. “Um lugar para fazer feliz a quem se ama”. O Rio sabe de mim e eu me entrego a essa intimidade. Quem for só um pouquinho observador, vai reparar no mais rápido lance de visão: meus olhos tornam-se espelhos, meu corpo acende uma curiosa vontade de misturar-se à paisagem e de se entregar às correntezas de um “rio que (nunca) passa em minha vida”. Da janela da “São Francisco Xavier” podia, todos os dias, ver o “Redentor”! Esse Rio- imagem de uma beleza que escorrega, fricciona o corpo e ativa “a menina que vem e que passa”, despudoradamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu imagino, seria um perigo se eu morasse nessa cidade! Fazia sociologia nada, acho que seria dona de boteco, artista plástica ou mesmo dançarina de gafieira. Eita, bem melhor, nem teria que ser tão cuidadosa com as palavras, elas poderiam ritmar os sambas enredos das escolas nos dias de carnaval. Podia ainda ser “a mais bonita das cabrochas de uma ala”. Pra que melhor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Rio, você foi feito pra’ mim”, e não é conversa mole não. O radar do meu corpo sabe reconhecer os que se dissolvem na paisagem, os que beijam demorado, como quem tem sede. Assim me movo por seus aterros, baía e túneis. Um deslizamento mistura as imagens volumosas, das curvas tangenciando morros e montes com gestos e movimentos que me são tão familiares.Da última vez, ia distraída pela calçadão de Ipanema e, de repente, a vista turvou, lá vinha o Chico Buarque. “Olhos nos olhos” e eu sem saber o que fazia, ai, eu só gemi – ooooooooh! Chico. Ele riu, de mansinho, apressando o passo. Ali, me solto mesmo; fico faceira e nem tenho vergonha disso. “O apito da fábrica de tecidos vem ferir os meus ouvidos e eu me lembro de você”; a Vila Isabel e infância de minha mãe ao som do violão de um Noel Rosa magro e tímido nas calçadas. O ressoar dos tamborins do morro da Mangueira e os gritos de gol do Maracanã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdão, essa semana os escritos ficarão jogados ao vento, literalmente. Durante o dia, nem pensar, o Congresso Mundial será rico e intenso; as noites na Lapa, os botecos em cada esquina, o vento da Barra me impedirão. Perdão mesmo vou saindo, agora, tô indo para o Rio de Janeiro, “morrendo de saudades”. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-7050314166286976511?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/7050314166286976511/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=7050314166286976511' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/7050314166286976511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/7050314166286976511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/11/rio-eu-gosto-de-voc_24.html' title='Rio, eu gosto de você!'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SSozAjrG0JI/AAAAAAAAAFM/38uJqcHw7mU/s72-c/P4060059.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-5783866511902156536</id><published>2008-11-22T11:35:00.002-03:00</published><updated>2008-11-22T11:48:50.222-03:00</updated><title type='text'>De olhos bem abertos</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SSgZV8ipw4I/AAAAAAAAAEs/Fe6QX_coKtc/s1600-h/Luis+augusto+Jungman.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5271491228656583554" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SSgZV8ipw4I/AAAAAAAAAEs/Fe6QX_coKtc/s320/Luis+augusto+Jungman.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A aquarela subiu a linha da serra. Tudo verde, tão verde que o mato parecia derramar-se sobre o asfalto e perfurar de mansinho o amor que foi ficando cinza. Eu consenti? Uma cor pode encobrir às outras como anteparo de vida? Imagino que a tristeza é monocromática, assim como a desesperança. Cada curva de subida anunciava a boa nova: vermelhos exibidos feito batom carmim, azuis de anil, de céu em ventania, amarelos feito favos de mel. Eu era cega “ou me fazia”? Tudo aquilo sempre esteve ali e agora que eu via?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os galos tinham penas brilhantes, a folha da zabumba lambia o caminho, a horta do Zé Maria exibia uma couve grandona que nem vitória-régia, o bebum dormia desde o outro dia, o açude do M. Dias tinha água até a barragem, a grama já recobria a terra do quintal e os abacates pareciam pérolas verdes enfeitando a pequena árvore. Onde estive que nada me invadia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Cosminha, a senhorinha de noventa anos, minha amiga da Linha bem que já havia me prevenido - felicidade é sentir-se grata todos os dias. E eu estava bem mais que isso. Consegui receber as dádivas e tomá-las como alimento e festa. Vontade de pegar a manga entre as mãos rasgá-la e chupar até o amarelo deslizar. De preferência sentada na pedra marrom-esverdeada que permite debaixo da árvore vislumbrar serra e sertão. Assim fiz. E lá fiquei por um tempo. Depois, experimentei olhar outra paisagem.  Agora, de olhos fechados vejo todas as cores.  Será que é isso que chamam de alegria? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-5783866511902156536?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/5783866511902156536/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=5783866511902156536' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/5783866511902156536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/5783866511902156536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/11/alegria-de-todas-as-cores.html' title='De olhos bem abertos'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SSgZV8ipw4I/AAAAAAAAAEs/Fe6QX_coKtc/s72-c/Luis+augusto+Jungman.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-2402993944371700423</id><published>2008-11-20T01:37:00.014-03:00</published><updated>2008-11-20T09:24:08.063-03:00</updated><title type='text'>travessia do fantasma (para todos criadores e criadoras das artes de viver)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SSTvkxt1LdI/AAAAAAAAAEk/MhzWrZUEmBM/s1600-h/picasso.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5270600879030218194" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 246px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SSTvkxt1LdI/AAAAAAAAAEk/MhzWrZUEmBM/s320/picasso.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Tomei-me pelas mãos com o coração em disparada&lt;br /&gt;Assim que presenciei a morte retirar-se&lt;br /&gt;Eu, irremediavelmente viva e ela, já sem olhos para ver&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cada uma seguindo a sina da partida &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não mais&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela pensando que me alimentava&lt;br /&gt;E eu imaginando que a conduzia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Findou-se o infinitivo dos verbos, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Morrer de vida&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Viver de morte&lt;/div&gt;&lt;div&gt;coisa apartada da outra&lt;/div&gt;&lt;div&gt;uma mãe, a outra cria&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Some do alcance da vista&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o fastasma assustado por sua sombra&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em plena escuridão do dia&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;é outra hora&lt;/div&gt;&lt;div&gt;um outro tempo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eros é também silêncio, solidão e vácuo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;entrelaçados em sintonia&lt;/div&gt;&lt;div&gt;um só corpo, uma só carne&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o imperitivo fértil se prenuncia &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Criar, criar, criar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não é essa a única garantia?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;os anjos no ceú e no inferno proclamam a nossa glória!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-2402993944371700423?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/2402993944371700423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=2402993944371700423' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2402993944371700423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2402993944371700423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/11/travessia-do-fantasma.html' title='travessia do fantasma (para todos criadores e criadoras das artes de viver)'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SSTvkxt1LdI/AAAAAAAAAEk/MhzWrZUEmBM/s72-c/picasso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-2438831104080134998</id><published>2008-11-18T00:08:00.004-03:00</published><updated>2008-11-18T00:26:27.463-03:00</updated><title type='text'>Que não precise arder tanto</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SSI10oiMryI/AAAAAAAAAEU/ALRowfsZvPc/s1600-h/chili.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5269833692327227170" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 121px; CURSOR: hand; HEIGHT: 119px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SSI10oiMryI/AAAAAAAAAEU/ALRowfsZvPc/s320/chili.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ingredientes bem dosados fundam as receitas.&lt;br /&gt;Eu leio e desobedeço&lt;br /&gt;Vou misturando o que a língua aprova&lt;br /&gt;E aquilo que me permite gemer&lt;br /&gt;Na ponta do dedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um risoto com um pouco de cada coisa.&lt;br /&gt;O que é possível juntar?&lt;br /&gt;Corto a cebola, espremo o alho e fico imaginando se uso ou não a pimenta.&lt;br /&gt;Do reino, raiz forte, de cheiro, ou chili?&lt;br /&gt;Que não precise arder tanto, com um pouco de cardamomo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolho o negror do funghi, amarelado pelo curry, banhado pelo vermelho feito brasa do chili&lt;br /&gt;Ai, ai!&lt;br /&gt;Tomo nas mãos o arroz arbóreo&lt;br /&gt;De grãos firmes e delineados um, a um, com perfeição&lt;br /&gt;Deixo a água ferver banhada de azeite e sal.&lt;br /&gt;E me entrego à delicadeza do ato de criar um gosto tão meu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saboreio um gole de vinho rosé&lt;br /&gt;E reparo&lt;br /&gt;A voz quente de Nancy Sinatra traz condimentos de lembranças&lt;br /&gt;Por que não?&lt;br /&gt;Tomo a colher e levo à boca&lt;br /&gt;Um tantinho do que ainda ferve.&lt;br /&gt;E digo: hummmmmmmm! É bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Bang bang, he shot me down&lt;br /&gt;Bang bang, I hit thre ground&lt;br /&gt;Bang bang, that awfuk sound&lt;br /&gt;Ban bang, my baby shot me down&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Sirvo-me do banquete&lt;br /&gt;Uma porção atrás da outra é festa na minha boca&lt;br /&gt;Cheguei até a pensar: acho que perdi tempo nesse negócio de sociologia&lt;br /&gt;Só porque fui a cozinheira, devo ser modesta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“He didn't take the time to lie.”&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-2438831104080134998?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/2438831104080134998/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=2438831104080134998' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2438831104080134998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2438831104080134998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/11/que-no-precise-arder-tanto.html' title='Que não precise arder tanto'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SSI10oiMryI/AAAAAAAAAEU/ALRowfsZvPc/s72-c/chili.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-7794665153919160325</id><published>2008-11-15T18:51:00.001-03:00</published><updated>2008-11-15T18:53:41.643-03:00</updated><title type='text'>sem palavras</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SR9E3O65k7I/AAAAAAAAAEM/fCvTNt2-9mY/s1600-h/correr-+Carla+Broekhuizen.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5269005804735402930" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 239px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SR9E3O65k7I/AAAAAAAAAEM/fCvTNt2-9mY/s320/correr-+Carla+Broekhuizen.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O medo tem um sentido bem ali&lt;br /&gt;Onde as palavras escorregam&lt;br /&gt;Nem me adianta gaguejar, criar reticências, murmurar monossílabos vagos de significados&lt;br /&gt;Correr, muito menos.&lt;br /&gt;Fico tão sozinha são elas!&lt;br /&gt;Guardei os nós na garganta&lt;br /&gt;Aquele buraco que cresce no meio da barriga&lt;br /&gt;As lágrimas que não tinham para onde ir&lt;br /&gt;E todos retornaram em silêncio.&lt;br /&gt;Você ouve esse abismo?&lt;br /&gt;As palavras têm um sentido bem ali&lt;br /&gt;Onde os medos escorregam.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-7794665153919160325?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/7794665153919160325/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=7794665153919160325' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/7794665153919160325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/7794665153919160325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/11/sem-palavras.html' title='sem palavras'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SR9E3O65k7I/AAAAAAAAAEM/fCvTNt2-9mY/s72-c/correr-+Carla+Broekhuizen.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-2380578060021608164</id><published>2008-11-12T08:08:00.002-03:00</published><updated>2008-11-12T08:28:55.565-03:00</updated><title type='text'>sem título, sem ilustração</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Por onde perdemos os pedaços que traduziam lembranças de dois? São pequenas quinquilharias, como desenhos, pedrinhas, fotografias e coisas desnecessárias que seguram um tempo em dueto e o desfazem. Elas se foram. O amor meu levanta-me. Será? Carrego uma sensação de que vou embora esquecendo algo. Olho em volta, nos cantos, nos lábios, atrás e nem sequer tenho pistas do que possa ter perdido. Esquecimento?Furto? Bincadeira de esconde-esconde? Sendo assim, nem suspeito (a) eu tenho. Como me lamentar? Tem alguém ai que possa assumir alguma culpa, tem? Acho que falei baixo. Uma hora vou ter que ouvir:  distrações da eterna menina que dorme detrás das portas!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O amor pode ser , logo depois, um rascunho esdrúxulo e solitário.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-2380578060021608164?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/2380578060021608164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=2380578060021608164' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2380578060021608164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2380578060021608164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/11/sem-ttulo-sem-ilustrao.html' title='sem título, sem ilustração'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-6625421097394881813</id><published>2008-11-11T16:19:00.001-03:00</published><updated>2008-11-11T16:25:47.530-03:00</updated><title type='text'>Contigo Aprendi</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SRncDhf9OTI/AAAAAAAAAD8/mMR7u-PRrH0/s1600-h/67842031%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5267483192276629810" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 160px; CURSOR: hand; HEIGHT: 181px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SRncDhf9OTI/AAAAAAAAAD8/mMR7u-PRrH0/s320/67842031%5B3%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Escrever uma história ouvindo todas as idades que tenho,&lt;br /&gt;Contar história para todas as idades que temos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha apenas três anos quando ele nasceu. De tão branquelo foi apelidado de arroz doce. É bem verdade, eu queria uma irmã. Pensando bem, eu queria uma amiga para brincar de boneca, jogar pedras, pular macaca e chorar comigo assistindo a sessão dominical de Mercelino pão e vinho. Pensei então que ele poderia vir a ser um boneco de mais verdade. Poderia substituir o seboso, o único homem no harém das bonecas. Seboso, obviamente esse nome fora dado pela minha mãe, pelo olhar do outro. Ele era o mais velho da cidade dos bonecos e foi ficando meio desbotado, com uns sujinhos grudados nas pontas dos dedos e uma mancha, quase que uma raspa na perna esquerda. Não sei muito bem porque, mas a nudez era a condição corporal de seboso.&lt;br /&gt;Foi quando nasceu o Paulo. A diferença é que meu irmão chorava, calava, ria estranhamente e não me respondia nada, nunca. Já o Seboso, principalmente quando ia dormir e se aproximava aquela hora da aparição dos fantasmas, dizia de mim e do mundo. Eu deitava de um lado, para reparar nas almas que vinham na mira de meu olho fechado e, seboso, ficava olhando o meu outro lado, o escuro, o abismo. Um certo dia, uma voz adentrou o silencioso diálogo entre mim e seboso. Meu irmão falava também. Era um final de tarde. Na radiadora, tocava Contigo Aprendi na voz de Altemar Dutra. Peguei Paulo pela mão e atravessei as cadeiras que pontilhavam o entardecer na calçada. Quando a noite chegou, como num ritual sagrado, naquele dia, amarrei em nossos punhos um telefone sem fio. Uma caixa de fósforos, um cordão que aproveitei das compras chegadas da mercearia, um fio de comunicação. Atrás de mim, não havia mais seboso. Apenas a infinita certeza do escuro, do sem fim e da tênue linha que parece unir afetos, dose possível de remédio para a alma. Durante toda vida um fio invisível nos entrelaça, nos comove. Contigo aprendi que existe luz nas noites mais escuras. Bom dia, Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Paulo Diógenes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-6625421097394881813?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/6625421097394881813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=6625421097394881813' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/6625421097394881813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/6625421097394881813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/11/contigo-aprendi.html' title='Contigo Aprendi'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SRncDhf9OTI/AAAAAAAAAD8/mMR7u-PRrH0/s72-c/67842031%5B3%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-2337282938701463851</id><published>2008-11-09T23:27:00.003-03:00</published><updated>2008-11-09T23:33:58.338-03:00</updated><title type='text'>fértil solidão</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SRedc6Gq39I/AAAAAAAAAD0/qCPMZadVrZc/s1600-h/bailarino.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266851409192214482" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 258px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SRedc6Gq39I/AAAAAAAAAD0/qCPMZadVrZc/s320/bailarino.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SRec3wDavJI/AAAAAAAAADs/9trkc4DMbzw/s1600-h/correr-+Carla+Broekhuizen.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Uma solidão&lt;br /&gt;Deitou-se ao meu lado&lt;br /&gt;Tomei suas mãos&lt;br /&gt;Entrelacei pernas com pernas&lt;br /&gt;Olhos nos olhos&lt;br /&gt;E não houve jeito:&lt;br /&gt;Ficamos! &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-2337282938701463851?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/2337282938701463851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=2337282938701463851' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2337282938701463851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2337282938701463851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/11/frtil-solido.html' title='fértil solidão'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SRedc6Gq39I/AAAAAAAAAD0/qCPMZadVrZc/s72-c/bailarino.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-1798954635223875130</id><published>2008-11-09T11:49:00.001-03:00</published><updated>2008-11-09T11:53:40.473-03:00</updated><title type='text'>para aquele que espera o trem</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SRb5X9-QPsI/AAAAAAAAADk/6Rj-GVR61RA/s1600-h/288.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266671004424355522" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 99px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SRb5X9-QPsI/AAAAAAAAADk/6Rj-GVR61RA/s320/288.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um sonho passou por mim&lt;br /&gt;E deixou seu rastro.&lt;br /&gt;Nem aguardei os pedaços de lembrança&lt;br /&gt;Levantei inundada e tonta&lt;br /&gt;Tomei a escova&lt;br /&gt;Agarrei sem a mínima idéia de força&lt;br /&gt;E a pasta pingou azul&lt;br /&gt;Como um sinal&lt;br /&gt;Ali no meu braço.&lt;br /&gt;Vi o esboço de nós dois&lt;br /&gt;Que resiste aos ventos&lt;br /&gt;Percorri o desenho de sua boca&lt;br /&gt;Molhada e nítida.&lt;br /&gt;E um chamado que diz: você é única, sabia?&lt;br /&gt;Será mesmo?&lt;br /&gt;Melhor duvidar.&lt;br /&gt;Fechei os olhos&lt;br /&gt;E um sopro quente&lt;br /&gt;Te mostrou em mim&lt;br /&gt;Ali, inerte e movediço.&lt;br /&gt;Com um riso escancarado para o tempo . &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-1798954635223875130?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/1798954635223875130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=1798954635223875130' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/1798954635223875130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/1798954635223875130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/11/para-aquele-que-espera-o-trem.html' title='para aquele que espera o trem'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SRb5X9-QPsI/AAAAAAAAADk/6Rj-GVR61RA/s72-c/288.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-4952243679852975793</id><published>2008-11-07T18:26:00.001-03:00</published><updated>2008-11-07T18:30:54.519-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Glória:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estive no blog, li seus poemas e vi você, linha ao vento. Pensei depois de ir, ler e ver: se há mulher e a segunda natureza que ela instaura, há, sim (apesar dos ditames em contrário) uma literatura feminina, assim como há uma literatura macha. Ambas, em seus arquétipos de homem e mulher. Isso em nada (pelo contrário) as diminui. Ambas transcendem gêneros e não são feitas necessariamente por quem tem o sexo masculino ou feminino. Pensando assim, Manoel de Barros me parece tão menina e Hilda Hirst, tão fálica. Mas em você - pelo menos no que li até agora e foi tão pouco - genitália e escrita coincidem, como, por vezes, em Clarice e Lia Luft.Pòs-leitura , saio tocado pela feminilidade. Repito, aquela feminilidade arquetípica ou consensual ou trans-histórica: mulher, não apenas enquanto pessoa, mas um lugar.Escrevo isso pensando no vento que, segundo um dos poemas, lhe levanta a saia, lambe não se sabe onde e bate a porta. Escrevo isso pensando em quem, parafraseando Bandeira, diz ser "a mulher que quero e a cama escolherei". Escrevo isso pensando, pois, na mulher como um eldorado, um onde que pra onde vai leva consigo um para-além de si mesmo; um em-si. Poesia - diz Haroldo de Campos - é o afazer de afasia, ou seja, é um afazer de palavras quando não se tem palavras. E eu acrescentaria: poesia é o que nos põe em estado de poesia, em estado de afasia. Você, com alguns de seus textos, me pôs assim, tentando decifrar essa matriz feminina que aconchega um mundo à parte que lhe entra pela fresta da carne. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um abraço!Ricardo Guilherme P.S Depois de reler este email, me perguntei: que sexo tem essa minha escrita ?Rsrsrsrs &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-4952243679852975793?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/4952243679852975793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=4952243679852975793' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/4952243679852975793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/4952243679852975793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/11/glria-estive-no-blog-li-seus-poemas-e_07.html' title=''/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-3074486071004699237</id><published>2008-11-06T08:41:00.002-03:00</published><updated>2008-11-06T08:52:17.447-03:00</updated><title type='text'>auto-retrato</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SRLaUHIBmiI/AAAAAAAAADc/uVkX-r0qVYw/s1600-h/HPIM2787.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5265510953394477602" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SRLaUHIBmiI/AAAAAAAAADc/uVkX-r0qVYw/s320/HPIM2787.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu não tenho perfil. Desde bem pequena me pergunto onde fiquei, onde nasci, onde houve registro de alguma glória.Sei que desde sempre tomo na mão pequenas coisas como cobras de duas cabeças, caixas de fósforos que funcionam como telefones perfurados com barbantes e miniaturas de todos os tipos.Fui talhada para subir em árvores e quase nunca saber como descer.Fui fadada a ler a histórias de santos e santas que assim se tornaram por resistirem. E nunca gostei de freiras. Rezava, rezava muito para os heróis das estórias conseguirem vencer os monstros, desvendarem os enigmas e, finalmente, serem premiados com o mais singelo dos amores. Gosto de gente que alcança lugares ermos, topos de montanhas, corações de florestas, fundos de cacimbas. E voltam para contar e atiçar o desejo de ir.Por achar que flutuava e voava interligando chão e teto, eu me perdia nos espaços do meu quarto. Quase sempre me desligava e via o mundo rodar. E se eu tivesse adentrado o “túnel do tempo”?Fazia das músicas trilhas sonoras de aventuras vãs.Descobri muito cedo onde fica o prazer e ele se espalhou por lugares que ainda nem conhecia. Eu nem me reservei e muito menos precisei ir ao Fantástico.Uma palavra em falso, um dedo em riste, a dor de um outro estampada na minha cara, um desalento, faziam rolar lágrimas com prenuncio de inundação.Sou fértil, tão, tão que quando o homem, segundo a minha avó, pegava no punho da rede já havia risco de procriação. Filhos de todos os jeitos. Amamentar segurando os dedinhos, agradecida por ser fonte que nutre um e outro. Tenho inveja das cumade na beira dos açudes lavando roupas e quarando a vida. Quando crescer, quero ser uma mulher que apenas pressente, sem as desmesuras daquilo que chamam sentimentos. Roupas entre as pernas, sabão que lava na pedra aquilo que demanda ir, o sol e varal. Melhor assim. O cheiro do feijão adornando a espera e o homem de peito ao vento enroscado no silêncio.Lá fora, o cheiro dos guaxinins, as cantigas de grilo e uma ausência do tempo. Um lugar ermo de palavras e eu plantada, bem no meio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-3074486071004699237?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/3074486071004699237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=3074486071004699237' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/3074486071004699237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/3074486071004699237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/11/auto-retrato.html' title='auto-retrato'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SRLaUHIBmiI/AAAAAAAAADc/uVkX-r0qVYw/s72-c/HPIM2787.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-3089311459690227794</id><published>2008-11-03T20:52:00.003-03:00</published><updated>2008-11-03T21:02:18.405-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SQ-Q_owNDgI/AAAAAAAAADU/XMuBhyfVAL0/s1600-h/dama_do+vento.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5264585912365157890" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 248px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SQ-Q_owNDgI/AAAAAAAAADU/XMuBhyfVAL0/s320/dama_do+vento.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Acabou de entrar pela minha janela&lt;br /&gt;Um vento cheio de sedução&lt;br /&gt;Levantou minha saia&lt;br /&gt;Desgrenhou meus cabelos&lt;br /&gt;Desceu pelas costas&lt;br /&gt;Lambeu num sei onde&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E bateu a porta!&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-3089311459690227794?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/3089311459690227794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=3089311459690227794' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/3089311459690227794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/3089311459690227794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/11/acabou-de-entrar-pela-minha-janela-um.html' title=''/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SQ-Q_owNDgI/AAAAAAAAADU/XMuBhyfVAL0/s72-c/dama_do+vento.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-5141035171191570567</id><published>2008-10-31T15:08:00.003-03:00</published><updated>2008-10-31T15:26:36.612-03:00</updated><title type='text'>O vôo</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SQtKdtZ_I9I/AAAAAAAAADE/3n3xDsoncH4/s1600-h/exit.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5263382463777809362" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 215px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SQtKdtZ_I9I/AAAAAAAAADE/3n3xDsoncH4/s320/exit.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;(A poltrona de número vinte e cinco&lt;br /&gt;Era exatamente aquela&lt;br /&gt;Da saída de emergência&lt;br /&gt;E eu a guardiã dessa passagem)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo eu que temo cotidianamente a minha própria insegurança.&lt;br /&gt;E nem pressa tenho mais.&lt;br /&gt;Como ser aquela&lt;br /&gt;Que na hora H&lt;br /&gt;Puxa a manivela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo eu que troco as saídas&lt;br /&gt;Pelas portas de entrada&lt;br /&gt;Os banheiros femininos por masculinos&lt;br /&gt;Os amores continentes&lt;br /&gt;Por amores lançados ao vento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo eu que na eminência de uma tragédia&lt;br /&gt;Serei a primeira a duvidar da possibilidade&lt;br /&gt;De abertura.&lt;br /&gt;E produzirei travas e trincos&lt;br /&gt;Adornados pelo medo da espera?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo eu que quando pressinto o perigo&lt;br /&gt;Imagino o morrer&lt;br /&gt;Uma aventura da passagem&lt;br /&gt;Para além das portas&lt;br /&gt;E dos avisos luminosos de apertar cintos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo eu que navego&lt;br /&gt;Em pleno ar&lt;br /&gt;E decidi transpor os abismos invisíveis&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Remover os anteparos da visão&lt;br /&gt;Romper os lacres dos tesouros adiados&lt;br /&gt;Logo eu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como posso dar segurança? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-5141035171191570567?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/5141035171191570567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=5141035171191570567' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/5141035171191570567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/5141035171191570567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/10/exit.html' title='O vôo'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SQtKdtZ_I9I/AAAAAAAAADE/3n3xDsoncH4/s72-c/exit.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-8507751083022430767</id><published>2008-10-26T20:01:00.003-03:00</published><updated>2008-10-26T20:07:50.078-03:00</updated><title type='text'>A Glória em fuga (ou quase fui embora para Pasárgada)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SQT32vbfiEI/AAAAAAAAAC8/_Uo48Hx2TS8/s1600-h/manoel+bandeira.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5261602784492357698" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 306px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SQT32vbfiEI/AAAAAAAAAC8/_Uo48Hx2TS8/s320/manoel+bandeira.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;vou voltar para o meu lugar&lt;br /&gt;aqui,&lt;br /&gt;fui expurgada pelo rei&lt;br /&gt;lá,&lt;br /&gt;sou a mulher que quero&lt;br /&gt;e a cama?&lt;br /&gt;escolherei!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-8507751083022430767?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/8507751083022430767/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=8507751083022430767' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/8507751083022430767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/8507751083022430767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/10/glria-em-fuga-ou-quase-fui-embora-para.html' title='A Glória em fuga (ou quase fui embora para Pasárgada)'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SQT32vbfiEI/AAAAAAAAAC8/_Uo48Hx2TS8/s72-c/manoel+bandeira.gif' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-321159080561766259</id><published>2008-10-23T18:45:00.001-03:00</published><updated>2008-10-23T19:00:12.462-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SQDzwK9496I/AAAAAAAAACs/Bh3grRQ7UrI/s1600-h/fim.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5260472373671950242" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 114px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SQDzwK9496I/AAAAAAAAACs/Bh3grRQ7UrI/s320/fim.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Encontros Proscritos Três ( Escritos nas Alturas Três)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Tudo inchou, inflou. Não consigo digerir. São 4 horas da manhã. Falta sono, fica apenas um cansaço desassossegado. Faz calor no frio, não encontro lugar na cama. Amo um amor que parece não ter para onde ir. Talvez tenha se extinguido há muito tempo, talvez nem tenha existido. Olho e sei que tudo nele é sinal de uma história de amor; os olhos pequenos e repuxados, os lábios vermelhos, o nariz empinado e o meu encanto pregado na cara dele. “Posso escrever as linhas mais tristes esta noite”. Os cachorros latem ao longe e mesmo ao meu lado, ele não está comigo. Nunca vi tantas estrelas cintilando no céu da Linha e nós dois imersos na escuridão. Quando foi embora? Quando me ausentei? Deixamos o desencontro ocupar a sala de visitas. Eu ainda me lembro de nós dois enlaçados e nítidos. Preciso de um guia de cego. Nem consigo andar de bicicleta! , perdi o equilíbrio. Talvez, chore muito. Minha mãe dizia que chorar era fácil para mim. Mariposas tantas, tantas bem pequenas e doidas por luz. Descobriram agora que podem voar. A chuva irrigou essa nascença. Eu quero fazer do meu choro surgir seres voantes enunciando a boa nova. Ele dorme ao meu lado. De mãos em concha e eu aqui tão a ermo. Quando amanhecer, não terei dormido. Como disse no início, tudo na minha barriga parece ter parado no exato momento em que comi e vi uma tristeza se fazer enchente. Cadê um colo? Um consolo? Uma canção de ninar? Tem alguém ai para me guardar enquanto dói?&lt;br /&gt;Março de 2007&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-321159080561766259?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/321159080561766259/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=321159080561766259' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/321159080561766259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/321159080561766259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/10/encontros-proscritos-trs-escritos-nas.html' title=''/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SQDzwK9496I/AAAAAAAAACs/Bh3grRQ7UrI/s72-c/fim.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-4101192653646319266</id><published>2008-10-21T08:20:00.001-03:00</published><updated>2008-10-21T08:22:00.535-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Desalinhos e desmesuras (parte dois)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I just call to say I love me&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela fresta vejo o tempo escorrido&lt;br /&gt;corpo adentro.&lt;br /&gt;Nem chuva, nem sol, muito menos alerta de fogo,&lt;br /&gt;Pareciam tocar sua superfície silenciosa&lt;br /&gt;e sonsa.&lt;br /&gt;Ela se fingia de morta para melhor viver&lt;br /&gt;Dizia minha avó da mulher da frente&lt;br /&gt;Cada vez que o mundo pedia dela um grito, um riso, um gozo.&lt;br /&gt;Ficava quieta e no canto da boca desenhava um gracejo de cumplicidade consigo mesma. Apenas ela alcançava. Eu que vivia para fora, vida vai, vida vem, ficava a imaginar para onde iam seus transbordamentos.&lt;br /&gt;Passei a vida acordada e agora, percebo o quanto aquietei um tempo sem ao menos saber. Dormi para ver por dentro e fiquei aconchegada na passividade cúmplice. Uma incubadora de desejos, adiados e imprecisos.&lt;br /&gt;Em que lugar me guardei enquanto dormia? Nem acordar eu sei. Remexo os sonhos e me vejo deitada na rede com o desconhecido. Um homem carregando a lenha passa e rouba meu olhar, um negro toca a ponta dos meus dedos e estremeço.&lt;br /&gt;Subo e desço as ladeiras da serra. As papoulas sempre foram tão vermelhas? Montanhas de formas diversas enchem o vale de volúpia. Canindé tem um santo e eu aqui vendo malícia por todos os lados. Que cara tenho eu? Tomo a digital e registro imagens tantas de mim. No canto da boca o riso da vizinha. Nítida uma cara de mulher, desalinhada e vermelha, de vergonha é que não é.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-4101192653646319266?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/4101192653646319266/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=4101192653646319266' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/4101192653646319266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/4101192653646319266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/10/desalinhos-e-desmesuras-parte-dois-i.html' title=''/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-6005305397468066443</id><published>2008-10-21T08:08:00.005-03:00</published><updated>2008-10-21T08:20:07.622-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SP25DzVJM8I/AAAAAAAAACk/-TByP-CzNOU/s1600-h/HPIM3063.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5259563414808245186" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SP25DzVJM8I/AAAAAAAAACk/-TByP-CzNOU/s320/HPIM3063.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Desalinhos e desmesuras (parte dois)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;I just call to say I love me&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela fresta vejo o tempo escorrido&lt;br /&gt;corpo adentro.&lt;br /&gt;Nem chuva, nem sol, muito menos alerta de fogo,&lt;br /&gt;Pareciam tocar sua superfície silenciosa&lt;br /&gt;e sonsa.&lt;br /&gt;Ela se fingia de morta para melhor viver&lt;br /&gt;Dizia minha avó da mulher da frente&lt;br /&gt;Cada vez que o mundo pedia dela um grito, um riso, um gozo.&lt;br /&gt;Ficava quieta e no canto da boca desenhava um gracejo de cumplicidade consigo mesma. Apenas ela alcançava. Eu que vivia para fora, vida vai, vida vem, ficava a imaginar para onde iam seus transbordamentos.&lt;br /&gt;Passei a vida acordada e agora, percebo o quanto aquietei um tempo sem ao menos saber. Dormi para ver por dentro e fiquei aconchegada na passividade cúmplice. Uma incubadora de desejos, adiados e imprecisos.&lt;br /&gt;Em que lugar me guardei enquanto dormia? Nem acordar eu sei. Remexo os sonhos e me vejo deitada na rede com o desconhecido. Um homem carregando a lenha passa e rouba meu olhar, um negro toca a ponta dos meus dedos e estremeço.&lt;br /&gt;Subo e desço as ladeiras da serra. As papoulas sempre foram tão vermelhas? Montanhas de formas diversas enchem o vale de volúpia. Canindé tem um santo e eu aqui vendo malícia por todos os lados. Que cara tenho eu? Tomo a digital e registro imagens tantas de mim. No canto da boca o riso da vizinha. Nítida uma cara de mulher, desalinhada e vermelha, de vergonha é que não é.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-6005305397468066443?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/6005305397468066443/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=6005305397468066443' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/6005305397468066443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/6005305397468066443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/10/escritos-na-alturas.html' title=''/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SP25DzVJM8I/AAAAAAAAACk/-TByP-CzNOU/s72-c/HPIM3063.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-3902260636301845361</id><published>2008-10-18T16:15:00.001-03:00</published><updated>2008-10-18T16:20:57.110-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SPo278ih7oI/AAAAAAAAACc/oYIJo39VxfQ/s1600-h/GUARA+abril07+093.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5258575918399614594" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SPo278ih7oI/AAAAAAAAACc/oYIJo39VxfQ/s320/GUARA+abril07+093.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;A glória e a linha (escrito nas alturas um)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem alguém ai para um dueto&lt;br /&gt;A quatro mãos&lt;br /&gt;Capaz de vibrar canção no vendaval&lt;br /&gt;Da Linha da Serra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero colher manjericão&lt;br /&gt;Acompanhar a grama se esparramando&lt;br /&gt;No quintal&lt;br /&gt;Olhar Caridade ao longe&lt;br /&gt;Jardim do outro lado&lt;br /&gt;Entrar no quarto&lt;br /&gt;E triturar densidades. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-3902260636301845361?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/3902260636301845361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=3902260636301845361' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/3902260636301845361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/3902260636301845361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/10/glria-e-linha-escrito-nas-alturas-um.html' title=''/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SPo278ih7oI/AAAAAAAAACc/oYIJo39VxfQ/s72-c/GUARA+abril07+093.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-5385319442127897575</id><published>2008-10-17T00:16:00.003-03:00</published><updated>2008-10-17T00:20:09.835-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SPgDvedDUjI/AAAAAAAAACU/YLOKrv13pX0/s1600-h/saudade.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5257956679118705202" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SPgDvedDUjI/AAAAAAAAACU/YLOKrv13pX0/s320/saudade.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os quatro elementos ou porque é preciso ir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um poço tão profundo que tocava a pele do mundo. Ali, onde tudo era aparentemente plano, superfície intacta, havia furos, rugosidades, entradas e saídas. Um profundo feito de horizontalidades e abismos. Assim como Deus costuma tecer seus mistérios.&lt;br /&gt;Era um poço corrente, com cordilheiras de musgos e vitórias-régias, a entrever o rasgo da luz que saudava a eterna brincadeira de entrar e sair, de mergulhar e boiar, de ser navio, submarino e albatroz."Fica ai que ele te leva correnteza abaixo e te salva", diziam as mulheres aos seus filhos mergulhadores. Era então, que num gesto quase sagrado, eles ouviam e voltavam para salvá-las da terra. Eles sabiam que as mães deveriam ser postas em perigo para terem coragem de ir.Entretanto, o poço não era somente um lugar cujos chamados eram motivos de preocupação para mães e avós. Virar planta pode significar uma forma de não se deixar levar, de desistir de ouvir o chamado dos ventos e das águas andantes. Lá havia também o fogo mais abrasante capaz de aquecer léguas de distância. Água e fogo sem nenhuma utilidade. Assim como o vento que dava movimento a tudo e a terra que o contornava quieta e macia. Nada de preocupação com higiene, limpeza ou fogueira de restos. O poço fazia correr os desejos mais improváveis, impuros e com uma faísca tornava toda a água um poderoso combustível. São belas as coisas sujas, despropositais e perigosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até os viajantes sabiam que o lugar para se experimentar o único, o mistério do sentimento que parecia deixar bravo até mesmo Deus, ficava bem ali, no poço dos quatro elementos. Como não podia ser diferente, os velhos da aldeia contavam diversas lendas sobre ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma dessas histórias fala sobre um anjo-feiticeiro que havia ganhado asas depois de se apaixonar por uma feiticeira-anjo de olhos grandes e pele quente, cor de amêndoa. A devoção do anjo à feiticeira, e da feiticeira ao anjo, não somente tornou-o humano e com asas, mas deixou também, o humano Deus, conciliado com a sua criação. E no oitavo dia Eros desfez poço e banhou o mundo.Em regozijo, o Senhor tornou o amor dos dois água-terra-fogo e ar, e dispensou o escrevinhador das artes de Memória. Numa “bendição”, por um tempo, tornou atemporal e sagrado aquele amor. De tão bondoso, o Senhor decidiu, por repetidas vezes, soprar os ventos perto das asas do anjo-feirticeiro a fim de devolvê-lo ao seu caminho. Deixou as águas deslizarem para que ele pudesse escorrer. Usou o fogo para atiçar o desejo e lançá-lo em fresta à sua amada. Trouxe, por fim a terra, para que ele aportasse no seu lugar. Nada disso parece ter acordado o anjo-feiticeiro. Por não se sentir merecedor o anjo inventou um Deus bravo, castigador e um amor finito. É por isso, que ele, esse anjo, não consegue sumir, e se encontra perdido entre o seu mundo e outro estranho para ele, mundos fora dele.Ao encarar a promessa de uma nova terra, de um outro amor o anjo foi deixando-se cair; a sensação do vácuo em terras distantes o remetia, de forma insistente, a olhar de longe o seu amor perdido. Apesar de ainda ter asas e possuir corpo de homem-anjo, ele já quase não conserva seu coração-quatro elementos. De tanto querer negar, ir, recusar ficar e aportar o anjo foi perdendo aquilo que tinha de mais sagrado: o amor- cordilheira, o amor-ventania; o amor-combustão, a amor-chão. Ficou apenas um corpo-representação. Porém, há o outro lado da história. Dizem que a feiticeira-anjo percebeu a incessante vontade e generosidade de Deus em criar e re-criar o amor. Por ter esperado o anjo-feiticeiro criar asas, tornar-se homem, abrir mão do seu coração e, em seguida, tê-lo perdido, Deus trouxe para ela um homem que voa e fica. Um homem que ama e ama. Um homem que se sente com asas apenas por ser amado e poder estar ao lado dela. Um homem e uma mulher, ambos alados e enfeitiçados. O anjo-feiticeiro? Virou conto. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-5385319442127897575?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/5385319442127897575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=5385319442127897575' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/5385319442127897575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/5385319442127897575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/10/os-quatro-elementos-ou-porque-preciso.html' title=''/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SPgDvedDUjI/AAAAAAAAACU/YLOKrv13pX0/s72-c/saudade.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-2681211515579691637</id><published>2008-10-17T00:03:00.001-03:00</published><updated>2008-10-17T00:05:28.904-03:00</updated><title type='text'>O mar leva e traz</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SPgA6-CgsjI/AAAAAAAAACM/8QRm0uo-FV8/s1600-h/mir%C3%B3.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5257953578040996402" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SPgA6-CgsjI/AAAAAAAAACM/8QRm0uo-FV8/s320/mir%C3%B3.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O mar leva e traz (encontros proscritos dois)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei. Vi um homem ferido sem que eu pudesse evitar. Como deixei que a velocidade, o desatino de quem anda ao sabor dos ventos e das marés pudesse fazer capotar o seu destino? Braço enfaixado, olhar curioso e a sensação de perplexidade por estar em um lugar cujo tempo parece ser livre. Um braço que me pôs diante de uma desatenção, de um cuidado desastrado com a alma que anima esse corpo. O que foi isso? - Perguntei- Pressenti que ele nunca mesmo iria conseguir explicar porque virou, porque ficou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi sua grandeza de corpo mesmo que se expande talhado, como monumento. Jeito de fincar pernas e braços que tudo alcançam. Eu sei, ele ataca, muitas vezes devora. Instinto tubarão que antevê as presas que rodeiam e instigam. Repentinamente, baixando a guarda ele senta no chão, horas a fio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado da sala, em momentos de lusco-fusco, via e não via o homem que parecia surgir da minha escuridão. Mesmo quando percebia que seu olhar fugia do meu, sentia-me vista, atravessada de desejo. Cada gesto, cada movimento do meu corpo, parecia refletido na sombra do homem que espelhava à minha frente. De que onda de tempo ele veio ao meu encontro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim que vi entrar na minha sala de mulher esperta um homem que não costuma pedir licença. Fui desavisada encontrá-lo. Pensei: homem avesso do esperado, mete menos medo. Cheguei até ele despretensiosamente e, como muitas vezes solto coisas de menina malcriada, aproveitei: não vim para ficar, vim para ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante do meu olhar, pressenti uma ternura boiando a ermo. Não há bússola capaz de prever a direção das coisas belas e profundas. Quando a sua mão me tocou percebi o prenuncio dos fenômenos que alteram a paisagem, tipo correnteza, redemoinho e precipitações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É então que o braço começa a cicatrizar e cada ponto retirado enuncia: o meu homem prepara-se para ir. Meu escravo sem dono parte antes de aportar. Você que é de-lugar-nenhum vai e deixa livre o meu jeito escondido de ser mulher. Deixa-me. Esse é o legado do nosso encontro. De outro modo, sei que em você reside uma força que me coloca no lugar, que me nomeia – fêmea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigada por teres adentrando minha alma sem pedir licença. Que os deuses e deuses te acompanhem Mar Adentro, Terra Afora.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-2681211515579691637?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/2681211515579691637/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=2681211515579691637' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2681211515579691637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2681211515579691637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/10/o-mar-leva-e-traz.html' title='O mar leva e traz'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SPgA6-CgsjI/AAAAAAAAACM/8QRm0uo-FV8/s72-c/mir%C3%B3.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-217389200091123769</id><published>2008-10-15T16:18:00.006-03:00</published><updated>2008-10-16T15:32:24.046-03:00</updated><title type='text'>Tanto Faz</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SPeIqfJP46I/AAAAAAAAACE/2AOAbOX6C8Q/s1600-h/monet.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5257821353474515874" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SPeIqfJP46I/AAAAAAAAACE/2AOAbOX6C8Q/s320/monet.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SPZEL40gRFI/AAAAAAAAAB8/hBqzLOVJDi8/s1600-h/tanto+faz.bmp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu bem aqui&lt;br /&gt;Você longe, longe.&lt;br /&gt;Um no topo da montanha&lt;br /&gt;O outro em alto mar.&lt;br /&gt;Você correndo lento&lt;br /&gt;Eu retendo solta.&lt;br /&gt;Um vendaval&lt;br /&gt;Outro apartamento.&lt;br /&gt;Um latido&lt;br /&gt;Outro lamento.&lt;br /&gt;Um vulcão&lt;br /&gt;Outro tormento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto faz,&lt;br /&gt;mesmo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pontos invisíveis&lt;br /&gt;Entrelaçam pernas e braços&lt;br /&gt;Línguas e dedos&lt;br /&gt;Gemidos e risos&lt;br /&gt;No lugar inexistente&lt;br /&gt;Da gente.&lt;br /&gt;Eu deitada nos seus braços&lt;br /&gt;Estórias narradas ao vento.&lt;br /&gt;Você escorrendo em silêncio&lt;br /&gt;Eu tateando teu tempo.&lt;br /&gt;Você bem aqui,&lt;br /&gt;Eu longe, longe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto faz&lt;br /&gt;O mesmo&lt;br /&gt;Bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adormecemos os dois&lt;br /&gt;Amanheceremos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15 de outubro de 2008 &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-217389200091123769?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/217389200091123769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=217389200091123769' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/217389200091123769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/217389200091123769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/10/tanto-faz.html' title='Tanto Faz'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SPeIqfJP46I/AAAAAAAAACE/2AOAbOX6C8Q/s72-c/monet.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-2309562929133535246</id><published>2008-10-14T08:16:00.002-03:00</published><updated>2008-10-14T08:27:13.509-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SPSB_BAAv_I/AAAAAAAAAB0/-u-0pCCSEGA/s1600-h/mulher+nua-+rio+d+ejaneiro.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5256969584648437746" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SPSB_BAAv_I/AAAAAAAAAB0/-u-0pCCSEGA/s320/mulher+nua-+rio+d+ejaneiro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Estação do dia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria-te&lt;br /&gt;Como quem busca o sol&lt;br /&gt;atravessei&lt;br /&gt;nua.&lt;br /&gt;Imaginei&lt;br /&gt;Tonta de luz&lt;br /&gt;O fim dos invernos.&lt;br /&gt;Navegando tantas luas.&lt;br /&gt;Eu sou do tipo&lt;br /&gt;Que vai e que fica, indo.&lt;br /&gt;Toda e nem toda.&lt;br /&gt;Até que o balanço&lt;br /&gt;Pare.&lt;br /&gt;Sou uma mulher sentada&lt;br /&gt;Ao sabor dos ventos.&lt;br /&gt;Quando quero,&lt;br /&gt;Finco os pés no chão.&lt;br /&gt;Medo?&lt;br /&gt;Por que não?&lt;br /&gt;Do medo se começa&lt;br /&gt;Para que ele se derreta.&lt;br /&gt;O sol derrete o medo, sabia?&lt;br /&gt;Desde menina sei.&lt;br /&gt;Assim, como no centro.&lt;br /&gt;Da minha cama apinhada de fantasmas.&lt;br /&gt;Durmo e vou sonhar.&lt;br /&gt;Fecho os olhos&lt;br /&gt;E fico&lt;br /&gt;E ficoficando.&lt;br /&gt;É que tem gente que fica(só)indo.&lt;br /&gt;O sol derrete o medo sabia?&lt;br /&gt;Chá de cidreira também.&lt;br /&gt;Avó cura insônia.&lt;br /&gt;Assim tão bestamente tua&lt;br /&gt;Lembro&lt;br /&gt;A primavera.&lt;br /&gt;Vi flor em tanto canto&lt;br /&gt;Que nem conto cores e pétalas&lt;br /&gt;Psiu! Está ficando tarde.&lt;br /&gt;Sonata de Outono?&lt;br /&gt;Nem sei, deixa passar,&lt;br /&gt;Outra lua.&lt;br /&gt;Ali, ainda tão tua,&lt;br /&gt;E nem tanto.&lt;br /&gt;Agora ainda mais nua.&lt;br /&gt;Ainda penso,&lt;br /&gt;Pode ter sido quebranto&lt;br /&gt;Olho gordo.&lt;br /&gt;Faltou simpatia?&lt;br /&gt;Preciso ir,&lt;br /&gt;Com licença,&lt;br /&gt;O sol derrama.&lt;br /&gt;Por favor,&lt;br /&gt;Uma informação:&lt;br /&gt;Qual a estação do dia?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-2309562929133535246?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/2309562929133535246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=2309562929133535246' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2309562929133535246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2309562929133535246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/10/estao-do-dia-queria-te-como-quem-busca.html' title=''/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SPSB_BAAv_I/AAAAAAAAAB0/-u-0pCCSEGA/s72-c/mulher+nua-+rio+d+ejaneiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-2883340415829226622</id><published>2008-10-11T13:29:00.003-03:00</published><updated>2008-10-11T13:58:35.179-03:00</updated><title type='text'>Um dueto, ou uma carta de amor</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SPDW-3WiQ6I/AAAAAAAAABs/Gka6B-AxuMk/s1600-h/imagem.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5255937140640072610" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SPDW-3WiQ6I/AAAAAAAAABs/Gka6B-AxuMk/s320/imagem.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Agora é quase meia-noite. Sob os meus pés, tenho as patas de Bilbo e uma vontade de carinho que nunca cessa. Vejo-te nos olhos dele. Nos olhos dele? Sei da imensidão que me circunda, o que temo transborda. Fico confortável quando avisto o limite de cada coisa, quando meço a palmo a distância de onde estou e o que me falta. No geral, antevejo e me apaziguo. Quando estivemos entrelaçados, desde o primeiro momento, não avistei o fim. Como um barquinho pequeno num mar infinito e eu navegante sem bússola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que menina esquisita! Quanto tempo faz que ela lança o olhar para não se sabe o que? Glória Maria, o que você faz ai, o que você está vendo? Desde bem pequena nunca entendi porque via sempre outras coisas que pareciam não compor a paisagem. Um dia perguntei: Como se faz para sair da gente e voltar? Foi quase sempre difícil me habitar sem trégua. Era banhada por uma desmesurada sensação de que cada coisa vista me falava, me convocava e eu tonta, gaguejava e me esquivava. Haveria delicadeza capaz de me sentir tomada pela mão em silêncio? Haveria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso sei meu amor como é preciso que os dedos deslizem pacientes por nossas superfícies tão protegidas, por nossos "quartos de angústia", por detrás das portas e dos pequenos recantos de estranheza e encantamento mútuo. A transparência que nos envolve é como um facho de luz de vaga-lume; existe apenas para quem também assume essa mesma condição. Já viu dois vaga-lumes no mesmo espaço escuro? A minha Glória é apenas ter experimentado e habitado o vácuo e reconhecer quando uma matéria viva o visita e resplandece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você fica na condição de quem sempre esteve lá, sabe de cada recanto meu, dos meus desvanecimentos, de onde falta a linguagem e de como ela vem em torrentes de tudo explicar, de tudo ocupar. Você sabe e eu não tenho mais onde me esconder. Sabe que a "menina dos talcos" permanece trêmula e lívida. Você sabe, eu deixo e me entrego! "És tú quem sempre esteve dentro de mim, sou eu quem estive acolá".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao &lt;a href="http://trajetosavela.blogspot.com/2008/10/carta-menina-de-talcos.html"&gt;dono deste gato&lt;/a&gt;, aqui comigo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-2883340415829226622?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/2883340415829226622/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=2883340415829226622' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2883340415829226622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/2883340415829226622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/10/um-dueto-ou-uma-carta-de-amor.html' title='Um dueto, ou uma carta de amor'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SPDW-3WiQ6I/AAAAAAAAABs/Gka6B-AxuMk/s72-c/imagem.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-6881858391948342126</id><published>2008-10-09T21:20:00.000-03:00</published><updated>2008-10-09T21:24:58.383-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SO6gJ9lmscI/AAAAAAAAABE/XPhMi_vGJFE/s1600-h/loucu3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5255313908199502274" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SO6gJ9lmscI/AAAAAAAAABE/XPhMi_vGJFE/s320/loucu3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Criolina e Buiú: encontros proscritos (um)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retomo a cena inaugural: um vento desloca as vestes que supostamente recobrem os corpos. A câmera foca o vestido envelope da mulher aberto ao vento, adentra o carro e sem esboçar nenhum movimento capta a nudez recoberta do homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Buiú, um delirante morador de rua, fez do corpo um guarda-roupa. Dobraduras de vestes de todos os tipos empilham-se. Não se sabe quantas calças, camisas e bugigangas tranca sobre si. Carrega tudo o que possui ao mesmo tempo e acredita, desse modo, protegê-las, conservá-las. Ninguém até hoje sabe dizer quem esconde o que, se as roupas cobrem o corpo ou se o próprio corpo envolve os pertences. Um dia me falou do seu cansaço, do seu frio-vestido, de um peso que carrega dia após dia, movido pela idéia de tornar o corpo cofre de tudo que possui. Sabia Glória que isso pesa? “Melhor ser vagabundo, que nem tem nada, que num tá nem vendo” me dizia o homem guarda-roupa. E assim, banho era aqui, acolá, poder se ver era quase nunca e ficava nessas dobraduras de panos protegidos, ausente de si.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Ela era chamada Criolina, andava cheia de latas e nesse baticum anunciava de longe sua presença. Quando o alarido soava alto, amontoava-se em torno dela um punhado de olhares. Era então chegada a hora: ela levantava a saia e se mostrava como veio ao mundo. A rua ficava em rebuliço: que pouca vergonha! Tudo que se dava a ela como calçados, vestidos, calçinhas e até absorventes era lançado ao chão, propositalmente. O sangue escorria por todos os cantos, mês a mês. Ficava o vermelho desenhado nos lugares onde dormia. Ria muito, cantava alto e dançava rodopiando em música. Por vezes, era tomada de um choro-rasgo, em golfadas de sentimentos de volume alto, falados em dialeto mesclado de bicho e gente. Nua e demente. Criolina seguia, inundada de si.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um dia especialmente nítido, encontraram-se. Criolina logo que olhou o homem guarda-roupa, pode ver para além das dobras, cascas, folhas, tecidos de todos os matizes e texturas que o envolvem. O seu olhar o alcançou “antes de (dele) se especular”, e de vestir-se em vigília. Na condição de nua, esparramada e intensa, ela tomou a mão dele e percebeu seu desassossego, o seu temor de, mais uma vez, confirmar a ausência daquilo “que se travou feito pedra”. E seus olhos derramaram mel e ternura. Se já havia perdido tudo, por ter sabido desde sempre que sua condição é de nudez, de nada reter, de se esvair mundo afora Criolina poderia sim tomar a mão do homem. Poderia também, ao seu lado, fazer ressoar o alarido das latas e vestir-se de suas costumeiras vestes: a nudez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim o fez. E ficaram os dois, sentados e circundados por um vácuo que se impõe feito trava e inusitadamente feito verbo que se apossa. Um vácuo cheinho de pulsação revestido de uma matéria de “silêncio que fala por tudo que não consegue dizer e entender”. Ela, por sua vez, “serelepe e vasta”, desajeitada e esparramada, pressente sua suposta ausência. “Talvez nada desperte” ou talvez seja essa a forma sua de despertar e de se desnudar. E segue, junto a ele. Criolina, movida de doçura cheia de vida vivida, o recebeu e disse: vamos parar tudo. Tudo, tudo, tudo e deixar o vento nos guiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontramo-nos: você tão absurdamente nu e guardado e eu tão escancaradamente nua e perplexa. Encontramo-nos e não interessa o que nos aguarda e o que faremos desse prelúdio. De quantos silêncios atravessarão nossa polifonia solitária, lírica e, por vezes, atravessada por ecos do nada. Puta que pariu dez vezes! Isso é fértil, me faz sentar e escrever em pé, banhada por eros, que tudo inunda e conduz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim do encanto. De volta ao quebranto. Ela o surpreende no peso, assolado por uma aguda sensação de vacuidade, perplexidade, e antevê os seus olhos desorbitados. A mulher, finalmente o enxerga inteiramente nu e alcança o que só uma criatura como ela e outros seres raros saberão. Um dito desnudado, uma fala que transita crua e límpida, um afeto teso e tenso, uma amizade povoada de tantas coisas mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criolina e o homem guarda roupa se viram e se sabem, o resto da história apenas os loucos, que nem eles, serão capazes de antever. Podem nunca mais se tocar, podem seguir bêbados, solitários e nus, vida afora. Mas, tem algo que o tempo não apaga e nem ela deixaria. Então, ela retoma a palavra que transborda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhar para essas pedras como parte de você meu amor tomá-las uma a uma e ora brincar de cinco pedrinhas, ora jogá-las para longe e, quando preciso for compor um silêncio: eu, você, as travas, trancas, pedras, com encanto e/ou quebranto. Não importa eu sendo eu, solto teu cabelo e te dou a mão. Infinitos, como novelos esticados, tesos, finos, brancos e cheios de graça. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-6881858391948342126?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/6881858391948342126/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=6881858391948342126' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/6881858391948342126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/6881858391948342126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/10/criolina-e-bui-encontros-proscritos-um.html' title=''/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SO6gJ9lmscI/AAAAAAAAABE/XPhMi_vGJFE/s72-c/loucu3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-6593710414120343021</id><published>2008-10-08T07:59:00.000-03:00</published><updated>2008-10-08T08:11:30.708-03:00</updated><title type='text'>o corpo num dia santo</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SOyUqe_Z3DI/AAAAAAAAAAc/iN8LIRWjEac/s1600-h/loucuras.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5254738322828942386" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SOyUqe_Z3DI/AAAAAAAAAAc/iN8LIRWjEac/s320/loucuras.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Perdição&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para onde anda o amor?&lt;br /&gt;Que amor?&lt;br /&gt;Ele não sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sentimento de grande se inaugura no centro&lt;br /&gt;Do mesmo modo que o mar é o céu pregado na terra&lt;br /&gt;Que se derrama&lt;br /&gt;E permite cerzir sal e tempo&lt;br /&gt;o amor é uma imensidão ungida no corpo&lt;br /&gt;que se esvai,&lt;br /&gt;E fica.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Quantos corpos cada um tem?&lt;br /&gt;Quantas vidas?&lt;br /&gt;Ela não sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um desassossego se desloca sem lugar&lt;br /&gt;Do mesmo modo que a terra é o mar inundado de areia&lt;br /&gt;Que se enterra&lt;br /&gt;E permite a ilusão de abortar o tempo&lt;br /&gt;O amor é uma invenção do corpo&lt;br /&gt;Que se retrai,&lt;br /&gt;E fica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ei, por favor!&lt;br /&gt;Você poderia me dizer&lt;br /&gt;Que dia é hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semana ( nem tão) santa de 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;imagem&lt;/strong&gt;:&lt;br /&gt;O segredo dos segredos&lt;br /&gt;Da série "amor e desejos"&lt;br /&gt;Rose Canazarro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-6593710414120343021?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/6593710414120343021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=6593710414120343021' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/6593710414120343021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/6593710414120343021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/10/o-corpo-num-dia-santo.html' title='o corpo num dia santo'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SOyUqe_Z3DI/AAAAAAAAAAc/iN8LIRWjEac/s72-c/loucuras.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-8246679779045184808</id><published>2008-10-07T06:37:00.000-03:00</published><updated>2008-10-07T06:55:59.949-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SOsyFYkDXnI/AAAAAAAAAAU/cQNCe1SOrL8/s1600-h/anjo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5254348458332216946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SOsyFYkDXnI/AAAAAAAAAAU/cQNCe1SOrL8/s320/anjo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu vi meu anjo na contramão&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;sem asas para voar&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;então providenciei o primeiro raio da aurora&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;tornei o medo matéria-prima &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;as asas se expandiram&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;ascendi&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Foi que voltei para buscar o anjo&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Voltei para me buscar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-8246679779045184808?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/8246679779045184808/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=8246679779045184808' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/8246679779045184808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/8246679779045184808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/10/eu-vi-meu-anjo-na-contramo-sem-asas.html' title=''/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SOsyFYkDXnI/AAAAAAAAAAU/cQNCe1SOrL8/s72-c/anjo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2712306219732298635.post-4584755243029412653</id><published>2008-10-04T19:17:00.000-03:00</published><updated>2008-10-04T20:08:33.369-03:00</updated><title type='text'>Para não dizer que perdi as cores</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SOf3aDr2V_I/AAAAAAAAAAM/h3LBgH3yqrg/s1600-h/mus_aquarela2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SOf3aDr2V_I/AAAAAAAAAAM/h3LBgH3yqrg/s400/mus_aquarela2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5253439517388855282" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fui buscar aquarela de volta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há beleza no encontro fortuito&lt;br /&gt;Nem um nem outro&lt;br /&gt;Nada buscam&lt;br /&gt;Sem meios-termos&lt;br /&gt;Sem lados,&lt;br /&gt;E caminhos.&lt;br /&gt;Nem um nem outro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que bonito são duas asas em vôo&lt;br /&gt;Que apenas pretendem ir longe&lt;br /&gt;E se descobrem  em dueto no despenhadeiro&lt;br /&gt;Nem um nem outro&lt;br /&gt;Ainda que voem no mesmo plano&lt;br /&gt;E se descubram no infinito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que leveza são as cores dela&lt;br /&gt;Derramando-se no branco do coração calado dele&lt;br /&gt;Nem um nem outro&lt;br /&gt;Mesmo quando faltam&lt;br /&gt;O negror dos tempos cala suas asas&lt;br /&gt;Elas habitam o pincel e a pallheta&lt;br /&gt;E a paisagem se esconde sobre névoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis tu, minha aquarela branca! Tu que foste o mais belo,&lt;br /&gt;Escondeu minha caixinha de lápis de cores,&lt;br /&gt;Procurei no céu, na lua, nos lados, na luz e na escuridão&lt;br /&gt;Desbotada e prenhe de um colorido perdido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi que olhei para a ponta dos dedos&lt;br /&gt;E fui derramando azul, tão verdinho, aveludado de roxo, de um amarelo tenso....&lt;br /&gt;E trouxe de volta a asas&lt;br /&gt;De um e de outro&lt;br /&gt;De todas as cores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Direito de Resposta a &lt;a href="http://trajetosavela.blogspot.com/2008/09/duas-maneiras.html"&gt;Duas Maneiras&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2712306219732298635-4584755243029412653?l=linhasaovento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://linhasaovento.blogspot.com/feeds/4584755243029412653/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2712306219732298635&amp;postID=4584755243029412653' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/4584755243029412653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2712306219732298635/posts/default/4584755243029412653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://linhasaovento.blogspot.com/2008/10/para-no-dizer-que-perdi-as-cores.html' title='Para não dizer que perdi as cores'/><author><name>glória</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06643177220438537908</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/Se8E08aOVYI/AAAAAAAAANQ/0VWYBHVpstg/S220/guar%C3%A1-agosto+2007.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Mol7gZLkV1A/SOf3aDr2V_I/AAAAAAAAAAM/h3LBgH3yqrg/s72-c/mus_aquarela2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
