terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Perda Preciosa


Encontrei uma pérola no caminho.
Tímida e inundada de brilho.
Ela dançava fora de sua concha
Eu dentro da minha

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

oscilação de temperatura


Faz silêncio.
Não quero dar explicações. Faltam-me palavras para certas coisas. Quem passa lá fora não consegue ver. Continua chovendo dentro de casa. O náufrago sequer envia mensagens na garrafa. Não há mais nada a ser salvo. O desamor rompeu a barragem. Eu mesma, nesse momento, me protejo como posso com os pés acima do chão. Nunca aprendi a nadar em águas revoltas. Agora, chovo. Ver por dentro provoca precipitações. Calma. Eu nasci sabendo voar. Não tenho pressa. O descobridor dos sete mares passará por mim e me navegará. Meu corpo fundará uma nova terra. Meus olhos dirão. Seus olhos me aquecerão. Ele sabe ler sinais. Haverá mudança de tempo. È verão. Aqui dentro, quarenta graus. Descansarás tuas pernas entre as minhas.
Faz silêncio.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Ex-voto?


(primeira versão)

Tomei os contornos do meu coração e o afixei num papel roto
Guardado em cofre, do lado da Nossa Senhora Desatadora de Nós
Havia de existir milagre!
Se havia!
Caso o deixasse entre braços, pernas, dedos, costas e rostos de graças alcançadas
Ele bem que poderia ter salvação.

O silêncio é o sal da redenção

Posicionei-o na prateleira
Não tão destacado
Não me tomem como desalmada,
Isso não sou!
Tive toda a delicadeza e zelo
Embora bem cansada
Não dei as costas e nem fingi desconhecê-lo

Há tantos outros que aguardam obstinados em prateleiras de fé

Coloquei-o entre uma mão fechada, de boa aparência
e uma boca que deveria estar ali por ter calado.
Dos males o menor,
Amar em demasia povoa e funda poemas.
É preciso cuidado com o pedido alcançado
E se o amor se esvai de vez?

O tempo tem me assustado

Nem precisa preocupação, piedade muito menos
Pois ele sabe que os calendários apenas imitam o tempo
E o meu (nosso) “coração é cristalino, mais duro que diamante”
Resiste sereno e confiante.
Resta apenas ultrapssar o abismo
Eu sou eu, você é você: acreditamos em milagre?